Menos de 20% dos municípios do Estado cobram a CIP

MÁRCIO COSTA
Da Editoria do Regional

Cidades continuam às escuras e pagamento da taxa amplia revolta da população em todo o EstadoESTADO – Pelo menos 32 dos 167 municípios do Estado já se encontram adequados à cobrança da Contribuição de Iluminação Pública (CIP).

O número representa menos de 20% dos municípios norte-riograndenses e os resultados obtidos com a cobrança ainda não conseguiram compensar o desgaste político que vem sendo acumulado desde a aprovação das leis de regulamentação registradas no fim do ano de 2003.

Os desencontros e flexibilidades mantidos pelos desencontrados textos elaborados pelas prefeituras e a falta de informação e escuridão mantidas nas ruas das cidades têm elevado a cada dia a insatisfação popular que cobra das prefeituras a revogação das leis.

Para se ter idéia dos desencontros, a lei aprovada na cidade de Luís Gomes renderá aos cofres públicos pouco mais de R$ 1.000,00, segundo o prefeito Pio X.

“A lei acabou envolvendo uma pequena parte da população e os rendimentos para o município serão simbólicos”, destaca o prefeito.

Contrastando com a realidade da cidade de Luís Gomes, as taxas cobradas em Pau dos Ferros devem somar em torno de R$ 40 mil mensais.

“Acredito que a arrecadação em Pau dos Ferros alcance algo em torno de R$ 40.000 a R$ 45.000 ao final de cada mês”, destaca o vereador Genilson Pinheiro.    

Com particularidades distintas, as leis chegam a ser inconstitucionais, sem a existência de critérios técnicos claros para a cobrança da taxa.

“Alguns textos chegam a ser inconstitucionais e discriminatórios. A população tem ampliado os níveis de revolta em função de não terem participado do debate para a composição da lei que acarreta no pagamento de mais uma taxa”, destaca o advogado e vereador pauferrense Genilson Pinheiro.  

Polêmica tem se agravado nas cidades
da região

Diante do quadro de dúvidas e manobras executadas para a aprovação das leis de cobrança da CIP, são cada dia maiores os índices de insatisfação popular contra os poderes executivos e legislativos das cidades afetadas pela cobrança da taxa.

Em Alexandria, os vereadores de oposição afirmam que a lei aprovada pela Câmara é diferente da que está em vigor. Segundo os vereadores oposicionistas, o valor especificado no projeto original foi alterado e os contribuintes estão pagando mais do que deveriam.

Os vereadores governistas negam a manobra e destacam que a polêmica está sendo utilizada para fins de fortalecimento político dos oposicionistas.

Em Pau dos Ferros, a aprovação da CIP também está gerando polêmica. Vereadores de oposição afirmam que a aprovação da lei se deu em uma reunião extraordinária após o período convencional destinado à aprovação.

“A lei foi aprovada num momento onde a Câmara encontrava-se em recesso e nos momentos finais do prazo estabelecido por lei para a aprovação, evitando com isso o debate público. Isto tem favorecido o aumento na cobrança do povo”, destaca o vereador Genilson Pinheiro.

Já na cidade de Mossoró, a polêmica voltada para a aprovação da CIP foi mais longe e através da ação encaminhada pelo vereador Renato Fernandes (PSB), a lei chegou a ser suspensa pela Justiça.

Mesmo após a vitória dada em favor da população a lei encontra-se em vigor e a cobrança da taxa tem atingido boa aparte da população que se mantém fora dos limites de isenção apresentado pela lei.

Com as leis aprovadas o único artifício que poderia eliminar a cobrança da taxa estaria ligada à iniciativa dos governos municipais em aprovar leis destinadas à revogação dos atuais textos vigentes.

 

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Mossoró-RN, sexta-feira, 25 de abril de 2003