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Alzinete
Di Oliveira
A cantora Alzinete
Di Oliveira, viúva, mãe de uma filha de 15 anos, já
foi comerciante, mas há cerca de 28 anos desistiu do
comércio e passou a se dedicar integralmente a música,
sempre atuando em Mossoró. No início numa banda formada
pelo seu irmão, a Anderson Musical que fez grande sucesso
em toda a região Oeste no final dos anos setenta e durante
os anos oitenta. Para Alzinete, cantar e interpretar
grandes autores é a sua vida, sua paz interior. Atualmente
se apresenta em vários ambientes distintos, como o restaurante
Candidu´s, nos bares Acapulco´s, Shopping Avenida,
Delícia da Praça, entre outros.
Por Leonardo Sodré Editor
Geral
O MOSSOROENSE -
O que é cantar para você?
Alzinete Di Oliveira
- Para mim, cantar é sair deste mundo. É dar uma viajada
num mundo diferente. Por exemplo, posso ir me apresentar
em qualquer local cheia de problemas pessoais, mas no
momento em que chego, que subo no palco, me liberto
totalmente de tudo e viajo na arte.
OM - Você gosta
de interpretar nomes da música nacional. Quais as favoritas?
ADO - Gosto
muito de Marisa Monte, Elis Regina, Adriana Calcanhoto,
Maria Betânia... Sou bastante eclética, atrevida (risos).
OM - Você faz
parte de vários grupos musicais?
ADO - Não. Participo
fixamente de uma banda chamada Tremendões, que canta
músicas dos anos sessenta. De Wanderléa, Roberto Carlos,
Erasmo Carlos, Vips, The Feveres e muitos cantores da
chamada “Jovem Guarda”, que durante muito tempo esteve
em evidência em todo o Brasil e que foi o responsável
pelo surgimento de Roberto Carlos, até hoje considerado
um ‘rei’ da jovem música romântica daquela época.
OM - A banda
Tremendões cumpre um cronograma de apresentações em
Mossoró e região?
ADO - É uma
banda muito solicitada. Em Mossoró e região ela vem
conquistando cada vez mais espaços. É formada por mim,
pelos cantores Ari, Pereira e o dr. Leonardo Nogueira,
por vários músicos: Waldir, no baixo; Tadeu, na bateria;
Celso, na guitarra solo; Manuel Georgino, que também
é poeta, no teclado; Mira Lira e Alan Jones como back
vocais, sendo que o dr. Leonardo também toca guitarra
base.
OM - Mas você
se apresenta no restaurante Candidu´s com outros nomes
da música mossoroense.
ADO - Na verdade
é um grupo free-lancer, formado por mim, Alberto César
no violão, que é um grande cantor, com mais de
quinze anos “de estrada” e Edvan, que também é uma pessoa
maravilhosa e um grande percusionista. Edvan é tão bom,
que é sempre chamado para tocar em quase todos os bares
de Mossoró.
OM - Você toca
com Alberto César e Edvan apenas no Candidu´s?
ADO - Não. Ando
com eles em outros eventos, como casamentos, aniversários,
recepções variadas. Eles são muito bons e é prazeroso
cantar com eles, que são simples e muito aplicados como
profissionais da música. Posso dizer que são verdadeiros
músicos. Muito responsáveis.
OM - Quanto
custa uma apresentação dos três?
ADO - Bom...
Varia. Temos um preço diferenciado para casamentos,
aniversários, etc. Esse tipo de evento, mais familiar,
que não dispõe de uma estrutura que temos que carregar,
cobramos entre trezentos e quinhentos reais por apresentação,
mas somos muito abertos as negociações. Para bares o
cachê é menor, na base de duzentos reais. Esse preço
é sem termos que levar o som. E, se for o caso, fica
mais caro.
OM - Você também
participa de outros grupos, tipo free-lancer, cantando
e tocando em outros bares?
ADO - Canto,
também, com outro grande músico mossoroense: o maestro
Vivi, que é professor do Conservatório de Música da
Uern e um brilhante profissional. Um tecladista de primeira
linha. Com ele faço um estilo mais clássico, na base
do piano e voz. Mas, fique certo, canto com todo mundo,
sem distinção. Como lhe disse antes, sou eclética, atrevida
(risos).
OM - Os cantores
e compositores de Mossoró e região são unidos?
ADO - Posso lhe garantir
que sim. Todo mundo por aqui tem o seu espaço e se ajuda
mutuamente. Eu, por exemplo, quando estou compromissada
e aparece uma apresentação para ser feita, passo sem
problemas para outro colega profissional. Da mesma forma
fazem comigo. Convivemos, graças a Deus, num ambiente
de muita harmonia e amizade e isso é importante para
a nossa classe. Tanto para os cantores, quanto para
os músicos.
OM - Você já
lançou algum CD?
ADO - Tenho um CD prontinho
para ser lançado. Já está editado, faltando somente
ser gravado e lançado no mercado, mas me falta capital
para tanto. Chama-se “Vida Sempre Viva”. É difícil,
mas estou trabalhando para ver se consigo lançá-lo o
mais breve possível. Mas não me estresso... Tudo vem
ao seu tempo.
OM - A atual
regra eleitoral proíbe a contratação de músicos em comícios,
realmente?
ADO - Infelizmente,
para nós músicos, sim (risos).
OM - Mas, parece
que música eletrônica é permitida...
ADO - É permitida.
Os partidos não puderem contratar músicos para os comícios
foi muito ruim para nós, profissionais, que nesse período
tínhamos a oportunidade de trabalhar bastante. Antes
os partidos fechavam contratos conosco no começo das
campanhas. Você sabe, a música ao vivo, mesmo sendo
com o grupo musical pequeno é muito mais bonita do que
a eletrônica, que é uma coisa fria, impessoal. A gente
ficava nos palanques animando as pessoas enquanto aguardávamos
os políticos. Virava festa e todo mundo gostava.
OM - Você é
reconhecidamente uma cantora de grande talento. Já pensou
em tentar se apresentar em outros centros maiores?
ADO - Eu já
pensei em sair de Mossoró, para uma cidade maior, mas
hoje em dia não penso mais nisso. Eu sou muito feliz
em Mossoró. Meu objetivo por aqui foi atingido. Sou
reconhecida e você sabe que é muito difícil crescer
profissionalmente numa cidade grande. Meu coração está
preso a Mossoró. Tenho, também, a minha mãe e a minha
filha, que não posso deixar e não deixo por nada. O
que o povo de Mossoró pode fazer por mim, ele faz.
OM - Qual é
o seu cronograma de apresentações?
ADO - Nas quintas-feiras,
sextas-feiras e sábados, eu canto no Acapulco´s; no
Candidu´s (sempre na tarde/noite do sábado), no Shopping
Avenida, no Tatake, que é um restaurante japonês e também
no Delícia da Praça.
OM - Você demonstra
um carinho especial pelo Candidu´s...
ADO - É verdade!
Confesso que somente estou atuando no momento por causa
da amizade devotada de Cândido (dono do restaurante
Candidu´s) e de sua esposa Rosália. Eu estava passando
por um perído de grande depressão. Havia parado de cantar
e não tinha vontade de fazer nada. Passei alguns anos
assim, até que Cândido me mandou um recado: “Diga a
ela que venha para o Candidu´s”. Então, tomei coragem,
preparei um repertório e fiquei três anos cantando apenas
por lá. Depois, me afastei por uns tempos e agora estou
definitivamente no restaurante todos os sábados. Eles
são pessoas maravilhosas. Grandes amigos.
OM - Algum recado
para Mossoró?
ADO - Agradeço
aos amigos e fãs pelo prestígio que me dão na cidade
e região. Aqui, sou feliz.
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