Mossoró-RN, domingo 23 de julho de 2006

Alzinete Di Oliveira

A cantora Alzinete Di Oliveira, viúva, mãe de uma filha de 15 anos, já foi comerciante, mas há cerca de 28 anos desistiu do comércio e passou a se dedicar integralmente a música, sempre atuando em Mossoró. No início numa banda formada pelo seu irmão, a Anderson Musical que fez grande sucesso em toda a região Oeste no final dos anos setenta e durante os anos oitenta. Para Alzinete, cantar e interpretar grandes autores é a sua vida, sua paz interior. Atualmente se apresenta em vários ambientes distintos, como o restaurante Candidu´s, nos bares  Acapulco´s, Shopping Avenida, Delícia da Praça, entre outros.

Por Leonardo Sodré
Editor Geral

O MOSSOROENSE - O que é cantar para você?

Alzinete Di Oliveira - Para mim, cantar é sair deste mundo. É dar uma viajada num mundo diferente. Por exemplo, posso ir me apresentar em qualquer local cheia de problemas pessoais, mas no momento em que chego, que subo no palco, me liberto totalmente de tudo e viajo na arte.

OM - Você gosta de interpretar nomes da música nacional. Quais as favoritas?

ADO - Gosto muito de Marisa Monte, Elis Regina, Adriana Calcanhoto, Maria Betânia... Sou bastante eclética, atrevida (risos).

OM - Você faz parte de vários grupos musicais?

ADO - Não. Participo fixamente de uma banda chamada Tremendões, que canta músicas dos anos sessenta. De Wanderléa, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Vips, The Feveres e muitos cantores da chamada “Jovem Guarda”, que durante muito tempo esteve em evidência em todo o Brasil e que foi o responsável pelo surgimento de Roberto Carlos, até hoje considerado um ‘rei’ da jovem música romântica daquela época.

OM - A banda Tremendões cumpre um cronograma de apresentações em Mossoró e região?

ADO - É uma banda muito solicitada. Em Mossoró e região ela vem conquistando cada vez mais espaços. É formada por mim, pelos cantores Ari, Pereira e o dr. Leonardo Nogueira, por vários músicos: Waldir, no baixo; Tadeu, na bateria; Celso, na guitarra solo; Manuel Georgino, que também é poeta, no teclado; Mira Lira e Alan Jones como back vocais, sendo que o dr. Leonardo também toca guitarra base.

OM - Mas você se apresenta no restaurante Candidu´s com outros nomes da música mossoroense.

ADO - Na verdade é um grupo free-lancer, formado por mim, Alberto César no violão, que é um grande  cantor, com mais de quinze anos “de estrada” e Edvan, que também é uma pessoa maravilhosa e um grande percusionista. Edvan é tão bom, que é sempre chamado para tocar em quase todos os bares de Mossoró.  

OM - Você toca com Alberto César e Edvan apenas no Candidu´s?

ADO - Não. Ando com eles em outros eventos, como casamentos, aniversários, recepções variadas. Eles são muito bons e é prazeroso cantar com eles, que são simples e muito aplicados como profissionais da música. Posso dizer que são verdadeiros músicos. Muito responsáveis.

OM - Quanto custa uma apresentação dos três?

ADO - Bom... Varia. Temos um preço diferenciado para casamentos, aniversários, etc. Esse tipo de evento, mais familiar, que não dispõe de uma estrutura que temos que carregar, cobramos entre trezentos e quinhentos reais por apresentação, mas somos muito abertos as negociações. Para bares o cachê é menor, na base de duzentos reais. Esse preço é sem termos que levar o som. E, se for o caso, fica mais caro.

OM - Você também participa de outros grupos, tipo free-lancer, cantando e tocando em outros bares?

ADO - Canto, também, com outro grande músico mossoroense: o maestro Vivi, que é professor do Conservatório de Música da Uern e um brilhante profissional. Um tecladista de primeira linha. Com ele faço um estilo mais clássico, na base do piano e voz. Mas, fique certo, canto com todo mundo, sem distinção. Como lhe disse antes, sou eclética, atrevida (risos).

OM - Os cantores e compositores de Mossoró e região são unidos?

ADO - Posso lhe garantir que sim. Todo mundo por aqui tem o seu espaço e se ajuda mutuamente. Eu, por exemplo, quando estou compromissada e aparece uma apresentação para ser feita, passo sem problemas para outro colega profissional. Da mesma forma fazem comigo. Convivemos, graças a Deus, num ambiente de muita harmonia e amizade e isso é importante para a nossa classe. Tanto para os cantores, quanto para os músicos.

OM - Você já lançou algum CD?

ADO - Tenho um CD prontinho para ser lançado. Já está editado, faltando somente ser gravado e lançado no mercado, mas me falta capital para tanto. Chama-se “Vida Sempre Viva”. É difícil, mas estou trabalhando para ver se consigo lançá-lo o mais breve possível. Mas não me estresso... Tudo vem ao seu tempo.

OM - A atual regra eleitoral proíbe a contratação de músicos em comícios, realmente?

ADO - Infelizmente, para nós músicos, sim (risos).

OM - Mas, parece que música eletrônica é permitida...

ADO - É permitida. Os partidos não puderem contratar músicos para os comícios foi muito ruim para nós, profissionais, que nesse período tínhamos a oportunidade de trabalhar bastante. Antes os partidos fechavam contratos conosco no começo das campanhas. Você sabe, a música ao vivo, mesmo sendo com o grupo musical pequeno é muito mais bonita do que a eletrônica, que é uma coisa fria, impessoal. A gente ficava nos palanques animando as pessoas enquanto aguardávamos os políticos. Virava festa e todo mundo gostava.

OM - Você é reconhecidamente uma cantora de grande talento. Já pensou em tentar se apresentar em outros centros maiores?

ADO - Eu já pensei em sair de Mossoró, para uma cidade maior, mas hoje em dia não penso mais nisso. Eu sou muito feliz em Mossoró. Meu objetivo por aqui foi atingido. Sou reconhecida e você sabe que é muito difícil crescer profissionalmente numa cidade grande. Meu coração está preso a Mossoró. Tenho, também, a minha mãe e a minha filha, que não posso deixar e não deixo por nada. O que o povo de Mossoró pode fazer por mim, ele faz.

OM - Qual é o seu cronograma de apresentações?

ADO - Nas quintas-feiras, sextas-feiras e sábados, eu canto no Acapulco´s; no Candidu´s (sempre na tarde/noite do sábado), no Shopping Avenida, no Tatake, que é um restaurante japonês e também no Delícia da Praça.

OM - Você demonstra um carinho especial pelo Candidu´s...

ADO - É verdade! Confesso que somente estou atuando no momento por causa da amizade devotada de Cândido (dono do restaurante Candidu´s) e de sua esposa Rosália. Eu estava passando por um perído de grande depressão. Havia parado de cantar e não tinha vontade de fazer nada. Passei alguns anos assim, até que Cândido me mandou um recado: “Diga a ela que venha para o Candidu´s”. Então, tomei coragem, preparei um repertório e fiquei três anos cantando apenas por lá. Depois, me afastei por uns tempos e agora estou definitivamente no restaurante todos os sábados. Eles são pessoas maravilhosas. Grandes amigos.

OM - Algum recado para Mossoró?

ADO - Agradeço aos amigos e fãs pelo prestígio que me dão na cidade e região. Aqui, sou feliz.

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