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As profissões: o jornalista

O economista e empresário João Sayad escreve sobre as profissões na Folha de S.Paulo. Veja o que ele diz sobre nós, pobres jornalistas, que aliás ele conhece muito bem.

“SEMPRE muito excitados, cabelo em desalinho, roupa amassada como se tivessem acabado de assistir à Queda da Bastilha e estivessem atrasados para cobrir o Grito da Independência.

"E aí?" é a primeira pergunta amigável, à espera de resposta dramática: o imperador disse que "fica"; ou Getúlio acabou de dar um tiro no coração. O cotidiano é insuficiente para encher as páginas diárias dos jornais.

“Profissional, o jornalista tem missão sagrada -descobrir a verdade sob a hipótese que o entrevistado e a versão oficial são mentirosos. Usam duas estratégias diferentes. O repórter jovem e indignado faz perguntas ofensivas na coletiva:

"É verdade que o senhor roubou?" Se o entrevistado reagir ofendido, pergunta e resposta já bastam como notícia.

“O jornalista experiente senta-se humilde e embevecido à frente do entrevistado: "Ministro, como é que o senhor virou ministro tão jovem?". O ministro encontrou finalmente um ouvinte interessado, respeitoso e compreensivo. Abre o coração, fala de sucessos, fracassos e mágoas. Vira uma matéria espetacular cheia de furos e de intrigas que se tornam fatos políticos. Como todo profissional, o jornalista perde um pouco da sua humanidade.

“Como os economistas, estão sempre indignados com o governo.

“E o uso do dinheiro público, neste imenso país pobre, sempre é notícia: as despesas com sabonetes do palácio, o preço do vinho servido no banquete. A partir de Ralph Nader, empresas e consumidores também viraram notícia. Mas jornalismo é atividade pública desde a Revolução Francesa e das maldades inventadas sobre Maria Antonieta.

“O jornalista é vítima de um sistema. Antes de sair, é pautado pelas notícias dos outros jornais, às vezes tão importantes quanto o que acontece de fato na rua. O quarto poder tem autonomia e vive, em parte, como função de si mesmo.

“Não escapa daquilo que comanda todos os sistemas, o dinheiro. A notícia é uma mercadoria que, apesar da monotonia, tem de ser produzida todos os dias, como pão francês. No limite, sempre será possível publicar uma afirmação fora de contexto, fidedigna e falsa ao mesmo tempo, ou um escorregão psicanalítico do personagem.

“Imprensa livre é a parte mais importante da democracia. Seus defeitos podem ser debitados, em parte, à triste realidade que desliza silenciosa e calmamente; nosso pendor para maledicência; e ao profissionalismo obrigado a fazer história onde a história parou. E, mais importante, ao debate eleitoral de poucas idéias e muitas intrigas.

Espaços

Dentro do peefelismo já existe uma corrente que anda com a orelha em pé por conta dos espaços que o ex-senador Geraldo Melo (PSDB) tem conseguido no meios dos ‘bacuraus”. Essa relação próxima do “tamborete” com os ex-aliados seria o motivo da ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PFL) não conseguir decolar.

FORTE

O candidato ao governo do Estado pelo PSL, Geraldo Forte, esteve ontem na redação da TV Mossoró visitando este colunista. Veio acompanhado do candidato ao Senado Federal, Antônio Lopes (Carrapicho) e de assessores.

PROPOSTAS

Entre outras coisas, Geraldo falou de suas propostas ao governo do Estado. Uma delas é a de descentralizar a administração estadual, criando uma espécie de subadministrações contando com sedes em Natal e Mossoró.

Francisco

O deputado estadual Francisco José (PMN), que anunciou o seu apoio ao senador Garibaldi Filho (PMDB) no último final de semana, já começa a colher os revezes por conta do seu posicionamento. Os advogados da coligação Vitória do Povo pediram a impugnação da sua candidatura.

DOBRADINHA

Mesmo com a adesão a Garibaldi, Francisco anuncia que vai fazer dobradinha com o candidato a deputado federal Fábio Faria (PMN), filho do deputado estadual e presidente da Assembléia Legislativa, Robinson Faria (PMN).

‘DESCOLADA’

Segundo o jornalista Ivo Freire, editor de Política do O Jornal de Hoje, da capital, a candidatura da ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PFL) sofre da  síndrome da descolada, ou seja, ela não consegue agregar o seu nome ao senador José Agripino (PFL), muito menos ao senador  e candidato ao governo, Garibaldi Filho.

CARREATA

Muito movimentada a carreata de lançamento das candidaturas de Larissa Rosado e Sandra Rosado, sábado passado, em Mossoró. A governadora Wilma de Faria (PSB) gostou da mobilização, que teve participação popular expressiva.

BASE

Pelo menos por enquanto o vereador Francisco José Jr. não fará parte da base de apoio da prefeita Fafá Rosado (PFL). Pelo menos foi o que ouvi do próprio vereador, ontem. “Ninguém da prefeitura conversou comigo neste sentido”, ressaltou.

BASTIDORES

Nossas desculpas aos leitores por não ter feito a coluna do domingo. Compromissos de última hora impediram-me que escrevesse essas maltraçadas. A CBF anunciou ontem que o ex-jogador Dunga é o novo técnico da seleção brasileira. A meu ver uma decisão acertada, na medida em que Dunga entende de futebol e pode contribuir e muito com o nosso selecionado. Os números da Consult, divulgados pelo jornal O Poti, domingo passado, mostram uma diferença de 7% em favor de Garibaldi, caro leitor, e não 14%. Digo isso porque como só existem dois grandes candidatos, quem perder um ponto dá ao outro também um ponto. Portanto, a leitura que deve se fazer é que a diferença dos votos válidos ainda é pequena em favor de Garibaldi. E tem mais: os 14% das intenções de votos válidos em favor de Garibaldi são menores do que, por exemplo, as intenções da pesquisa Perfil e da pesquisa Certus. Então, é muito cedo para oba-oba.

 

 

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