Mossoró-RN, domingo 23 de julho de 2006

LOUCA VIAGEM INESQUECÍVEL
Joan Mach
Estudante (Natal/RN)

Seria o destino responsável
Ou irresponsável...
Viagem jamais imaginada
Roteiro desconhecido pra andar,
Piloto e navegador a deliciar-se
Com a beleza da natureza
O pôr-do-sol pra espiar.

Brilho do entardecer,
Escuridão pra enfrentar,
Amenidades pra conversar,
Experiência pra trocar.

Toques, retoques, choques...
Sensações únicas.
Desejos, ensejos, loucuras, tentações...

Parada pro queijo, ou beijo,
Continuação do desejo,
Vontades, mas responsabilidades,
Limitações pra contabilizar.

Destino se aproximando,
Corações palpitando, acelerando indescritível.
Momento louco de despedida
De uma bela viagem inesquecível.

ATENÇÃO
Fátima Feitosa
Pedagoga (Mossoró/RN)
bellavid_1@hotmail.com

Mundo gira sem parar
Passa tempo velozmente
Tudo passa tão rápido
Que a gente nem sente.

Falta tempo pra relaxar
Sobra trabalho pra fazer
Passa tudo tão depressa
Estou sem tempo pra você.

Mundo louco, tudo plugado...
Trabalho, ocupações, obrigações
Corre-corre diário
Cadê tempo pra cultivar emoções?

Você reclama atenção
Quero ser atenciosa
Mas o tempo exige de mim
Que eu seja pontual e caprichosa.

Se pudesse voaria
Te daria toda atenção merecida
Mas não posso mudar nada
Tudo já está feito, é a vida.

Só me resta pensar
Canalizar energia
Pra que chegue até você
E possa alegrar o seu dia.

ERUPÇÃO
Caio César Muniz
Poeta (Mossoró/RN)

Quando um fogo
Na pele
Arde em chamas
E um rio
De amor
Inunda a carne
Nada mais há
Na vida
Que não valha
Nem palavra
Qualquer
Que não se cale
Quando a boca
Se cala
Em gemidos
E as pernas
Se enroscam
De prazer
É sinal que é hora
De queimar-se
E em lava de amor
Deixar morrer

OS POEMAS
Mário Quintana

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Houve um tempo em que Mário Quintana ficou sem ter onde morar. Foi quando oexpulsaram do hotel Magestic, no centro de Porto Alegre. Foi despejado, uma vez que o jornal onde trabalhava (Correio do Povo) tinha ido à falência. O poeta saiu e o hotel se transformou, ironicamente, na famosa "Casa de Cultura Mário Quintana". Lau Siqueira

CRUSOÉ
Sílvio Atanes
Escriba digital, repórter de papel e poeta bissexto (Santos/SP)

Destroços
traçam
tua rota
de colisão
dez traços
troçam
das traças
nas tuas
tranças
crenças
carrancas
barrancam
camas
de barro
náufrago
desgovernado
pela sofreguidão
degredo da alma
malévola volitante
tantra dos tempos
atroz
atrasado
desastrado
distraídos
transientes
insistentes
azul
esta saudade
da tua luz:
segredo das luas.

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