Mossoró-RN, domingo 23 de julho de 2006

A organização criativa da arte, do movimento

Por Leonardo Sodré
Editor Geral

O reconhecimento de uma dança com excelente coreografia vem de longe. Vem da Bíblia, do antigo testamento que relata o expansivo louvor do rei David a Deus enquanto transportava a Arca da Aliança. Uma dança que ele executou no meio do povo e que chamou a atenção de todos pela plasticidade do gesto de um rei quase desnudo por amor incondicional ao seu Deus. “Davi e toda a casa de Israel alegravam-se perante o Senhor, com toda sorte de instrumentos de pau de faia, com harpas, com saltérios, com tamborins, com pandeiros e com címbalos”. (II Samuel 6:5:)

O dicionário Aurélio esclarece: “(De coreo- + -grafia). Substantivo feminino. 1. A arte de conceber e compor a seqüência de movimentos, passos e gestos de um bailado, e de fazer a respectiva notação: A primeira coreografia da ‘Sagração da Primavera’, de Stravinski, foi feita por Serge Diaghilev. 2. A arte da dança ou do bailado (2)”.

A coreografia está presente nos mais diversificados tipos de arte. Na fotografia, no teatro, no movimento plástico de uma pintura. Usamos a coreografia até nos movimentos habituais em busca de um ‘charme’, um toque. Já viu uma mulher se olhando num espelho? Claro que sim. Já observou seus movimentos coreográficos enquanto coloca suas tintas, batom?

Voltando à dança, sede mais visível do trabalho coreografado, é mister ressaltar que primitivamente o homem dançava para agradar os deuses e ela servia, também, para sagrados rituais e depois, com um mundo mais civilizado ela virou uma espécie de folclore, destacando as características de cada região, em todo o planeta.

A dança começa a assumir a modernidade das técnicas de coreografia no final dos anos sessenta, expandindo-se por todo mundo. A expressão do artista em palco passou a ter uma linguagem especial, assumindo muitas formas e muitas técnicas que foram se desenvolvendo, aprofundando a arte, a plasticidade partindo do pressuposto de que a dança é uma forma de expressão corporal criada na formação de um fato ou idéia, uma sensação ou sentimento, que é transmitido pelo dançarino através do movimento. “É a forma do dançarino falar com seu corpo. Assim, dançar é transmitir um estado de espírito, uma maneira de se ver e de ser transmitido, de sentir plenamente seu corpo e o utilizar para conhecer outros sentimentos”. (Miriam Mariani).

A professora Adriana Castro, do Estúdio de Dança Clézia Barreto, de Mossoró, recebeu a reportagem do O Mossoroense no momento em que ministrava aula de dança do ventre. Ela ressalta vários movimentos, inclusive alguns em que as alunas ficam absolutamente paradas. Um estilo coreográfico que leva a movimentos precisos, artísticos, de extrema beleza e arte, porque o professor deve exatamente provocar movimentos e situações que permitam aos alunos desenvolver habilidades plásticas de forma espontânea. “O papel do professor ao ensinar a dança, não é direcionar o aluno dizendo o que ele vai coreografar, mas ele pode ajudar o estudante através de instruções sobre seu instrumento artístico, seu corpo, e seu meio artístico - ele pode mostrar aos alunos como controlar o movimento do seu corpo a fim de que ele responda eficientemente as suas necessidades expressivas. Como? Dando a ele os princípios da forma artística que vão auxiliá-los na composição e no julgamento de seus esforços artísticos, expondo os mesmos a uma grande variedade de estímulos e efeitos criativos, ampliando assim sua experiência e visão para as potencialidades expressivas de seu meio artístico”. (MM).

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