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A
organização criativa da arte, do movimento
Por Leonardo Sodré Editor
Geral
O reconhecimento de
uma dança com excelente coreografia vem de longe. Vem
da Bíblia, do antigo testamento que relata o expansivo
louvor do rei David a Deus enquanto transportava a Arca
da Aliança. Uma dança que ele executou no meio do povo
e que chamou a atenção de todos pela plasticidade do
gesto de um rei quase desnudo por amor incondicional
ao seu Deus. “Davi e toda a casa de Israel alegravam-se
perante o Senhor, com toda sorte de instrumentos de
pau de faia, com harpas, com saltérios, com tamborins,
com pandeiros e com címbalos”. (II Samuel 6:5:)
O dicionário Aurélio
esclarece: “(De coreo- + -grafia). Substantivo feminino.
1. A arte de conceber e compor a seqüência de movimentos,
passos e gestos de um bailado, e de fazer a respectiva
notação: A primeira coreografia da ‘Sagração da Primavera’,
de Stravinski, foi feita por Serge Diaghilev. 2. A arte
da dança ou do bailado (2)”.
A coreografia está
presente nos mais diversificados tipos de arte. Na fotografia,
no teatro, no movimento plástico de uma pintura. Usamos
a coreografia até nos movimentos habituais em busca
de um ‘charme’, um toque. Já viu uma mulher se olhando
num espelho? Claro que sim. Já observou seus movimentos
coreográficos enquanto coloca suas tintas, batom?
Voltando à dança, sede
mais visível do trabalho coreografado, é mister ressaltar
que primitivamente o homem dançava para agradar os deuses
e ela servia, também, para sagrados rituais e depois,
com um mundo mais civilizado ela virou uma espécie de
folclore, destacando as características de cada região,
em todo o planeta.
A dança começa a assumir
a modernidade das técnicas de coreografia no final dos
anos sessenta, expandindo-se por todo mundo. A expressão
do artista em palco passou a ter uma linguagem especial,
assumindo muitas formas e muitas técnicas que foram
se desenvolvendo, aprofundando a arte, a plasticidade
partindo do pressuposto de que a dança é uma forma de
expressão corporal criada na formação de um fato ou
idéia, uma sensação ou sentimento, que é transmitido
pelo dançarino através do movimento. “É a forma do dançarino
falar com seu corpo. Assim, dançar é transmitir um estado
de espírito, uma maneira de se ver e de ser transmitido,
de sentir plenamente seu corpo e o utilizar para conhecer
outros sentimentos”. (Miriam Mariani).
A professora Adriana
Castro, do Estúdio de Dança Clézia Barreto, de Mossoró,
recebeu a reportagem do O Mossoroense no momento em
que ministrava aula de dança do ventre. Ela ressalta
vários movimentos, inclusive alguns em que as alunas
ficam absolutamente paradas. Um estilo coreográfico
que leva a movimentos precisos, artísticos, de extrema
beleza e arte, porque o professor deve exatamente provocar
movimentos e situações que permitam aos alunos desenvolver
habilidades plásticas de forma espontânea. “O papel
do professor ao ensinar a dança, não é direcionar o
aluno dizendo o que ele vai coreografar, mas ele pode
ajudar o estudante através de instruções sobre seu instrumento
artístico, seu corpo, e seu meio artístico - ele pode
mostrar aos alunos como controlar o movimento do seu
corpo a fim de que ele responda eficientemente as suas
necessidades expressivas. Como? Dando a ele os princípios
da forma artística que vão auxiliá-los na composição
e no julgamento de seus esforços artísticos, expondo
os mesmos a uma grande variedade de estímulos e efeitos
criativos, ampliando assim sua experiência e visão para
as potencialidades expressivas de seu meio artístico”.
(MM).
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