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ATUALIZAÇÃO AOS SÁBADOS

 

A TECEIRA FASE DO CINEMA NACIONAL

Hoje estamos enveredando, em linhas gerais, na terceira fase que constitui a história do cinema brasileiro.

A sinuosa trajetória desenvolvida pelo meio cinematográfico na década de 20 pouco a pouco foi proporcionando circunstâncias e condições para o aparecimento de obras mais maduras.

Se as questões que agitaram o cenário social da República Velha, como o debate regionalismo x cosmopolitismo, ou a discussão sobre as razões do atraso econômico e social da Nação, não entusiasmaram diretamente os cineastas, porém, não significava que os filmes passaram ao largo de qualquer evolução.

A consciência da realização cinematográfica como arte foi se afirmando de produção para produção, estabelecendo ao final dos anos 20 um patamar de altíssimo nível.

Esse processo teve como pedra de toque o problema do roteiro. Na descrição prévia do que se deveria filmar estariam envolvidas questões de ordem dramatúrgica, rítmica e conceitual.

Além disso, armar o filme previamente, indicando os efeitos técnicos e estéticos desejados, representaria tanto a modernização da linguagem como um instrumento de planejamento da produção, evitando-se o improviso estéril e a sucessão de falhas nas estórias.

Esta era a intenção de José Medina quando prôpos em 1919 ao fotografo Gilberto Rossi a realização de uma película dentro do princípio da continuidade.

Recém chegado dos Estados Unidos, Medina queria demonstrar a possibilidade de narrar um argumento obedecendo a uma rígida codificação de posicionamentos da câmara, entradas e saídas de cena dos atores e disposição dos elementos cenográficos.

Isto sustentaria artisticamente a coesão do que se contava através dos diversos planos do filme, influenciando favoravelmente a percepção do espectador.

A experiência empreendida em Exemplo Regenerador, fábula moralista feliz na sua economia de meios e na exposição dos diversos pontos de vista envolvidos.

Medina conseguiu transmitir as suposições e os desencontros das personagens criando uma geografia visual bastante eficiente, que ía situando o espectador quanto aos possíveis desdobramentos da situação-chave.

Com isso convenceu não só o público como a seu colega de realização, estabelecendo com Rossi uma parceria das mais importantes. Juntos fizeram uma meia dúzia de filmes, dos quais se destacaram Do Rio a São Paulo Para Casar, Gigi e Fragmentos da Vida, de 1922, 1925 e 1929, respectivamente.

O primeiro, que mereceu crítica entre elogiosa e restritiva do escritor Mário de Andrade, se inscrevia nas intenções de Medina de adaptar fórmulas americanas, no caso, a comédia burlesca tal como praticada por Mack Sennett, Buster Keaton e outros.

Já em Gigi, que considerava seu melhor trabalho, procurava tomar os artifícios utilizados menos evidentes, deixando aparentemente sobressair a estória.

Buscava, na verdade, realçar os momentos de intensidade dramática através de uma hábil manipulação dos enquadramentos, cortes e continuidade.

Nestes dois filmes, Medina conta com um roteirista bastante talentoso chamado Canuto Mendes de Almeida, que desenvolverá em seguida um projeto mais pessoal, Fogo de Palha, de 1926.

Embora Cinearte viesse a premiar Thesouro Perdido, de Mauro, com o melhor filme brasileiro do momento, admitiu mais tarde que a obra de Canuto superava folgadamente a concorrente.

Outra produção paulista forneceu importante contribuição para a questão do roteiro. Trata-se do pequeno filme Quando Elas Querem, escrito e financiado pelo industrial Adalberto de Almada Fagundes como uma demonstração da teoria da visualização e que exerceu enorme influência sobre as concepções de Adhemar Gonzaga.

Em nosso próximo encontro, continuaremos destacando a terceira fase do cinema. Esperamos por você leitor. Até lá.