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Virada sedutora
Tuca Andrada
Tuca Andrada sente amor e ódio por seus personagens. Em “Sabor da Paixão”, o ator pernambucano afirma que não é diferente. Tuca confessa que já se sentiu desmotivado na pele do interesseiro José Carlos, mas agora voltou a “fazer as pazes” com o cúmplice das armações de Zenilda, personagem vivida por Arlete Salles. Isto porque o mulherengo José Carlos vai começar a se rebelar contra a patroa e amante na trama de Ana Maria Moretzsohn. Ou seja, chegou o momento do personagem crescer na novela das seis da Globo. “Agora estou na fase do gostar, pois o José Carlos passou por uma barriga e não acontecia nada na novela com ele. Mas sempre fui assim, me apaixono e brigo com meus personagens”, ressalta Tuca Andrada.
Com 11 novelas no currículo, o ator também afirma que já tem uma maneira de perceber quando seu personagem está com popularidade ou não. Tuca só tem certeza que está fazendo bem determinado papel quando as faxineiras, seguranças e técnicos que trabalham nos estúdios da Globo vêm elogiar sua interpretação. O ator garante que só agora está acontecendo isto com ele em “Sabor da Paixão”. “É diferente das pessoas nas ruas, que basta o ator colocar a cara na tevê para ser reconhecido. O pessoal da técnica acompanha as cenas todos os dias e só se pronuncia quando o ator chama a atenção mesmo”, pondera Tuca.
O ator de 39 anos também gosta do fato de José Carlos também não ter nada a ver com seu universo pessoal. Para Tuca, quanto mais distante de sua personalidade for o personagem, mais facilidade vai ter para interpretá-lo. No caso de José Carlos, o ator diz que até tentou, mas não encontrou nenhum elo de ligação com o papel. O personagem mantém há 15 anos uma relação com Zenilda e virou administrador da Quinta da Paixão em Portugal graças aos intercursos amorosos com a patroa. Mesmo assim, Tuca sai em defesa de José Carlos. “Se ele fosse apenas um golpista já tinha dado o fora daquela relação, mesmo porque a Zenilda é difícil de aturar”, argumenta.
Tuca também não dá tanta importância aos laboratórios de composição, costume de vários atores antes das estréias das novelas. Para ele, importante mesmo é entender o papel e não viver a experiência profissional ou pessoal ligada ao personagem. Tanto que Tuca recorda que nas primeiras semanas de “Sabor da Paixão” não conseguia responder exatamente como era o aventureiro José Carlos, que começou em Portugal como catador de uvas na quinta de Zenilda e com o tempo chegou ao cargo de administrador do local. “Pode-se fazer muito bem um marceneiro sem bater um prego na madeira. O personagem é um quebra-cabeça que vai se encaixando em oito meses de novela e que flui naturalmente”, afirma o ator.
Tuca faz questão, no entanto, de sempre tentar diversificar o estilo de seus personagens televisivos. O primeiro papel de destaque do ator na tevê foi o vilão Ladislau, de “O Dono do Mundo”, novela de Gilberto Braga exibida em 1991 na Globo. Tuca lembra que, depois de aparecer na trama global, recebeu vários convites para interpretar outros vilões, mas preferiu dizer não. “Tive sorte também, pois chega uma hora que, se o ator não consegue trabalho, acaba aceitando qualquer papel, mesmo que vá estigmatizá-lo”, justifica Tuca, que antes de “Sabor da Paixão”, viveu o engraçado Nicolau em “As Filhas da Mãe”. “Prefiro fazer bons personagens, não interessa se é mocinho ou vilão”, garante.
Como sempre está envolvido com peças de teatro - são mais de 30 no currículo - e com produções cinematográficas - só em 2002 participou dos longas “Lara” e “As Três Marias” -, o ator prefere também ser contratado por obra pela Globo. Apesar de ressaltar que existe o perigo de ficar durante meses sem ser chamado para uma produção televisiva. “Mas gosto da liberdade de escolher meus papéis na tevê. Sei que desta maneira não vou fazer nada obrigado e o trabalho vai ser bem mais prazeroso”, explica Tuca.
Legado familiar
José Ivaldo Gomes de Andrade Filho virou Tuca Andrada por influência de um apelido. É que a babá do então futuro ator só o chamava de Pituca quando era um bebê. Com o tempo, todos os familiares começaram a chamá-lo de Tuca e muitos amigos sequer sabiam seu nome de batismo. Quando começou a fazer teatro amador em Recife, sua cidade natal, no início da década de 80, o ator sentiu necessidade de criar um nome artístico. “Percebi que o som de Andrada ficava melhor que Tuca Andrade e resolvi adotá-lo. Hoje acho que só a minha mãe ainda me chama de Ivaldo”, diverte-se.
Tuca mudou-se para o Rio de Janeiro tentar a vida artística em 1986. Só que demorou quatro anos para ele estrear na tevê, numa ponta na novela global “Mico Preto”, de 1990. Até ali, trabalhou como vendedor de loja e investiu em aulas de canto, dança, ginástica olímpica e teoria teatral. Ele ainda fez dois anos de faculdade de Teatro na UniRio, no Rio de janeiro. Uma das primeiras coisas que o ator sentiu era que deveria amenizar ao máximo seu sotaque nordestino para ter mais chances de ganhar papéis televisivos. Tanto estava certo que o primeiro papel na televisão, que acabou ganhando destaque, foi o vilão Ladislau, em “O Dono do Mundo”. O personagem era um carioca nascido em Cascadura, subúrbio do Rio de Janeiro. “Mas tenho de me controlar. Quando piso em Recife, por exemplo, meu sotaque volta na hora”, entrega.
Instantâneas
# Tuca Andrada tem 1,80 m e 79 kg e nasceu em 11 de dezembro de 1964 em Recife, em Pernambuco.
# Os dois trabalhos de Tuca Andrada fora da Globo foram “As Pupilas do Senhor Reitor”, exibida em 1995 no SBT, e a série “Sãos e Salvos”, exibida pela TV Cultura em 2000.
# Tuca Andrada trabalhou por um tempo como apresentador do canal Telecine e Multishow, ambos da Globosat.
# Na infância, Tuca Andrada passava as tardes inteiras tentando pegar onda nas praias de Recife com um pequeno pedaço de tábua. “Mas minha mãe proibiu por causa dos tubarões”, lamenta.
# Tuca Andrada trabalhou também nos filmes “Quem Matou Pixote?”, em 1996, e “Guerra de Canudos”, em 1997.
# Em 1994, Tuca Andrada chegou a participar como bailarino do espetáculo “Vulcão”, da coreógrafa Deborah Colker.
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Mossoró-RN, domingo, 25 de janeiro de 2003