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 CHARLES
M. PHELAN ATUALIZAÇÕES
AOS DOMINGOS
O
plástico que vale ouro
O que seria
da América sem ele? Na maior parte do mundo
é acessório básico de bolsas e carteiras.
O nome da peste é: cartão de crédito. Os
americanos são culpados por este vírus que
corrói o intestino do nosso orçamento.
Nos Estados Unidos há vícios de todos os
tipos, mas nada tem poder tão fascinante
quanto o cheiro do plástico de um bom cartão
recém chegado pelo correio. Pronto para
ser usado. A adrenalina brota pelos poros.
No pensamento uma palavra ecoa: GASTAR,
GASTAR, GASTAR. A alma sorri. É bom para
dor de cabeça e depressão. Melhora a auto-estima
e o humor. Promove a criatividade. Os restaurantes,
então, nos chamam pelo nome. Adquirimos
um certo charme. Que elegância hein? Sacar
da carteira e, sem hesitação, pagar uma
rodada de drinks para os amigos. Em suas
devidas proporções o cartão obedece até
o princípio da igualdade. Todos podem usufruir
dele. Ricos ou pobres. É como um remédio
que veio para aliviar sua dor "social".
Estes são os efeitos iniciais produzidos
por esta maravilha que foi aperfeiçoada
na América. Entretanto, antes do cartão
veio o crédito. E com o crédito, o vício.
Tudo surgiu
na Assíria, Babilônia e Egito há três mil
anos. Já em meados do século 14, as vendas
exigiam que o comprador pagasse 1/3 da compra
em espécie e os 2/3 restantes em, o que
chamavam, papel de crédito. Com o pagamento
em parcelas o comerciante podia movimentar
seu estoque.
A primeira
propaganda divulgando a noção de crédito
foi em 1730. O Sr. Christopher Thornton,
proprietário de uma loja de móveis, ofertava
seus produtos com a possibilidade de pagamentos
semanais. Jovens eram contratados para gritar
nas calçadas e atrair os clientes.
O slogan
"compre agora e pague depois,"
surgiu no início do século 20.
Em 1950,
o Diners Club e American Express conceberam
a idéia do dinheiro de plástico ou
cartão de crédito, como conhecemos hoje.
No ano seguinte, o Diners Club ofereceu
os primeiros 200 cartões a um grupo
de clientes especiais para serem usados
em 27 restaurantes de Nova York. Finalmente
em 1970, com o advento do leitor magnético
no verso dos cartões e os avanços na informática,
o mundo tomou conhecimento das enormes possibilidades
de compra que o "plástico" propiciaria.
O americano
não consegue viver sem seu cartão. A América
é movida a crédito. Há lojas especiais que
oferecem cartões de crédito até para quem
está no SPC (credit bureau). Para lhe dar
uma breve idéia do que falo aqui vai um
bom exemplo da importância do cartão de
crédito: você jamais alugaria um carro sem
cartão, jamais faria reserva de hotel, e
por fim é o cartão de crédito que estabelecerá
seu poder de adquirir crédito em outros
lugares.
Já tive
muitas alegrias com os meus cartões. Suponho,
entretanto, que os bancos a quem eles pertencem
tiveram bem mais alegria que eu, com os
juros que já paguei ao longo dos anos. Quando
morava em Nova York cheguei a ter 8 cartões.
Cada um com limite de US$1,500. Imagine
o estrago que poderia ser feito. Hoje me
detenho à realidade brasileira com apenas
um. Evidentemente seria insano ter mais
que isso num país onde a média é de 10.9%
de juros ao mês, duas vezes mais que a média
anual cobrada nos Estados Unidos.
Pra mim
o velho "plástico" deveria ser
encarado como uma boa medicação. Uso moderado.
Também seria bom se viesse acompanhado de
uma bula alertando os hipocondríacos das
contra-indicações em caso de uso excessivo.
Como todo bom remédio que produz efeitos
iniciais maravilhosos, os efeitos finais
são trágicos para aqueles que procuram a
overdose. Divirta-se, mas com prudência.
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