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Quadrilha seqüestra comerciante 

Eduardo Thomé,
Da redação

Antônio Batista, “Buba”, foi levado de sua casa na rua Vicente FerreiraAs polícias civil e militar de Mossoró e região estão em alerta desde as primeiras horas da tarde de ontem, na tentativa de localizar quatro homens que invadiram a casa do comerciante Antônio Batista, o “Buba”, 50 anos, localizada à rua Vicente Ferreira, 35, bairro Belo Horizonte, e o seqüestraram, depois de promoverem um brutal espancamento. A vítima foi algemada e colocada no interior de um carro Brava, de cor prata e plava MOM-6226-Catolé do Rocha-PB.

Segundo informações passadas a O Mossoroense por uma das irmãs da vítima, a dona de casa Maria do Socorro, os desconhecidos chegaram à casa do comerciante, que também atua no ramo de emprestar dinheiro a juros, e pediram que a mulher dele, a professora Maria Moura Soares Batista, abrisse a porta, mas ela se recusou. Eles ainda tentaram arrombar, mas não conseguiram.

Minutos depois, por volta das 12h20, “Buba” chegou em seu carro, um Ford Ranger cabine dupla e acionou o portão eletrônico para entrar. Ao colocar o veículo na garagem e travar as portas, três dos quatro homens invadiram a área e partiram para cima da vítima na tentativa de imobilizá-lo. O menor D..S. B., um dos filhos, conta que seu pai reagiu o quanto pode nas mãos dos seqüestradores, dois deles usando coletes da Polícia Civil e armados com pistolas e revólveres. Somente depois de ter sido alvejado com um golpe na cabeça e passar a sangrar bastante, é que o comerciante foi enfim dominado, algemado, levado para a parte de fora do imóvel e colocado no carro. Uma testemunha que estava à distância disse que mesmo dentro do Fiat Brava, “Buba” seguiu apanhando bastante.

Enquanto Antônio Batista e três dos homens mediam força na garagem da casa, que ficou com o piso manchado de sangue, além da lateral do veículo, sua mulher, em um dos quartos da residência tentava acionar a polícia que chegou minutos depois, mas já deixando uma margem de tempo suficiente para a quadrilha desaparecer da região.    

Há um ano e quatro meses,vítima sofreu
uma tentativa de assalto

No dia 8 de janeiro do ano passado, o comerciante Antônio Batista, conhecido como “Buba”, que foi seqüestrado ontem à tarde, foi retirado à força de sua casa e levado por quatro homens que até o fechamento desta edição a polícia não sabia de seu paradeiro, foi vítima de uma tentativa de assalto. Ele flagrou dois elementos no interior de sua casa, com o casal de filhos e a mulher, Maria Moura Soares Batista, feitos reféns, mesmo assim não temeu a ação dos desconhecidos. Entrou em luta corporal com os inimigos colocando um para correr e ferindo gravemente um segundo, identificado como João da Cruz Filho”.

Os dois homens, armados, chegaram à casa de “Buba”, que tinha se ausentado para comprar o almoço da família, e, se identificando como funcionários da Fundação Nacional de Saúde (FNS), tiveram o consentimento de entrar. No interior da residência renderam a mulher, Maria Moreira do Vale Batista, e os dois filhos. Enquanto um dos desconhecidos torturava a mãe, outro acariciava os seios da menor D.S.B., 14 anos e foi flagrado pelo pai dela que chegava naquele momento.

Conduzido às pressas para o Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), gravemente ferido e com parte da massa encefálica fora do crânio, João da Cruz permaneceu em estado de coma por mais de três meses e morreu. Uma das suspeitas por parte da polícia é de que ele tenha sido vingado.

Uma vizinha de Antônio Batista, que não quis se identificar, disse a O Mossoroense ter ouvido algumas frases ditas pelos desconhecidos tais como: “Você num é homem? Cadê o seu revolver?”; “Foi Junior que mandou a gente fazer isso!”. Depois de dominarem o inimigo, foram embora sem efetuar um disparo sequer. Não levaram o carro da vítima, nem tocaram em nada nas dependências da casa, apenas uma bolsa pertencente a bolsa com documentos e promissórias.

Delegado considera ser cedo para se pronunciar sobre o caso

O bacharel Luiz Fernando Sávio, titular da 1ª Delegacia de Polícia (1ª DP), é quem está investigando o caso, contando com a colaboração de agentes da Divisão de Polícia do Oeste (Divipoe), Segunda Delegacia Regional de Polícia Civil (2ª DRPC) e Delegacia de Furtos e Roubos (DFR). No final da tarde, depois de conversar com a mulher de Antônio Batista, o “Buba”, num contato com a imprensa, ele disse ainda ser cedo para dizer se o ocorrido tratava-se de um seqüestro ou crime de vingança.

A mulher de “Buba” confessou à polícia que há duas semanas ele recebeu uma correspondência e depois de ler, retornou com uma ligação telefônica onde travou uma acirrada discussão com uma pessoa, o que deixava notar tratar-se de uma cobrança. Disse a mulher que o marido é detentor hoje de R$ 400 mil guardados em sua casa e mais uma quantia avaliada em 50% do valor nominado emprestado a terceiros.

SEMELHANÇA -  Com relação ao caso envolvendo João da Cruz, no dia em que este foi flagrado, o seu comparsa, que fugiu, foi identificado como sendo um homem baixo, pescoço, curto, forte e usando barba. Ontem, um pessoa com estas características foi vista por um morador que estava na calçada de uma residência na rua Vicente Ferreira.

ENTRAVE -  Por sua vez, o delegado Luiz Fernando Sávio deverá enfrentar alguns problemas no sentido de resolver o caso num curto espaço de tempo devido  a dificuldade  em colher informações. É sabido que muita gente estava nas calçadas na hora do ocorrido.

 

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Mossoró-RN, quarta-feira, 26 de março de 2003