Professores e comunidade reabrem escola no Santa Delmira

Sérgio Oliveira
Da Redação

Pais de aluno, professores e moradores do bairro formam comissãoNo discurso de palanque a educação sempre aparece como proposta principal de governo, porém existem casos em que tudo não passa de mera colocação eleitoreira. Um exemplo vivo desta afirmação é o atual governo do Rio Grande do Norte, onde assistimos o tempo passar, o ano letivo vencer o seu primeiro bimestre e estudante sem assistir aula por falta de professor.

A governadora Wilma de Faria parece não ouvir o clamor da classe estudantil nos quatro cantos do Estado e, ao invés de colocar o professor na sala de aula, determina o fechamento delas. Isso aconteceu em Mossoró quando alguns turnos foram encerrados sem uma consulta prévia à comunidade escolar e à própria população beneficiada. Este quadro é um retrato fiel do tipo de atenção que o novo governo potiguar dispensará a algo tão precioso para todos nós: a educação, que gera dignidade e esperança de uma vida melhor.

A união fez a força e crianças voltam
à sala de aula

Uma das escolas prejudicadas pela ação da Secretaria Estadual de Educação foi a Escola Estadual Santa Delmira, localizada no conjunto que recebe o mesmo nome. Mas foi justamente neste estabelecimento que nasceu um grande exemplo de solidariedade e dedicação à missão de educar, principalmente quando o alvo desse objetivo são as crianças.

Professores sensibilizados com a situação criada pelo fechamento do turno vespertino não baixaram a cabeça e muito menos cruzaram os braços. “Mesmo triste, chorando, eu encontrei forças para chamar minhas colegas e fomos nas casas e ruas trazer nosso aluno de volta”, comentou a professora Jaída Maria.

Ela encontrou apoio nas colegas Maria de Fátima Rebouças, Miriam Freire Costa, Zilma Maia, Dalva Maria de Medeiros, Vânia Cavalcante e mais o morador do bairro Darlan Gomes. “Eu consegui um carro de som e fui às ruas das comunidades carentes de nossa área e convoquei os pais para mandarem seus filhos de volta à escola”, diz orgulhoso Darlan. O sucesso foi tanto que a meta de 20 alunos já foi superada. Hoje as próprias crianças vão atrás dos seus colegas para retornarem à escola.

Grupo define projeto para manter
alunos estudando

Os alunos da 5ª a 8ª série são crianças residentes no Parque das Rosas, Favela do Fio e Sem Terra, todas de comunidades carentes, por isso exige uma atenção especial. Este grupo de educadores e voluntários também pensou nesta situação e agora busca alternativas para manter todos em sala de aula com motivação.

Em fase de conclusão, o grupo monta um projeto que buscará parcerias com empresas interessadas em solidariedade. Existe também contato com pessoas ligadas ao teatro que já se dispuseram a levar a arte de representar para estes estudantes. “Nós não fizemos isso por nós, e sim pelos alunos desse turno que estavam vagando pelas ruas sem nenhuma ocupação”, comentou emocionada a professor Jaída. O grupo, inclusive, comentou os momentos de emoção ao ver de perto a situação, quase de miséria, em que vivem as famílias visitadas. Justamente por isso elas não podem perder a esperança que só a educação pode lhes dar.

 

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Mossoró-RN, sábado, 26 de abril de 2003