Editorias

Política
Esporte
Economia

Polícia

   Cadernos

Cotidiano
Regional
Universo
Mais TV

   Colunas

Laíre Rosado

Emery Costa

Cid Augusto
Márcio Costa
Emerson Linhares
Neto Queiroz
Antônio Rosado
Sérgio Oliveira
Sérgio Chaves
Gomes Filho

  Temáticas

Mundo Digital
Economia
Nossa História
Direito em Pauta
Viver Bem
Cinema em Foco

   Cidades

Apodi
Assu
Caraúbas
Macau
Pau dos Ferros
Região Salineira

  Seções

Editorial
Charge
O Jornal
Assinatura
Expediente
Painel do Leitor
Edições Anteriores
 
 
 
 
 
 
 





 

Patrick Dimon

Patrick DimionNatural da Ilha de Samos, Grécia, mesmo lugar onde nasceu o filósofo Pitágoras, Patrick Dimon fez sucesso no Brasil durante a década de setenta com a música "Pigeon Without a Dove", trilha da novela Pai Herói. Em entrevista exclusiva ao jornal O Mossoroense, ele falou de sua carreira e de como é passar até seis meses cantando dentro de navios. Em Mossoró, ele fez questão de enfatizar a técnica de alguns músicos e falar de cultura musical, que falta em grande parte da população. Ainda hoje, antes de seguir viagem, Patrick faz uma participação especial no programa Love Time, que começa a ser transmitido a partir das 20h pela FM Resistência, com apresentação do comunicador Ciro Robson.

JORNAL O MOSSOROENSE – Como começou sua carreira?

PATRICK DIMON – Comecei aos oito anos de idade, na Grécia. Cantava música bizantina. Depois, tive que acompanhar minha família, meu pai era vice-cônsul e por isso tive a oportunidade de conhecer vários países.

OM – Como e quando você chegou ao Brasil?

PD – Morávamos na Argentina e às vezes tínhamos que passar longos períodos no Brasil, até que meu pai resolveu se mudar para São Paulo.

OM – Como foi a transição da música sacra para a romântica?

PD – Comecei a cantar na noite européia, em bordéis onde tive um envolvimento com um mundo bem diferente desse que faço parte atualmente. Mas, graças a Deus, consegui sair. Acho que não estamos por acaso neste mundo e minha missão é ajudar, com minha música, ao próximo.

OM – Você fez muito sucesso com a música "Pigeon Without a Dove", da novela Pai Herói, e hoje por onde anda Patrick Dimon?

PD – Fiz recentemente um cruzeiro pelas Ilhas Gregas. Por ser considerado um show-man, sou freqüentemente convidado a participar desse tipo de evento. Minha função é entreter em shows, que na maioria das vezes são restritos.

OM – Qual é a receptividade do público local?

PD – Essa não é primeira vez que venho a Mossoró. Existe um público assíduo, pessoas da sociedade local, que reconheço quando as vejo.

OM – Como é cantar para um cantor que já fez sucessos populares cantar apenas para um determinado público?

PD – Não sei porque não recebo convites para cantar para o povo, gostaria muito de fazer trabalhos nesse sentido. Apesar de cantar em lugares seletos, não me intitulo como um artista que direciona seus trabalhos apenas para a elite. Fiz um show em praça pública numa cidadezinha do interior de Londrina e foi muito gratificante.

OM – A que você atribui essa falta de convites?

PD – Os empresários desse tipo de eventos acham que o público quer necessariamente ouvir axé, forró, pagode... mas às vezes a "grande massa" precisa de um pouco de amor, cultura. Não se dá chance para o povo ouvir novas coisas.

OM – E como foi esse show em praça pública?

PD – Foi bastante gratificante, pois tive a oportunidade de ver muitas pessoas cantando minhas músicas. Sou um artista versátil e fiz até uma versão grega da música Jesus Cristo, de Roberto Carlos.

OM – E como é estar em Mossoró?

PD – É ter a companhia de músicos como o Vivi, é ser bem recebido por um público excelente, é viver um pouco mais do Nordeste.

OM – A música da novela Pai Herói é o carro-chefe de seu repertório?

Sim. Onde canto essa música as pessoas cantarolam e relembram daquele tempo bom.

OM – Essa música foi bastante premiada, como foi essa experiência de ganhar discos de ouro, platina?...

PD – O resultado pode ser visto ainda hoje. Quando digo que as pessoas ainda cantarolam aquelas músicas, isso é um reflexo de 1979 e dos prêmios que ganhei naquela oportunidade.

OM – Como você avalia a mídia em torno do romantismo, atualmente?

PD – Hoje não existe mais romantismo. Depois da década de setenta, o romantismo acabou, mas ainda sinto que as pessoas precisam e sentem saudade daquele tempo. Ano passado, a Globo lançou uma coletânea, reunindo vários sucessos românticos. Relembrando grandes artistas, muitos até falecidos, outros que mudaram de nome, como o Fábio Jr. e, se não me engano, foi recorde de venda. Acho que cabe à nova geração redescobrir o romantismo.

OM – Mas você há de concordar que a campanha dessa coletânea foi veiculada num horário em que, normalmente, as pessoas de maior poder aquisitivo estão assistindo TV.

PD – Sim, tenho que concordar, mas as demais classes também têm saudade desse tempo, o que falta é, como você mesmo citou, direcionamento.

OM – Você lançou há pouco tempo um CD apenas com canções italianas. Foi uma experiência nova?

PD – Lançar um CD com canções exclusivas em um idioma, sim. Mas optei por um trabalho com músicas conhecidas, com "Sapore di Sale", "Dio Come ti Amo", "Roberta", entre outras. Esse trabalho foi lançado em mais de cem países.

OM – Como é feita a divulgação em torno do seu trabalho?

PD – Não tenho muito tempo para sair por aí divulgando meu trabalho, então faço minha propaganda nos jornais e nas rádios das cidades onde chego. Hoje à noite estarei também no programa do Ciro Robson.

OM – Como foi trocar o palco pelos navios, os grandes cruzeiros?

PD – Foi bem diferente. Em navios, os shows são bastante cansativos. Chego a passar mais de seis meses em cruzeiros pelas Ilhas Gregas. Gosto de ter contato com públicos diversos. Acredito que o artista tem que ir aonde o público está, mas muitas vezes estou dentro de navios. Por outro lado, navegar é o destino de todo grego. Meu país é formado por mais de três mil ilhas.

OM – Há algum projeto para o lançamento de um CD só com músicas inéditas?

PD – É muito caro gravar um CD com músicas inéditas, prefiro dar uma nova roupagem a antigos sucessos.

OM – E quanto à MPB, você não pensa em fazer nada ligado a esse segmento?

PD – Tenho um projeto que pretende unir os ritmos do Brasil. Vocês têm um país muito grande, uma diversidade musical que não existe em lugar algum. No Rio de Janeiro, houve-se funk, samba. Na Bahia, axé. Aqui, forró. Pretendo unir isso tudo à minha música e fazer um trabalho bem diferente, mas apenas com regravações.

OM – Muitos cantores de forró estão regravando músicas italianas, francesas... Há um controle desse tipo de trabalho?

PD – Já ouvi músicas minhas em ritmo de forró e até por duplas sertanejas. Muitas vezes esses artistas nem sabem quem são os autores. Muitos cantores internacionais nem sabem da existência dessas regravações.

OM - O que você chama de cultura musical?

PD – É pegar uma música como "Pigeon Without a Dove", que é uma música clássica, e fazer com que muitas pessoas a ouçam, ou até fazê-las cantar. Isso é cultura musical, é dar qualidade ao povo, coisa que está sendo tirada dele há algum tempo.

OM – Então, você qualifica música sertaneja como música de baixa qualidade?

PD – Não sou contra nenhum tipo de ritmo, só acho que o povo merece outras opções. O grande público não pode ficar restrito a determinados ritmos, rótulos e a outras coisas.

OM – Como é viajar pelo mundo?

PD – É estar só o tempo todo. Minha família fica em São Paulo em quanto eu viajo e fico restrito a quartos de hotéis, por outro lado, conhecer novas pessoas é sempre muito bom.

OM – Parece que você divulga muito o Brasil lá fora, qual é a visão européia em relação ao nosso país?

PD – O Brasil quase nunca é visto com bons olhos. As pessoas sabem tudo sobre seqüestros, assaltos, assassinatos e outras coisas que não prestam, mas não sabem nada de cultura, música e outras coisas que fazem esse país ser tão grande. Há pouco tempo, na Grécia, uma repórter me perguntou se o gigante adormecido já havia acordado e eu respondi que sim, e há muito tempo. Os europeus vêem a América Latina como uma coisa só, não sabem onde fica o Brasil ou a Argentina.