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REFINARIA
NO RN NÃO É "BENESSE"
Num país
com dimensões continentais como o Brasil,
as decisões de Estado deveriam sempre
respeitar essa característica. Deveriam,
também, levar em conta a descentralização
paulatina do desenvolvimento econômico,
o crescimento histórico e a necessidade
de eliminar disparidades e desigualdades
regionais. Deveriam, mas nem sempre foi
ou é assim. Em vários setores e segmentos
de nossa economia, entre eles, e em especial,
o do craqueamento e refino do petróleo.
As
refinarias de petróleo foram instaladas,
ao longo dos anos, da Bahia para baixo.
Desde a década de 30, com pequenas indústrias
particulares e depois, a partir de 1950,
com a inauguração de Mataripe, na Grande
Salvador, primeiro empreendimento de porte
e primeira refinaria estatal do país. Privilegiavam,
à época com razão, os estados do Sul e Sudeste,
regiões onde se concentravam as reservas
petrolíferas até então conhecidas, onde
havia também a maior concentração populacional
e onde se localizava, quase que exclusivamente,
o parque industrial brasileiro. Assim é
que foram construídas, depois, refinarias
no Rio de Janeiro; São Paulo; Paraná; Minas
Gerais e Rio Grande do Sul.
Mas os
tempos mudaram, o desenvolvimento econômico
- mesmo que mal planejado e
acompanhado de graves mazelas sociais -
chegou a outras regiões do país; a
população delas cresceu vertiginosamente;
significativa parcela de indústrias migrou
ou abriu filiais produtoras e, finalmente
tão quão importante, substanciais reservas
petrolíferas foram descobertas acima do
eixo dos tradicionais estados produtores.
Tudo isso, entretanto, não foi acompanhado,
do que seria mais lógico e justo, também
da construção de mais uma ou duas refinarias
menores, porém completas, nos estados produtores
"de cima" do mapa. A Petrobras,
já então a detentora do monopólio estatal
do petróleo, desde 1953, quando foi criada
no governo do presidente Getúlio Vargas,
optou por expandir e ampliar as refinarias
já existentes, com exceção da construção
de uma de pequeno porte no Amazonas.
Por conta
disso, boa parte tanto do petróleo bruto,
como dos derivados trafegam, desnecessariamente,
pelo país através de navios, dutos ou estradas
rodoviárias encarecendo brutalmente o preço
final ao consumidor, notadamente a gasolina,
o diesel e o GLP, o chamado gás de cozinha,
essenciais para a vida e a economia.
Por tudo
isso - e muito mais - já
está na hora do Nordeste "de cima"
ter sua refinaria de petróleo. Não contemplado
por "benesse governamental", mas
sim por direito adquirido ao desenvolvimento
socioeconômico, ao pleno emprego, ao consumo
digno e, sobretudo, estribado na realidade
de sua produção. E, neste particular, o
Rio Grande do Norte é o candidato mais natural,
sem desqualificar os outros estados. Por
vários motivos. Primeiro, que o RN é hoje,
com cerca de 90/100 mil barris-dia, o segundo
maior produtor - perdendo apenas
para o Rio de Janeiro - e o
maior produtor de petróleo em terra. Segundo,
porque já estão funcionando plantas de produção
e refino de gás natural, diesel, e em fase
de construção a de querosene de aviação.
Na prática, já existe quase 50% de uma refinaria.
Faltam apenas complementos estruturais e
uma boa planta de refino de gasolina para
se ter uma refinaria completa. Seria jogar
dinheiro fora começar tudo do zero em outro
Estado. Terceiro, só para não me alongar,
o Ceará, com todo respeito também um forte
candidato, já abriga a única fábrica-refinaria
de lubrificantes da Petrobras, a Lubnor.
Uma boa
semana para todos - o advento
da quebra do monopólio não tira da Petrobras
a responsabilidade de implantar, sem depender
necessariamente da iniciativa privada, a
nova refinaria no RN - próxima quinta
eu volto traduzindo a Economia para o seu
dia-a-dia!
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