ATUALIZADO ÀS TERÇAS, QUARTAS, QUINTAS, SEXTAS E DOMINGOS
 


Cpi do leite

A CPI do leite já está com quinze assinaturas de deputados que apoiaram a solicitação. Esse número poderá aumentar, dependendo do que decidir a liderança do PMDB, na Assembléia Estadual, que ainda não se pronunciou sobre o assunto. Encaminhada à votação, resta saber se interessará à governadora Wilma de Faria a existência de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, cujos resultados poderão ser diferentes daquilo que se espera. Além disso, terminará envolvendo outros assuntos de governo, podendo atrapalhar o processo administrativo. Sobre a CPI estadual, a história tem mostrado que ela, quando instalada, até hoje não chegou a qualquer resultado positivo. Mesmo assim, os deputados estão conscientes do que ela representa, e querem participar, de alguma maneira, de um processo que poderá colocá-los na mídia.

 O ministro da Justiça, Márcio Tomás Bastos, sempre esteve no meu mais alto conceito. Homem sério, de passado limpo, envolvido nas lutas democráticas, o nome indicado para ocupar o lugar para o qual foi nomeado pelo presidente Lula da Silva. Qual não foi a minha surpresa quando, dois dias atrás, no Espírito Santo, responsabilizou o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pelo fortalecimento do crime organizado em nosso país. Até quando teremos que escutar isso? Quando será que os ocupantes do atual governo irão se conscientizar que a administração é dinâmica e já se perdeu muito tempo olhando para trás? O importante é adotar medidas que venham corrigir aquilo que se considera errado. A comodidade da denúncia não resolverá os problemas da nação. O importante é que sejam tomadas medidas corajosas, a exemplo do que fizeram outros países, evitando que os bandidos continuem a matar os nossos juízes.

 Felizmente, ontem, em depoimento na Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados, o ministro mudou o discurso. A mudança de ambiente, do local de um crime praticado pelo esquadrão da morte à austera Comissão de Justiça, certamente, influiu na postura do dr. Márcio Tomás. Em sua exposição, declarou haver chegado a hora de esquecer o que passou e tomar medidas futuras, logo no atual governo. E falou na instalação de um Plano Nacional de Segurança, incluindo sistema prisional eficiente, construção de prisões federais nos estados, reequipamento da Polícia Federal que terá o seu efetivo aumentado de sete mil para doze mil homens. Emergencialmente, serão contratados quinhentos homens. Não é preciso dizer que o ministro agradou os parlamentares que, em demorada reunião, fizeram questão de perguntar, mas, também, de sugerir outras propostas. Parlamentares da oposição chegaram a assegurar o apoio para essas medidas, inclusive uma outra reforma do Judiciário.

 

LAÍRE ROSADO
EMAIL: laire.rosado@uol.com.br

É médico, ex-deputado estadual, ex-secretário de agricultura, ex-deputado federal e articulista político

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Mossoró-RN, quinta-feira, 27 de março de 2003