RN deve contar com pior epidemia de dengue da história

MÁRCIO COSTA
Da Editoria do Regional

População estaria desprotegida contra o terceiro tipo do vírus que chegou ao Brasil em maio de 2002 As previsões trabalhadas pelos técnicos do governo para o quadro da dengue no Estado apontam para um agravamento no número de casos, pelo menos para os próximos dois anos.

A existência de quatro tipos de vírus responsáveis pelo desenvolvimento da dengue faz com que a doença se apresente como um risco constante em todo o mundo e a chegada do terceiro tipo da doença no RN começa a gerar previsões sombrias.

Mesmo com o registro de apenas dois tipos do vírus no Brasil até o ano passado, o quadro era tido como preocupante, existindo um crescimento gradual nos números de casos registrados de 1994, até o ano passado.

Com a entrada do tipo três do vírus no Brasil, o Rio Grande do Norte corre o risco de contar nos próximos dois anos com o maior surto da doença na história do Estado.

Segundo o infectologista, Luís Alberto, o primeiro registro do tipo três do vírus da dengue no Rio Grande do Norte se deu em maio do ano passado

“As probabilidades se voltam para o registro do maior número de casos verificados no Estado, paralelamente a um maior número de casos graves em função da população estar completamente desprotegida para o ataque do novo tipo de vírus”. destaca Luís Alberto  

Uma informação que amplia as dimensões do problema se volta para a possibilidade de desembarque do quarto tipo virótico que já está localizado na América do Sul.

 O tipo quatro do vírus causador da doença está localizado na Venezuela e deve chegar ao Brasil em pouco tempo agravando a situação.

“A chegada do tipo quatro é apenas uma questão de tempo, A situação deve se agravar ainda mais”, conclui o infectologista.

Erradicação da doença só deve
ocorrer em 10 anos

As informações com relação ao quadro de infestação da dengue no Estado para os próximos 10 anos não são das mais animadoras.

A soma de um complexo sistema de fatos que estão sendo desencadeados em torno da doença aponta para pelo menos mais 10 anos de convivência com os efeitos do vírus, transmitido através do mosquito Aedes aegipty.

Segundo o infectologista Luís Alberto, o quadro de registro de casos no país é crescente desde 1994, não existindo previsão para regressão a curto prazo.

“Erradicar a doença se apresenta como uma missão impossível e a expectativa de controle se dá com previsões de pelo menos 10 anos. Somente com condições de realizar um trabalho diuturno e ininterrupto, o controle seria capaz de ser alcançado em aproximadamente três anos”, esclarece o infectologista.

Luís Alberto, que é considerado uma das maiores autoridades em infectologia da América Latina, foi convidado para assumir o trabalho de combate  a dengue no Rio Grande do Norte e destaca que lutará pela busca de um quadro mais ameno no mais breve espaço de tempo possível.

“Só aceitei a função porque me deram a garantia de que o trabalho seria realizado respeitando-se as necessidades de um combate intensivo. Afirmaram-me que uma vez iniciado, o trabalho não teria mais fim. Vou buscar um quadro mais ameno no mais breve espaço de tempo possível”, conclui Luís Alberto.

Estado está preparado para enfrentar epidemia, afirma infectologista

“Em tese o Estado está preparado para enfrentar o problema”. Com esta afirmação o infectologista Luís Alberto, tranqüiliza os norte-rio-grandenses que devem se preparar para enfrentar com clareza os efeitos da doença.

Com pelo menos 98% dos casos tratados em nível ambulatorial, apenas 2% dos registros da doença exigem internamento seguidos de uma maior atenção médica.

Este número não é suficiente para a instalação de um cenário de calamidade, estando portanto dentro das margens de absorção de internamento em caráter emergencial dos hospitais do Estado.

Buscar orientação médica diante dos primeiros sinais da doença e seguir a risca as orientações determinadas pelos especialistas, praticamente elimina o risco de morte através da infecção virótica.

“Com o tratamento adequado, as chances de morrer de dengue é praticamente zero”, explica o infectologista.    

Mesmo diante das previsões negativas e dos números progressivos da doença, é cada ano menor o número de mortes ocasionadas por dengue no Estado.

Segundo o infectologista Luís Alberto, para cada 1.000 casos de dengue, é registrado um caso da doença em sua versão hemorrágica. O número de mortes através da dengue hemorrágica no Rio Grande do Norte é de 7%, considerado alto pelo Ministério da Saúde. Os índices apresentados como de segurança satisfatória giram em torno de 1%.

 

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Mossoró-RN, quinta-feira, 27 de março de 2003