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Desdenhando e esnobando

O governo da senhora Wilma de Faria simplesmente esnobou e desdenhou a cidade de Mossoró, a segunda maior do Rio Grande do Norte, que havia lhe convidado, pelos seus mais lídimos representantes, para enviar o seu representante mais indicado, que era o secretário Carlos Santos, para debater a segurança pública em nossa cidade. O auxiliar da titular do governo potiguar simplesmente desconheceu isso como até enviou para participar da discussão em seu nome uma pessoa que, se estava autorizada, não estava preparada para desvendar os verdadeiros caminhos que envolvem e vão dar nesse intrincado torvelinho em que se transformou hoje em dia a segurança dos cidadãos.

Nós só temos é que lamentar que tão grave questão tenha sido tão mal conduzida assim em nível de governo estadual e também a irresponsabilidade com que agiu o secretário, que era a pessoa mais indicada não só para ouvir os reclamos como até para indicar as possíveis soluções. O que precisa ficar meridianamente esclarecido é que o que ocorreu aqui não foi uma iniciativa de bairro, uma proposta de comunidade pequena, uma iniciativa isolada de um provável gueto. O que está em jogo é a questão da intranqüilidade diuturna que ronda 300 mil pessoas que habitam a segunda maior cidade do Estado do Rio Grande do Norte, repetimos.

Somos uma cidade tomada por assaltos à mão armada, com a polícia completamente desarticulada, sem armamentos, sem munição, sem transportes adequados, sofrendo a falta de combustíveis e em franca caminhada para a derrocada final perante os bandidos que, enquanto isso, aumentam o seu poderio e tornam mais espertas e sofisticadas as suas ações.

Ademais, o convite foi formulado a um determinado nível de governo que não poderia esnobá-lo de forma nenhuma. Ali estavam as mais representativas entidades da nossa sociedade civil, preocupadas com os avanços da criminalidade, respaldadas que estavam por um dos poderes constituídos do nosso município, que é a Câmara Municipal.

Diante de cenário tão grotesco que foi esse protagonizado pelo governo estadual, só esperamos que a governadora Wilma de Faria se cientifique efetivamente desse triste episódio pilotado por seu auxiliar e, conseqüentemente, por seu governo de modo geral, decida imediatamente reverter essa situação adotando preliminarmente as providências que Mossoró quer, almeja e exige. Afinal de contas, até por ironia do destino, a atual chefe do Executivo potiguar se ejetou um dia da condição de mossoroense para vir até esta cidade garimpar os votos dos seus “conterrâneos”.

 

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Mossoró-RN, domingo, 27 de abril de 2003