Reforma agrária

Durante a campanha presidencial falava-se que, no governo de Lula, os proprietários rurais teriam mais tranquilidade do que no governo Fernando Henrique. Com a autoridade de quem comandou as lutas oposicionistas durante tanto tempo, e sendo um presidente de esquerda, teria mais condições morais de sustentar os insatisfeitos pela demora com que a reforma agrária estava se processando. As invasões de terra não seriam interrompidas mas, aconteceriam em um processo mais organizado que a simples invasão, aliando-se a necessidade da terra ao fato político.

Em muito pouco tempo, o presidente da Sociedade Rural Brasileira, João Sampaio, elogia o programa agrário do presidente Lula e critica a reforma agrária de Fernando Henrique Cardoso. Declaração como essa, vindo do presidente da mais tradicional associação de proprietários agrícolas do País, é o primeiro sinal de que, realmente, essa reforma poderá acontecer sem a incitação à violência, como até agora vem acontecendo. Sampaio chegou, inclusive, a manter encontro reservado com o ministro José Dirceu, o que dificilmente aconteceria entre o presidente do MST com um ministro de FHC.

O governo FHC trabalhou a reforma agrária sob grande pressão. Os movimentos sociais, como o MST e a CTP (Comissão Pastoral da Terra), de ONGs do Brasil e do exterior e, até do vaticano, incitavam à invasão de terras. O resultado é que 524 mil famílias foram assentadas, o que pode se constituir na maior reforma agrária do mundo. Infelizmente, o  custo foi elevadíssimo e sem capacidade de produção dos assentamentos que eram criados. Por conta disso, 30% dos assentamentos já foram abandonados. Houve a distribuição de terra dentro dos moldes tradicionais, motivada por toda essa pressão das diferentes entidades sociais, e da própria necessidade popular.

Agora, no governo Lula, o confronto entre proprietários rurais e MST pode ser substituído pelo entendimento entre as partes. Utopia? Pode até ser. Mesmo assim, esse diálogo dificilmente ocorreria no governo anterior, onde a contestação se fazia necessária por parte dos que queriam terras.

No momento, passa-se a discutir a qualidade dos asssentamentos. E a distribuição de novas terras poderá se constituir num programa de governo, com o poder público dando mais atenção à estruturação dos assentamentos que já foram criados. Vale salientar que, até o presente momento, o governo federal não liberou recursos para a reforma agrária.

Paralelamente à reforma agrária, os  produtores rurais pensam numa melhor atenção do governo para o agronegócio.

No Brasil, o financiamento agrícola chega perto de 9%, enquanto no resto do mundo, quase toda produção agrícola é financiada pelos governos. É o caminho do entendimento que parece mais facilitado num governo socialista.

PEDRO ALMEIDA

A ação do Ministério Público contra o ex-secretário Pedro Almeida peca por algumas peculiaridades, conhecidas por quem acompanha a política norte-rio-grandense. Tudo se inicia com uma empresa pertencente ao Grupo Abril, responsável por denúncia à governadora Wilma de Faria.

SOLIDARIEDADE

Muito interessante o fato de que foi de representantes do Poder Judiciário, o maior número de pessoas solidárias a Pedro, o que não deixa de ser significativo.

PASSE

Por solicitação da deputada Larissa Rosado, o DER determinou a liberação do pagamento de passagens intermunicipais para pessoas enfermas ou acima de 65 anos.

Em 1988, projeto de lei instituindo o pagamento de royalties aos proprietários de terras produtoras de petróleo foi votado na Câmara dos Deputados. No Rio Grande do Norte, somente o deputado Vingt Rosado votou favoravelmente à matéria.

A construção de nova refinaria de petróleo, no Nordeste, ficará por conta da Petrobrás, O presidente da Venezuela veio em busca de recursos e não trazer investimentos

 

LAÍRE ROSADO
EMAIL: laire.rosado@uol.com.br

É médico, ex-deputado estadual, ex-secretário de agricultura, ex-deputado federal e articulista político

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Mossoró-RN, domingo, 27 de abril de 2003