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Lula
convoca pelotão para aprovar reformas
BRASÍLIA
(Agência Nordeste) – Ciente das dificuldades
em aprovar as reformas tributária e previdenciária
e da importância que isso terá para o seu
governo e futuro político, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva decidiu inovar
na tentativa de pressionar o Congresso a
votar favoravelmente às mudanças. Na próxima
quarta-feira, Lula irá pessoalmente à Câmara
Federal, quando entregará à Casa os textos
das duas reformas. Para isso, convocou um
escudo. Estará acompanhado dos 27 governadores
estaduais, que devem sair ao lado de Lula
do Palácio do Planalto em marcha até o parlamento.
O fato
político é mais uma jogada de marketing
que o presidente se acostumou a utilizar
desde a eleição. Somam-se a isso os comerciais
de televisão que, desde a semana passada,
estão no ar, convocando a população a se
envolver na discussão. A estratégia é dividir
com o eleitorado e os governadores a responsabilidade
pelas mudanças. E isso inclui também compartilhar
o desgaste que as reformas ocasionarão.
A jogada
foi alvo de ironia de oposicionistas. “O
presidente está usando os governadores como
cortina. Ele deveria ter coragem de assumir
as suas propostas”, alfinetou o líder do
PFL na Câmara, deputado José Carlos Aleluia
(BA).
A aprovação
das reformas já poderia ser dada como certa,
não fossem os aliados do próprio governo.
Isso porque, até o momento, o presidente
conseguiu mobilizar partidos de oposição,
empresários e líderes sindicais em torno
da votação das medidas. O problema é que
Lula não tem a garantia de que o mesmo apoio
virá da sua base de sustentação no Congresso,
que demonstra não concordar com alguns pontos
polêmicos e anuncia a intenção de batalhar
por mudanças no conteúdo dos projetos.
O principal
gargalo está na reforma da Previdência.
O governo incluiu no texto a taxação dos
inativos. O tema é um verdadeiro vespeiro
e será difícil convencer até mesmo cardeais
do partido a defenderem este ponto. O presidente
da Câmara, deputado João Paulo Cunha (SP),
e o líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino
(BA), são exemplos.
O relator
da comissão especial da reforma da Previdência,
deputado José Pimentel (CE), também avisou
que votou três vezes contra a proposta -
quando ela foi encaminhada ao Congresso
pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
- e pensa em deixá-la de fora do seu relatório.
A posição é compartilhada pelo PDT e PSB.
Desta vez,
entretanto, a divisão entre os petistas
pode ocasionar um grande problema para o
governo Lula. Os oposicionistas já adiantaram
que não vão cumprir o acordo de votar pelas
reformas se o PT também não estiver unido
em torno delas. “Se querem o voto do PSDB,
primeiro precisam liderar seus aliados”,
afirma o líder tucano no Senado, Artur Virgílio
(AM).
Na última
quinta-feira, o governador do Ceará, Lúcio
Alcântara (PSDB), esteve com o presidente
e expôs a preocupação de alguns de seus
colegas de que os partidos da base não cumpram
o acordo pela aprovação das reformas. O
governador admitiu que seu partido, por
exemplo, não vai bancar sozinho a votação
de alguns pontos impopulares. “É evidente
que qualquer fissura nesse bloco vai afetar
a tramitação e o resultado das reformas”,
adverte.
O líder
do maior partido do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL), também se diz preocupado com
a falta de consenso na base governista.
“Se não houver um entendimento, como parece
acontecer, será difícil aprovar as reformas
até setembro”, alerta.
O governo
sabe que precisa contornar o imbróglio,
urgentemente, se quiser aprovar as reformas
constitucionais. O ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso, mesmo com maioria no Congresso,
não obteve sucesso nessa investida. Ele
acabou terminando seus dois mandatos com
a frustração de não ter conseguido mudar
os sistemas tributário e previdenciário
do País por completo. O presidente Lula,
portanto, corre contra o tempo. Como continua
com a popularidade em alta, ele precisa
aproveitar o clima favorável ao seu governo
para instituir as mudanças. Se conseguir,
terminará o mandato com grande capital político,
mesmo que outras promessas de campanha não
saiam do papel.
No próximo
ano, o cenário pode estar diferente e o
assunto ser colocado novamente na geladeira.
Para alterar a Constituição, o governo precisa
angariar três quintos dos votos, tanto na
Câmara, quanto no Senado, em dois turnos.
Isso significa que Lula precisará contar
com o apoio de 308 deputados e 53 senadores
para aprovar os textos.
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