Chuvas de janeiro devem-se a frentes frias e El niño

 As chuvas de janeiro verificadas na Região Nordeste do país e bastante percebidas sem Mossoró, justo num mês em que geralmente chove pouco, continuam sendo influenciadas pelas correntes frias abaixo dos trópicos. Esta é a explicação dada pelos estudiosos e meteorologistas que já possuem um resultado da reunião mais recente - de 23 a 24 de janeiro - realizada em Campina Grande (PB), sobre as possibilidades de inverno para as regiões a qual se insere o RN.

Segundo o professor José Espínola, responsável pelo Departamento de Climatologia da Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM), a reunião, que é a segunda do ano de 2003, contou com estudiosos de todos os órgãos de meteorologia do Nordeste e ainda dos Institutos Nacional de Meteorologia (INAMET - Brasília - DF), Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE - São José dos Campos - SP) e professores da Universidade de João Pessoa, do curso de Meteorologia da Instituição.

Nesta segunda análise, Espínola explica que foram reforçados os dados de que este ano, para o que compete à região que insere o oeste do Rio Grande do Norte, as chuvas deverão ser irregulares, ficando mesmo abaixo da média de 670 milímetros, oscilando entre 300 e 600 milímetros, com vários veranicos - períodos de até quinze dias sem chuvas - entre os meses de fevereiro a março.

O professor reforça que por estes serem os meses mais importantes para os trabalhadores que utilizam os sistema de sequeiro, ao se colocar um período como irregular, significa dizer que em algumas áreas poderão haver mais chuvas que outras. Ele reforça também que isto necessariamente não indica que não haverá chuvas, mas que talvez ocorra a chamada ‘seca verde’, quando as chuvas não são suficientes para uma colheita.

No que se refere às chuvas deste mês de janeiro, Espínola afirma que estas se devem às frentes frias que estão abaixo da linha do equador e devem provocar chuvas até a primeira quinzena de fevereiro. Até lá, as possibilidades das chuvas não serem interrompidas com veranicos são pequenas, mas os meteorologistas não descartam a possibilidade.

“Se as frentes frias que estão sendo verificadas agora em janeiro, atípicas, que estão provocando toda essa chuva continuarem abaixo da linha do equador, ainda é possível que haja um inverno contínuo. Mas se ocorrer o contrário a previsão de inverno abaixo da média se confirmará”, explica Espínola, afirmando que a probabilidade, em sua maioria, aponta para o contrário, mas não significa dizer que os estudos também não possam ser contrariados.

O professor afirma que as próximas avaliações dos institutos de meteorologia para confirmarem esses dados deverã ocorrer em Natal, prevista para março, e em outra capital nordestina.

ESTATÍSTICA - Com a última reunião, as estatísticas quanto a possibilidade de um bom inverno foram modificadas. Até o início o mês, as avaliações mostravam que a probabilidade de haver um inverno abaixo da média era de 50%. Agora, essa possibilidade está ainda maior e agora é de 55%.

Veja o quadro atualizado conforme o último encontro ocorrido em Campina Grande (PB).

Conforme os relatórios dos núcleos de estudos, em probabilidades:

EM 8 DE JANEIRO

- Existia 50% de chance do inverno ser ruim; - 30% de chance do inverno manter a média de chuvas e 20% de chance apenas do inverno ser bom.

EM 28 DE JANEIRO

Existe 55% de chance do inverno ser ruim;

- 30% de chance do inverno manter a média de chuvas;

- 15% de chance apenas do inverno ser bom.

Dados de chuvas locais são coletados
a cada 24h pela Esam

O Departamento de Climatologia da Esam já possui uma parcial das chuvas que ainda estão caindo na cidade. O relatório com a quantidade de milímetros caídos é coletada sempre das 9h da manhã de um dia até as 9h do dia seguinte, numa periodicidade de 24 horas.

Segundo o departamento, até as 9h de ontem, já se registrava a queda de chuva de um total de 136,3 milímetros, ultrapassando em mais da metade a média normal do mês que geralmente é de 50 milímetros. Os dados das chuvas do resto da manhã, tarde  madrugada serão registrados somente às 9h de hoje e devem ultrapassar os 20 milímetros, que serão somados ao total.

Ano passado, pelo mesmo fenômeno do El niño acentuado naqueles primeiros dias, choveram mais de 200 milímetros de chuva ao final de janeiro, a maior quantidade mensal verificada no ano.


 

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Mossoró-RN, terça-feira, 28 de janeiro de 2003