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Lula
no exterior
Para quem
criticava o presidente Lula da Silva pelo
fato de não possuir nenhum diploma, precisa
reconhecer o sucesso que ele vem obtendo
no plano da política internacional. Começou
na audiência com o presidente americano
George Bush, quando foi solicitado a intermediar
a crise na Venezuela. Assumiu posição corajosa
ao contrariar os princípios que sempre defendera
quando ainda líder sindical.
Nenhum
outro presidente teria credibilidade para
ir à reunião de Porto Alegre, no Fórum Social
Mundial e, logo em seguida, viajar a Davos,
na Suíça, para repetir o discurso aos poderosos
do mundo inteiro.
Outro aspecto
que chamou atenção de todos foi a projeção
dada pela imprensa européia à presença de
Lula nesse encontro. Essa mídia, raramente
divulga notícias do Brasil. Nem mesmo Fernando
Henrique, o presidente que começou a abir
as portas do país ao estrangeiro, conseguiu
em oito anos o espaço que Lula já ocupou,
em tão pouco tempo. É como se o mundo
inteiro estivesse aguardando uma solução
para mudar seus métodos de relacionamento
com os países economicamente emergentes.
Será necessário
muita habilidade para Lula manter o rumo
que vem adotando ao seu governo. Ministros
dos mais conservadores convivem com militantes
mais extremados. Reformas que sempre foram
combatidas pelo PT começam a ser defendidas,
até em maior profundidade, assustando os
sindicatos e trabalhadores, acostumados
a um discurso diferente. Agora vem o prestígio
internacional alcançado de forma tão rápida.
É importante que tudo isso não venha a mexer
com a cabeça do presidente para que a vaidade
não o atrapalhe.
Em Porto
Alegre, o sociólogo Emir Sader, da UERJ,
criticou a política macroeconômica do governo,
pela falta de transição prometida
durante a campanha. Disse que havia esquizofrenia
no governo Lula, entre o conservadorismo
econômico e o projeto de mudanças. Muitas
outras críticas ainda surgirão, vinda dos
mais apaixonados lulistas.
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