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Lula,
Rainha da Inglaterra
A transição
política do atual governo aconteceu durante
a campanha eleitoral. Dizer que o presidente
Lula está traindo o discurso pode ser verdade,
se a comparação for feita com seus pronunciamentos
dos primeiros tempos de sindicalista. Para
conquistar a confiança do eleitor, a mudança
maior ocorreu quando da busca desse voto.
Eleito,
teve o cuidado de não aparecer muito nas
grandes discussões nacionais, preferindo
que seus representantes tomasse conta desse
setor. Por isso mesmo, chegou a ser chamado
de Rainha da Inglaterra, viajando ao exterior,
passando tropas em revista, aparecendo em
solenidades mas, aparentemente, ausente
da administração. Na verdade, Lula tem uma
característica bem marcante, que é a centralização
das decisões. Isso até já lhe trouxe algumas
dificuldades, habilmente camufladas. Seus
ministros, desde o primeiro momento entenderam
que a última palavra seria a do presidente.
Quanto ao seu vice-presidente, tem se comportado
melhor que o senador Marco Maciel, quando
no mesmo posto. Parece até não existir,
não preocupando ninguém.
Os petistas
afirmam que não podem votar as reformas
exigidas pela nação pelo pouco tempo que
estão governando. Acontece que essas reformas
ainda não estão em vigor porque o PT não
permitiu que elas fossem aprovadas, no governo
de FHC. Sentindo a inquietação ou a expectativa
em torno desse assunto, o presidente Lula
da Silva resolveu assumir o comando das
ações. E passou a conversar com quem julga
ter influência para que isso venha a acontecer.
Está disposto a sofrer desgaste no primeiro
momento, acreditando que será fácil recuperar
mais adiante. E é assim que vai enfrentando
o aumento irrisósio do salário mínimo, aumento
esse mais ridículo ainda para o funcionário
público, autorizando o aumento das tarifas
públicas, aumentando os juros, enfim, fazendo
o jogo do FMI, que tanto combateu mas é
quem ainda está ajudando a governabilidade.
Lula pode parecer Rainha da Inglaterra mas,
na verdade, é ele quem está dando as cartas.
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