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José
Flávio Gurgel
José Flávio Gurgel,
66, é comerciante do ramo de entretenimentos há muitos
anos. Casado, pai de duas filhas e avô de um neto, já
morou no Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, durante
curto período, quando deixou o ramo de bar e restaurante
para administrar uma construtora. Ele é considerado
um incentivador da cultura mossoroense, sempre ofertando
o espaço do seu restaurante Travessia para lançamentos
de livros e outros eventos. Antes de tudo, Flávio Gurgel,
como gosta de ser chamado, é um homem feliz, de bem
com a vida.
Por Leonardo Sodré Editor
Geral
O MOSSOROENSE -
Dizem que você é um homem de muitas "tiradas"
engraçadas e inteligentes e que gosta de brincar e até
de escalar jogador da seleção brasileira. Caby Costa
Lima me contou que no jogo do Brasil contra a Austrália
você se levantou dizendo que ia mandar Parreira escalar
Fred para fazer um gol e logo depois Fred entrou e,
realmente, fez um gol. Conte essa história.
FLÁVIO GURGEL - (Rindo
muito). Eu nem sabia que existia esse jogador. Soube
da existência dele naquele dia e, brincando, quando
voltei da cozinha do Travessia, inventei que tinha ligado
para Parreira para botar Fred em campo para fazer um
gol. Eu não entendo muito de jogo, mas não é que o rapaz
fez um gol! Eu sou meio desligado de futebol. Torço
pela seleção brasileira, mas numa hora dessas eu fico
meio sem jeito. Na verdade não conheço bem futebol.
A verdade é essa (rindo).
OM - Você começou
a trabalhar com bares e restaurantes em que ano?
FG - Comecei em 1965,
1966... Por aí... Era uma lanchonete do meu pai no Pavilhão
Vitória que existia na praça defronte ao cinema Pax,
bem naquele jardim na praça Rodolfo Fernandes. Não sei
se você já ouviu falar...
OM - Eu soube que
era um pavilhão histórico, que homenageava os pracinhas
mossoroenses que foram para a Segunda Guerra Mundial.
FG - Isso mesmo. Sabe,
eu às vezes fico encabulado, sem ver a razão para derrubarem
aquele pavilhão. Não consigo entender a razão para terem
demolido. Era o Pavilhão da Vitória que existia, como
você disse, para homenagear os mossoroenses que foram
lutar na Itália, na Segunda Grande Guerra Mundial.
OM - Quando ele
foi construído? Qual o prefeito que teve essa iniciativa?
FG - Eu não me lembro
quando foi construído, nem qual foi o prefeito, mas
me lembro bem do prefeito que demoliu. Foi Toinho Rodrigues,
mais ou menos entre 1959 ou 1960.
OM - Você também
teve um bar que era muito conhecido, um verdadeiro "point",
o Flávius.
FG - Esse ponto ainda
hoje existe. É meu e de meu cunhado. Fica ali na avenida
Presidente Dutra. Na verdade tive muitos bares. Tive
um no Ipiranga que vendi para o meu primo Cristóvão
Gurgel da Frota, depois fui para ACDP, em seguida arrendei
o bar O Sujeito e depois construí o Flávius em parceria
com o meu cunhado. Daí fui para a Petrobras e viajei
um bocado. Depois que voltei que tive uma parceria no
Laçador. E por último, construí o Travessia.
OM - Soube que a
estrutura do Travessia era para ser bar, restaurante
e também boate?
FG - É verdade. A estrutura
do Travessia é grande, muito boa. Quando eu construí
o Travessia eu tinha um contrato com a Petrobras e mantinha
uma divisão de alimentação. Construí no sentido de atender
a Petrobras de um lado e do outro a sociedade com restaurante
a La Carte. Depois, o contrato da Petrobras foi extinto.
OM - Você pensa
em retornar as atividades da boate?
FG - A boate não dá
mais para mim. Já estou com a idade meio pesada, já
com 66 anos e até poderia, se tivesse uma parceria,
mas administrando de fora. Agora, boate em Mossoró é
uma coisa complicada para danado.
OM - Durante todos
esses anos, com bares e restaurantes, você deve ter
visto e até protagonizado muitas histórias engraçadas.
Lembra de alguma agora?
FG - Têm muitas. Assim
de imediato, me lembro de um garçom que trabalha comigo.
Muito precavido, mas também muito engraçado. Certa feita
chegou um cliente para comer um peixe e ficou insistindo
com ele se o peixe era realmente novo. Várias vezes
perguntou se o peixe era novo mesmo, até que o garçom
respondeu que tinha certeza que o peixe era bem novinho,
mas que somente não tinha a certidão de nascimento dele
para provar (risos).
OM - Você montou
alguma estrutura especial para receber os seus clientes
durante a Copa do Mundo?
FG - Está quase normal.
Enfeitei o restaurante e fiz pequenas modificações para
não ficar diferente dos outros locais, para entrar no
clima da Copa. Agora, eu esperava que o povo brasileiro
fosse unido sempre como é no tempo de Copa do Mundo.
Engraçado, é todo mundo unido mesmo. Muita gente vem
ver os jogos aqui, inclusive a turma da terceira idade
que se reúne aqui sempre. Um pessoal muito alegre, animado.
Elas dizem que são meninas, por conta da animação.
OM - E o Brasil,
ganha essa Copa em sua opinião?
FG - Olhe, se escalarem
aquele rapaz... Como é mesmo o nome dele?
OM - Fred.
FG - Ah! Se escalarem
ele, se Fred entrar, é bem capaz da gente ganhar (risos).
OM - Mossoró está
preparada para receber turistas na época do Cidade Junina?
FG - Eu faço parte
de um Birô (uma espécie de associação), onde sou o vice-presidente
e João Sabino, o presidente; que busca motivar o turismo
para Mossoró. A gente batalha muito para que o turismo
de Mossoró dê algum passo. Tem dado, não posso negar,
mas precisamos saber qual o turismo adequado para Mossoró,
se é o de eventos, ou o de passeio. Não encontramos
alternativas ainda, a não ser o turismo de eventos,
como no caso do Cidade Junina. Espero que existam congressos
no campo da medicina, odontologia, por exemplo. Se trabalharmos
bem, conseguiremos trazer turistas para Mossoró, tenho
certeza.
OM - A falta de
vôos regulares para a cidade prejudica o turismo?
FG - Sem dúvida nenhuma.
Se não tiver vôos, se a cidade não dispuser de linhas
regulares, de boas estradas, até mesmo bons restaurantes
e treinamento bom de pessoal, não vai para frente. Faltam
inclusive hotéis. Hoje, para você ter uma idéia todos
os hotéis de Mossoró estão lotados por causa do Cidade
Junina.
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