Mossoró-RN, domingo 25 de junho de 2006

José Flávio Gurgel

José Flávio Gurgel, 66, é comerciante do ramo de entretenimentos há muitos anos. Casado, pai de duas filhas e avô de um neto, já morou no Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, durante curto período, quando deixou o ramo de bar e restaurante para administrar uma construtora. Ele é considerado um incentivador da cultura mossoroense, sempre ofertando o espaço do seu restaurante Travessia para lançamentos de livros e outros eventos. Antes de tudo, Flávio Gurgel, como gosta de ser chamado, é um homem feliz, de bem com a vida.

Por Leonardo Sodré
Editor Geral

O MOSSOROENSE - Dizem que você é um homem de muitas "tiradas" engraçadas e inteligentes e que gosta de brincar e até de escalar jogador da seleção brasileira. Caby Costa Lima me contou que no jogo do Brasil contra a Austrália você se levantou dizendo que ia mandar Parreira escalar Fred para fazer um gol e logo depois Fred entrou e, realmente, fez um gol. Conte essa história.

FLÁVIO GURGEL - (Rindo muito). Eu nem sabia que existia esse jogador. Soube da existência dele naquele dia e, brincando, quando voltei da cozinha do Travessia, inventei que tinha ligado para Parreira para botar Fred em campo para fazer um gol. Eu não entendo muito de jogo, mas não é que o rapaz fez um gol! Eu sou meio desligado de futebol. Torço pela seleção brasileira, mas numa hora dessas eu fico meio sem jeito. Na verdade não conheço bem futebol. A verdade é essa (rindo).

OM - Você começou a trabalhar com bares e restaurantes em que ano?

FG - Comecei em 1965, 1966... Por aí... Era uma lanchonete do meu pai no Pavilhão Vitória que existia na praça defronte ao cinema Pax, bem naquele jardim na praça Rodolfo Fernandes. Não sei se você já ouviu falar...

OM - Eu soube que era um pavilhão histórico, que homenageava os pracinhas mossoroenses que foram para a Segunda Guerra Mundial.

FG - Isso mesmo. Sabe, eu às vezes fico encabulado, sem ver a razão para derrubarem aquele pavilhão. Não consigo entender a razão para terem demolido. Era o Pavilhão da Vitória que existia, como você disse, para homenagear os mossoroenses que foram lutar na Itália, na Segunda Grande Guerra Mundial.

OM - Quando ele foi construído? Qual o prefeito que teve essa iniciativa?

FG - Eu não me lembro quando foi construído, nem qual foi o prefeito, mas me lembro bem do prefeito que demoliu. Foi Toinho Rodrigues, mais ou menos entre 1959 ou 1960.

OM - Você também teve um bar que era muito conhecido, um verdadeiro "point", o Flávius.

FG - Esse ponto ainda hoje existe. É meu e de meu cunhado. Fica ali na avenida Presidente Dutra. Na verdade tive muitos bares. Tive um no Ipiranga que vendi para o meu primo Cristóvão Gurgel da Frota, depois fui para ACDP, em seguida arrendei o bar O Sujeito e depois construí o Flávius em parceria com o meu cunhado. Daí fui para a Petrobras e viajei um bocado. Depois que voltei que tive uma parceria no Laçador. E por último, construí o Travessia.

OM - Soube que a estrutura do Travessia era para ser bar, restaurante e também boate?

FG - É verdade. A estrutura do Travessia é grande, muito boa. Quando eu construí o Travessia eu tinha um contrato com a Petrobras e mantinha uma divisão de alimentação. Construí no sentido de atender a Petrobras de um lado e do outro a sociedade com restaurante a La Carte. Depois, o contrato da Petrobras foi extinto.

OM - Você pensa em retornar as atividades da boate?

FG - A boate não dá mais para mim. Já estou com a idade meio pesada, já com 66 anos e até poderia, se tivesse uma parceria, mas administrando de fora. Agora, boate em Mossoró é uma coisa complicada para danado.

OM - Durante todos esses anos, com bares e restaurantes, você deve ter visto e até protagonizado muitas histórias engraçadas. Lembra de alguma agora?

FG - Têm muitas. Assim de imediato, me lembro de um garçom que trabalha comigo. Muito precavido, mas também muito engraçado. Certa feita chegou um cliente para comer um peixe e ficou insistindo com ele se o peixe era realmente novo. Várias vezes perguntou se o peixe era novo mesmo, até que o garçom respondeu que tinha certeza que o peixe era bem novinho, mas que somente não tinha a certidão de nascimento dele para provar (risos).

OM - Você montou alguma estrutura especial para receber os seus clientes durante a Copa do Mundo?

FG - Está quase normal. Enfeitei o restaurante e fiz pequenas modificações para não ficar diferente dos outros locais, para entrar no clima da Copa. Agora, eu esperava que o povo brasileiro fosse unido sempre como é no tempo de Copa do Mundo. Engraçado, é todo mundo unido mesmo. Muita gente vem ver os jogos aqui, inclusive a turma da terceira idade que se reúne aqui sempre. Um pessoal muito alegre, animado. Elas dizem que são meninas, por conta da animação.

OM - E o Brasil, ganha essa Copa em sua opinião?

FG - Olhe, se escalarem aquele rapaz... Como é mesmo o nome dele?

OM - Fred.

FG - Ah! Se escalarem ele, se Fred entrar, é bem capaz da gente ganhar (risos).

OM - Mossoró está preparada para receber turistas na época do Cidade Junina?

FG - Eu faço parte de um Birô (uma espécie de associação), onde sou o vice-presidente e João Sabino, o presidente; que busca motivar o turismo para Mossoró. A gente batalha muito para que o turismo de Mossoró dê algum passo. Tem dado, não posso negar, mas precisamos saber qual o turismo adequado para Mossoró, se é o de eventos, ou o de passeio. Não encontramos alternativas ainda, a não ser o turismo de eventos, como no caso do Cidade Junina. Espero que existam congressos no campo da medicina, odontologia, por exemplo. Se trabalharmos bem, conseguiremos trazer turistas para Mossoró, tenho certeza.

OM - A falta de vôos regulares para a cidade prejudica o turismo?

FG - Sem dúvida nenhuma. Se não tiver vôos, se a cidade não dispuser de linhas regulares, de boas estradas, até mesmo bons restaurantes e treinamento bom de pessoal, não vai para frente. Faltam inclusive hotéis. Hoje, para você ter uma idéia todos os hotéis de Mossoró estão lotados por causa do Cidade Junina.

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