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AOS MENINOS DE RUA Caio
César Muniz Poeta (Mossoró/RN)
Quem são estes meninos Sem
nome, noite afora? Filhos de quem E onde moram? Por
que ninguém lhes diz Para irem dormir, Como devem
dormir Todas as crianças?
Que gula é esta Que
têm, Que quase arrancam Das nossas bocas O
alimento Que nos farta E que lhes falta?
De que justiça Falam
os "justos" Que não vejo cuidar Destas
crianças?
Infância perdida, Sonhos
vãos Meninos sem nome Que se perdem Noite afora.
VOCÊ Ângela
Rodrigues de Oliveira Estudante de Filosofia da
Uern (Mossoró/RN)
Quando você entrou Em
minha vida Veio de mansinho, Quieta, parecendo
amiga, Foi ficando, não era importante, apenas
presente; Não ocupava espaço, Mas estava sempre
lá. Aos poucos assumiu Espaço, ocupou lacunas E
tornou-me vazia. Arrancou-me certezas, Robou-me
a segurança, Bagunçou meus conceitos. Destruiu
minha paz! E você que era apenas Alguém encontrado
ao acaso Invadiu minha vida Acabou com minha
harmonia! Uma vida inteira Foi desmoronando! Sua
presença Antes tão insignificante Passou a ser
constante em meus dias! Você, que sem convite Entrou
em minha casa E levou parte de mim Destruiu o
que havia de Mais sagrado em meu EU A confiança! Você
- a outra! Que mesmo negada Sei que existe... Você,
de novo nada Apenas um ponto perdido Em um lugar
esquecido.
DESEJO Zenóbio
Oliveira Cinegrafista (Mossoró/RN) zeaguilhadas@mikrocenter.com.br
A paixão do teu corpo
é chama intensa, Que acende em mim esse desejo insano,
De rasgar-te a pele, num ato leviano, Sugar
de ti, toda essa febre imensa.
E na edaz labareda
da presença, Do teu corpo diabólico e profano, Queimar
o meu desejo desumano, E tudo de paixão que me pertença.
Quero lançar-me, como
louco impávido, Ao fogaréu do teu abraço ávido,
A consumir, de vez, meu coração,
Mas a paixão é, senão,
fogo de palha, Queima ligeiro e deixa na borralha,
As cinzas mortas da desilusão.
VOU-ME EMBORA PRA
PASÁRGADA
Vou-me embora pra Pasárgada Lá
sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na
cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada Aqui
eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De
tal modo inconseqüente Que Joana a Louca de Espanha Rainha
e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora
que eu nunca tive
E como farei ginástica Andarei
de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no
pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver
cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d'água Pra
me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa
vinha me contar Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo É
outra civilização Tem um processo seguro De impedir
a concepção Tem telefone automático Tem alcalóide
à vontade Tem prostitutas bonitas Para a gente
namorar
E quando eu estiver
mais triste Mas triste de não ter jeito Quando
de noite me der Vontade de me matar - Lá sou
amigo do rei - Terei a mulher que eu quero Na
cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada.
EFEMERIDADES José
de Sousa Xavier Poeta macauense radicado em Natal
Parece inútil a
postura das rochas: ficar em pé, inerte, bilhões
de anos enquanto a vida passa, e tudo se move
em seu redor. E eu, que giro e giro na matéria
que gira ao longo da história, enganando o tempo, não
encontro artifícios para deixar de ser tão-somente
fútil no meu barro estéril que sequer um século na
carne efêmera, que sobrevive frágil, não se sedimenta.
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