Mossoró-RN, domingo 25 de junho de 2006

Arte popular resiste nas ruas

Nos próximos dias 21, 22 e 23 de julho acontecerá o 21º Escambo na Praia da Redonda, em Icapuí, no Ceará, com a apresentação de espetáculos teatrais, coreografias de dança, teatro de boneco, show musical, espetáculos circenses, exposições de artes plásticas, exibição pública de cinema, recitais ceno-poéticos e oficinas e vivências de trocas de saberes com mestres populares como Gilberto Calungueiro de Icapuí, Antonio Ferreira do reisado de Sobral-CE e o ator e diretor teatral carioca Amir Haddad, sendo que além dessa programação ocorrerá também a realização do I Festival Reggae da Redonda - Acorde, Levante e Lute! Com a participação das bandas Reldon, Tom do Ceará & A Ponte e A Base.

Mas, o que é Escambo? - A pedagoga e especialista em educação Maria Josevânia Dantas, pesquisadora do movimento Escambo, explica: "O termo escambo era usado na idade média para designar a "troca direta de mercadorias, sem que houvesse mediação de padrão monetário".(Nascentes, 1988: 244). No início da década de noventa, do século XX, surge no Brasil, mais precisamente no interior do Rio Grande do Norte, um movimento de teatro de rua liderado por grupos de artistas populares que resolveram unir-se para socializarem suas produções teatrais e seus conhecimentos sobre esta arte, além de travarem, a partir de então, um diálogo permanente sobre a política cultural do País. A esse processo denominaram escambo. Um conjunto de motivos desencadeia o processo de surgimento do Movimento Escambo. Entre esses motivos podemos destacar: a expansão do teatro de rua no Rio Grande do Norte através da formação de grupos no interior do Estado; a insatisfação da classe artística potiguar, com a política cultural vigente no país e no Estado; e a expressiva ascensão do Movimento Cultural no município de Janduís-RN, que começava a ter visibilidade inclusive a nível nacional".

Durante mais de 16 anos o movimento cultural Escambo existe sem nenhum tipo de apoio oficial, a não ser de pequenas parcerias. Durante esse tempo o grupo vem atuando em vários municípios do Rio Grande do Norte, além dos estados do Pará, Maranhão e Ceará.

Segundo o articulador do movimento Escambo Popular de Rua, Júnio Santos, "Nesse período fizemos escambos viajando de várias maneiras, comendo o que podíamos, mais principalmente levando arte e fomentando a vontade de vê-la e fazê-la nos recantos mais afastados, sítios, assentamentos e periferias. Agora em 2006 chegamos aos trancos e barrancos ao 21 escambo popular de rua e pela primeira vez em nossa trajetória contamos com o apoio e recursos de órgãos como o BNB, através do edital de apoio à cultura, da Petrobras e dos parceiros populares como a COMOV em Fortaleza e a Fundação Brasil Cidadão em Icapuí-CE - entre outras- o que garantirá a participação de mais de 200 artistas populares".

Contonete, de palhaço a padre

Por Leonardo Sodré
Editor Geral

O ator Carlos José da Silva, 29, o "Contonete", é palhaço profissional em Mossoró, mas atua, também, em papéis dramáticos. Atualmente interpreta o padre Mota no espetáculo Chuva de Bala no País de Mossoró. Ele é casado e tem um filho.

Além de trabalhar como palhaço em festas de crianças e adultos, trabalha na revista Papangu na função de PPTO, cargo que segundo ele significa "Pau Para Toda Obra". "Lá eu dirijo carro, faço fotos, contatos de publicidade e qualquer coisa que aparecer", completa rindo. "O nome Contonete é para diferenciar de Cotonete, que é uma marca registrada", explica.

Durante um ano e seis meses participou do elenco do grupo O Pessoal do Tarará, depois esteve na Companhia Escarcéu e por último do grupo Face Oposta. Atualmente atua sozinho fazendo trabalhos de animação infantil e publicidade em carros de som e portas de lojas incorporando o palhaço Contonete.

Sobre o início de sua carreira, conta que começou a atuar como ator aos nove anos no bairro Walfredo Gurgel. "Sempre fui atraído para o lado do humor e no quintal da minha casa fazia, junto com alguns amigos, uma espécie de circo que atraía toda a vizinhança. Tinha até um amigo que andava na corda bamba e soltava fogo pela boca", esclarece.

O COMEÇO - Em 1989 conheceu o ator Cristian, que já trabalhava como palhaço e que tinha ido morar vizinho a sua casa. "Foi uma sorte que tive, porque com ele fiz várias oficinas, junto com mais umas trinta pessoas". Com o tempo o pessoal foi desistindo e somente ele continuou no ramo, sendo que recentemente esteve em São Paulo, fazendo uma temporada no Circo Agnus Dey. Explica que o nome do circo (Cordeiro de Deus) nada tem haver com religiosidade. Apenas o dono gostava do nome. "Conseguiu o emprego porque com cinco dias que estava em São Paulo me encontrei com meu antigo amigo e professor Cristian, e então surgiu a oportunidade de atuar no programa "Nota 10" do apresentador Otávio Mesquita por cinco minutos. Uma espécie de gincana. Queriam um palhaço e me deram uma chance. Fiz uma excelente apresentação e aí o circo me viu", comemorou.

Ele ainda atuou por trinta dias em Goiânia (GO), participando do espetáculo "A Mala dos Mamulengos" antes de voltar definitivamente para Mossoró.

O circo sempre foi o sonho de infância de Contonete, mas quis fazer outras coisas e queria morar em Mossoró. Por isso voltou, "senão, ainda estava por lá. Quem sabe fazendo muito sucesso" relata. Mas queria mesmo era estar em sua terra natal, "onde sou feliz mesmo com todas as dificuldades que passo".

Diz que é o único palhaço da cidade registrado na Delegacia Regional do Trabalho e que também é filiado a Associação Brasileira de Circo e Sindicato dos Artistas e Técnicos de Teatro. Lamenta ter parado de estudar na 8ª série e diz que agora não tem mais tempo para isso. "Eu não devia ter parado de estudar e prometo sempre a mim mesmo que um dia voltarei aos bancos escolares para continuar e até me formar um dia", enfatiza.

Contonete mantém shows prontos para aniversários de crianças e adultos, com malabarismos, mágicas e atirador de facas. Atende pelos fones 3312-3092 e 8846-0630 e pelo e-mail contonete@gmail.com.

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