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Arte
popular resiste nas ruas
Nos próximos dias 21,
22 e 23 de julho acontecerá o 21º Escambo na Praia da
Redonda, em Icapuí, no Ceará, com a apresentação de
espetáculos teatrais, coreografias de dança, teatro
de boneco, show musical, espetáculos circenses, exposições
de artes plásticas, exibição pública de cinema, recitais
ceno-poéticos e oficinas e vivências de trocas de saberes
com mestres populares como Gilberto Calungueiro de Icapuí,
Antonio Ferreira do reisado de Sobral-CE e o ator e
diretor teatral carioca Amir Haddad, sendo que além
dessa programação ocorrerá também a realização do I
Festival Reggae da Redonda - Acorde, Levante e Lute!
Com a participação das bandas Reldon, Tom do Ceará &
A Ponte e A Base.
Mas, o que é Escambo?
- A pedagoga e especialista em educação Maria Josevânia
Dantas, pesquisadora do movimento Escambo, explica:
"O termo escambo era usado na idade média para
designar a "troca direta de mercadorias, sem que
houvesse mediação de padrão monetário".(Nascentes,
1988: 244). No início da década de noventa, do século
XX, surge no Brasil, mais precisamente no interior do
Rio Grande do Norte, um movimento de teatro de rua liderado
por grupos de artistas populares que resolveram unir-se
para socializarem suas produções teatrais e seus conhecimentos
sobre esta arte, além de travarem, a partir de então,
um diálogo permanente sobre a política cultural do País.
A esse processo denominaram escambo. Um conjunto de
motivos desencadeia o processo de surgimento do Movimento
Escambo. Entre esses motivos podemos destacar: a expansão
do teatro de rua no Rio Grande do Norte através da formação
de grupos no interior do Estado; a insatisfação da classe
artística potiguar, com a política cultural vigente
no país e no Estado; e a expressiva ascensão do Movimento
Cultural no município de Janduís-RN, que começava a
ter visibilidade inclusive a nível nacional".
Durante mais de 16
anos o movimento cultural Escambo existe sem nenhum
tipo de apoio oficial, a não ser de pequenas parcerias.
Durante esse tempo o grupo vem atuando em vários municípios
do Rio Grande do Norte, além dos estados do Pará, Maranhão
e Ceará.
Segundo o articulador
do movimento Escambo Popular de Rua, Júnio Santos, "Nesse
período fizemos escambos viajando de várias maneiras,
comendo o que podíamos, mais principalmente levando
arte e fomentando a vontade de vê-la e fazê-la nos recantos
mais afastados, sítios, assentamentos e periferias.
Agora em 2006 chegamos aos trancos e barrancos ao 21
escambo popular de rua e pela primeira vez em nossa
trajetória contamos com o apoio e recursos de órgãos
como o BNB, através do edital de apoio à cultura, da
Petrobras e dos parceiros populares como a COMOV em
Fortaleza e a Fundação Brasil Cidadão em Icapuí-CE -
entre outras- o que garantirá a participação de mais
de 200 artistas populares".
Contonete,
de palhaço a padre
Por Leonardo Sodré Editor
Geral
O ator Carlos José
da Silva, 29, o "Contonete", é palhaço profissional
em Mossoró, mas atua, também, em papéis dramáticos.
Atualmente interpreta o padre Mota no espetáculo Chuva
de Bala no País de Mossoró. Ele é casado e tem um filho.
Além de trabalhar como
palhaço em festas de crianças e adultos, trabalha na
revista Papangu na função de PPTO, cargo que segundo
ele significa "Pau Para Toda Obra". "Lá
eu dirijo carro, faço fotos, contatos de publicidade
e qualquer coisa que aparecer", completa rindo.
"O nome Contonete é para diferenciar de Cotonete,
que é uma marca registrada", explica.
Durante um ano e seis
meses participou do elenco do grupo O Pessoal do Tarará,
depois esteve na Companhia Escarcéu e por último do
grupo Face Oposta. Atualmente atua sozinho fazendo trabalhos
de animação infantil e publicidade em carros de som
e portas de lojas incorporando o palhaço Contonete.
Sobre o início de sua
carreira, conta que começou a atuar como ator aos nove
anos no bairro Walfredo Gurgel. "Sempre fui atraído
para o lado do humor e no quintal da minha casa fazia,
junto com alguns amigos, uma espécie de circo que atraía
toda a vizinhança. Tinha até um amigo que andava na
corda bamba e soltava fogo pela boca", esclarece.
O COMEÇO - Em 1989
conheceu o ator Cristian, que já trabalhava como palhaço
e que tinha ido morar vizinho a sua casa. "Foi
uma sorte que tive, porque com ele fiz várias oficinas,
junto com mais umas trinta pessoas". Com o tempo
o pessoal foi desistindo e somente ele continuou no
ramo, sendo que recentemente esteve em São Paulo, fazendo
uma temporada no Circo Agnus Dey. Explica que o nome
do circo (Cordeiro de Deus) nada tem haver com religiosidade.
Apenas o dono gostava do nome. "Conseguiu o emprego
porque com cinco dias que estava em São Paulo me encontrei
com meu antigo amigo e professor Cristian, e então surgiu
a oportunidade de atuar no programa "Nota 10"
do apresentador Otávio Mesquita por cinco minutos. Uma
espécie de gincana. Queriam um palhaço e me deram uma
chance. Fiz uma excelente apresentação e aí o circo
me viu", comemorou.
Ele ainda atuou por
trinta dias em Goiânia (GO), participando do espetáculo
"A Mala dos Mamulengos" antes de voltar definitivamente
para Mossoró.
O circo sempre foi
o sonho de infância de Contonete, mas quis fazer outras
coisas e queria morar em Mossoró. Por isso voltou, "senão,
ainda estava por lá. Quem sabe fazendo muito sucesso"
relata. Mas queria mesmo era estar em sua terra natal,
"onde sou feliz mesmo com todas as dificuldades
que passo".
Diz que é o único palhaço
da cidade registrado na Delegacia Regional do Trabalho
e que também é filiado a Associação Brasileira de Circo
e Sindicato dos Artistas e Técnicos de Teatro. Lamenta
ter parado de estudar na 8ª série e diz que agora não
tem mais tempo para isso. "Eu não devia ter parado
de estudar e prometo sempre a mim mesmo que um dia voltarei
aos bancos escolares para continuar e até me formar
um dia", enfatiza.
Contonete mantém shows
prontos para aniversários de crianças e adultos, com
malabarismos, mágicas e atirador de facas. Atende pelos
fones 3312-3092 e 8846-0630 e pelo e-mail contonete@gmail.com.
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