Editorias

Política
Esporte
Economia

Polícia

   Cadernos

Cotidiano
Regional
Universo
Mais TV

   Colunas

Laíre Rosado

Emery Costa

Cid Augusto
Márcio Costa
Emerson Linhares
Neto Queiroz
Antônio Rosado
Sérgio Oliveira
Sérgio Chaves
Gomes Filho

  Temáticas

Mundo Digital
Economia
Nossa História
Direito em Pauta
Viver Bem
Cinema em Foco

   Cidades

Apodi
Assu
Caraúbas
Macau
Pau dos Ferros
Região Salineira

  Seções

Editorial
Charge
O Jornal
Assinatura
Expediente
Painel do Leitor
Edições Anteriores
 
 
 
 
 
 
 





 

Na contramão da comédia

Por ROBERTA BRASIL
TV Press

Lavínia Vlasak não quer outra vida. Embora sua personagem Valentine seja uma das mais destacadas em "As Filhas da Mãe", o ritmo de gravações da novela permanece tranqüilo. Para a atriz, acostumada à correria de produções passadas, o fato de trabalhar só quatro vezes por semana é considerado uma bênção. "Estou amando fazer esta novela. Posso dar beijo na boca e levar uma vida normal fora do trabalho", empolga-se. Mas diversão é tudo que sua personagem não tem nesta comédia de Sílvio de Abreu. Ao contrário: Valentine é justamente o contra-ponto que o autor precisava na história.

Seu destino é sofrer até o último capítulo, ainda que eventualmente acabe envolvida em situações tragicômicas. "Toda comédia precisa de um lado sério para ter credibilidade. E esta é a minha função", explica.

Foi o próprio Sílvio de Abreu quem destinou a Lavínia a "função dramática" da trama. Na última semana, a armação do ambicioso Adriano, o amante de Valentine, vivido por Thiago Lacerda - veio à tona e a bela foi abandonada no altar pelo noivo Artur, vivido por Raul Cortez. O autor, que escolheu a dedo seu elenco, escreveu a personagem especialmente para ela. "O texto é delicioso! E o Sílvio prefere criar cenas curtas e boas do que escrever cenas longas que não tenham muito a dizer", elogia a atriz, que nunca escondeu do autor o desejo de fazer uma novela dele.

O fato de dividir o ‘set’ com uma penca de estrelas - que, sozinhas, já protagonizariam uma novela -, é motivo de orgulho para a atriz. Lavínia jura que não existe briga de egos no elenco. "A divisão é democrática. Todo mundo tem o seu espaço e faz cenas legais", garante. A atriz, entretanto, não esconde o fascínio de estar contracenando com Fernanda Montenegro. Afinal, quando criança, a menina de cabelos dourados não descolava os olhos da telinha toda vez que Fernanda aparecia na novela "Guerra dos Sexos", fazendo par com o veterano Paulo Autran - coincidentemente um grande sucesso de Sílvio de Abreu, que foi ao ar em 83. "Quem diria que hoje eu estaria ao lado dela?", derrete-se.

A vontade de ser atriz surgiu na infância, durante as peças que encenava na escola. "Até hoje eu encaro minha profissão como uma grande brincadeira - séria, mas divertidíssima", admite. Os trabalhos como modelo financiaram os cursos de interpretação. Após vários testes, surgiu a primeira oportunidade na tevê. Em 96, Lavínia foi chamada para interpretar Lia, filha de Bruno Mezenga, personagem de Antonio Fagundes na novela "O Rei do Gado", de Benedito Ruy Barbosa. A responsabilidade de assumir um papel de peso, em horário nobre, e logo na sua estréia, quase fez a novata recusar o convite. "Não sabia se estava prepara e tinha medo de me queimar. Mas assumi o risco", revela. Daí por diante, a atriz não parou mais. Trabalhou no "remake" de "Anjo Mau", em 97, numa das muitas fases de "Malhação", no ano seguinte, e em duas produções de época, a minissérie "Chiquinha Gonzaga", e a novela "Força de Um Desejo", ambas em 99.

A estréia nos palcos, entretanto, só veio acontecer no ano passado. Mas foi em dose-dupla. Sob a direção de Pedro Vasconcelos, Lavínia atuou, simultaneamente, numa adaptação do clássico "Romeu & Julieta", de William Shakespeare, e na montagem infantil do "capa-espada" "D’Artagnan e Os Três Mosqueteiros", durante o ano passado. "Sonhava em fazer a Julieta e achei divertidíssimo interpretar uma vilã para crianças. Foi uma estréia e tanto!", valoriza. Voltar a fazer teatro é um desejo da atriz, mas Lavínia prefere fazer um trabalho de cada vez. Mesmo assim, tem planos de retornar ao universo de Shakespeare no futuro. "Quero muito fazer a Lady Macbeth", sonha a bela de olhos rasgados, enquanto brinca com Ataulfo, o Scottish Terrier que divide com ela um apartamento em São Conrado, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro.

 

   

Personagem no divã

Lavínia tem um jeito muito próprio de estudar o perfil das personagens que interpreta. Além dos manjados laboratórios, a atriz gosta de consultar uma psicóloga.

Compreender os conflitos e motivações internas da personagem ajuda Lavínia durante as cenas mais difíceis. "Às vezes simplesmente não sei por quê minha personagem tomaria determinada atitude. Então procuro a resposta no divã. Freud sempre explica", acredita Lavínia, que já pensou até em cursar uma faculdade de psicologia, "só para ganhar tempo".

Mas não é só no divã que a atriz procura inspiração para compor seus personagens. Vilãs ou mocinhas tem sempre uma base no mundo real. Lavínia lembra, por exemplo, que passou um tempo visitando o Instituto Benjamin Constant, entidade carioca dedicada aos deficientes visuais. Tudo para viver uma cega num episódio de "A Turma do Didi" exibido no ano passado. Era uma adaptação do clássico "As Luzes da Cidade", de Charles Chaplin.

 

Instantâneas

# Lavínia fez uma pequena participação no filme "O Mar por Testemunha", uma produção Brasil/Estados Unidos do diretor carioca Gustavo Lipsztein, exibida este ano no "Festival do Rio". No elenco, ao lado dos americanos Henry Thomas e Dominique Swain, estavam Lavínia, Renata Fronzi e José Wilker. As cenas da atriz foram filmadas em Angra dos Reis.

# Na estréia da peça "Romeu & Julieta", no Rio de Janeiro, Lavínia perdeu o punhal com que sua personagem, Julieta, se mataria na mesma cena. Um colega de palco encontrou o objeto e o devolveu disfarçadamente. A atriz jura que ninguém viu.

# Como a dissimulada Alice de "Força de Um Desejo", Lavínia experimentou, em 99, todo o veneno da personagem que era capaz de tudo para destruir o amor do casal protagonista, vivido por Fábio Assunção e Malu Mader.

# Ao contrário do que acontece em "As Filhas da Mãe", Lavínia conta que já participou de produções onde gravava de domingo a domingo. Muitas vezes, ela assistia de noite uma cena que fizera na mesma manhã.

# Entre uma novela e outra, a atriz participou de vários episódios de "Você Decide" e do programa "O Belo e as Feras", de Chico Anysio.

# O sobrenome Vlasak é de origem tcheca. Veio do avô paterno que, no entanto, nasceu na Áustria. Além disso, Lavínia tem ascendência alemã por parte de pai e de mãe. "Sou uma vira-lata", resume.