Banco da Terra fecha para balanço preocupando o
empreendedor rural

LUCIANO OLIVEIRA
Editoria do Regional
regional@omossoroense.com.br

Banco é um importante mecanismo para melhorar as condições da produção ruralREGIÃO OESTE – Instituído em fevereiro de 1998 com o objetivo de contribuir para a quebra do ciclo da exclusão social e gerar emprego e renda no campo, o Banco da Terra está com todos os programas paralisados. Não há previsão do reinício da operacionalização das atividades da instituição.

Segundo informações do setor de implementação de programas do Banco da Terra, em Brasília (DF), as ações do banco foram desativadas para que fosse feito um balanço no âmbito da instituição. Quanto a retomada das operações, o assunto é tratado com reservas. Não há indícios de que a suspensão das operações junto aos empreendedores rurais tenha algo a ver com a mudança de governo na esfera federal, o que traria reflexos em termos regionais.

Uma das missões do Banco da Terra era prover recursos financeiros para o conjunto de programas voltados para o financiamento da compra de imóveis rurais e a implantação de obras de infra-estrutura básica, destinado aos produtores rurais. Sendo um importante mecanismo para otimizar a melhoria das condições da produção rural, a modernização tecnológica, a fixação do homem no campo e a melhoria do seu bem-estar.

Entre as obras de infra-estrutura básica financiadas pelo banco estavam a construção ou reforma de residência, disponibilização de água para consumo humano e animal, construção de estradas, rede interna de eletrificação, abertura, recuperação ou construção de vias de acessos internos e construção ou reforma de cercas. A instituição destacou-se por seu mecanismo inovador, com execução descentralizada é operacionalizado por Agências do Banco da Terra estruturadas pelos Estados ou Associações de Municípios em todas as regiões do País.

Outro aspecto positivo das ações desencadeadas pelo banco, era a flexibilidade e transparência, já que o próprio beneficiário escolhia e negociava, diretamente com o vendedor, a propriedade que desejava comprar para o desenvolvimento da atividade produtiva, seja ela ligada à agricultura, pecuária, turismo rural ou artesanato.

DÚVIDA - Diante da indefinição quanto a retomada de suas ações, o Banco da Terra transforma-se numa grande incógnita para o agricultor, principalmente o empreendedor que qualifica a iniciativa como prioritária para a geração de ocupação e renda no meio rural. Uma  experiência inclusive reconhecida internacionalmente como parâmetro de desenvolvimento agrário.

A grande preocupação do homem do campo é justamente em virtude da chegada das chuvas na região, que embora não caracterize um período invernoso deixa os agricultores otimistas em relação a uma boa safra agrícola. Em algumas localidades essas primeiras chuvas motivam o plantio de culturas de crescimento rápido, como o feijão.

As chuvas trazem também a perspectiva de contratação de empréstimos financeiros para os empreendedores rurais. Eles buscam principalmente o incentivo do governo federal, através de programas voltados para auxiliar o homem do campo, como era o caso do Banco da Terra. Sem essa injeção financeira para o produtor desenvolver seus projetos no campo, fica a incerteza quanto ao bom desempenho das atividades agrícolas no decorrer deste ano.

Produtores têm até 20 anos para pagar financiamento pelo banco

O Banco da Terra transforma, de forma pacífica e ordeira, trabalhadores sem-terra em empreendedores proprietários de suas terras, proporcionando a melhoria da qualidade de vida de inúmeras famílias e o desenvolvimento das regiões onde elas residem.

No financiamento pelo banco os produtores rurais têm até 20 anos para pagar o empréstimo contraído, com até 3 anos de carência, estabelecidos em função da capacidade de pagamento, e os juros são prefixados, em média, em 4% ao ano, considerado o rebate sobre os mesmos.

Têm acesso ao programa trabalhadores que comprovem, no mínimo, cinco anos de experiência em atividade rural e que estejam, prioritariamente, organizados em associações, cooperativas ou condomínios rurais. O imóvel financiado é a garantia real do empréstimo, ficando alienado até o pagamento final.

O Banco da Terra iniciou sua operacionalização a partir de outubro de 1999, tendo beneficiado, passados os primeiros dois anos, cerca de 40 mil famílias de empreendedores rurais em aproximadamente 1.300 municípios do Brasil, numa área de 760 mil hectares. Com execução em 20 Estados, por meio de 65 agências estaduais e regionais, até dezembro de 2001 já havia disponibilizado o montante de R$ 680 milhões.

A perspectiva do Programa Banco da terra, caso seja retomado, é cada vez mais criar oportunidades para que os produtores se fixem no meio rural e tenham condições de aumentar a renda familiar e oferecer um futuro melhor para suas famílias. Capacitar esses empreendedores é tarefa fundamental, pois os mesmos terão chances de gerenciar melhor seu imóvel rural e sua produção, visando assim, a elevação da qualidade de vida e permanência no campo.

 

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Mossoró-RN, quarta-feira, 29 de janeiro de 2003