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 Agência bancária é assaltada outra vez em menos de ano

 Eduardo Thomé.
Da editoria de polícia

BB é assaltado novamente em menos de um anoCAMPO GRANDE – Notada como abandonada há mais de 15 dias pelos poderes públicos que dispensaram a principal autoridade policial da cidade, uma quadrilha composta por mais de sete homens entrou no domicílio urbano, invadiu o principal e único estabelecimento de crédito, a agência do Banco do Brasil, e levou três sacolas com um vasto numerário, quantia esta que até o fechamento desta edição a editoria de Polícia de O Mossoroense não teve conhecimento, haja vista a atual política administrativa adotada pelo órgão.

A quadrilha, composta por mais de sete homens, invadiu a cidade, por volta das 13h10. Inicialmente os assaltantes entraram na via urbana pelo trecho que dá acesso a Janduís, chegaram na delegacia, pegaram o cabo PM Jair Matias da Silva, que estava de plantão, o fizeram refém por momentos e o levaram como escudo até a agência bancária, onde chegando se aproveitaram que estava havendo um ajuste do movimento, levando-se em conta que o banco acabava de encerrar o atendimento ao público, e ratearam todo o apurado.

Na cidade de Campo Grande, a tarde de ontem prevaleceu como de preciso abandono. Tida como uma cidade de porte médio e importante comércio regional, a área urbana se mostrava sem movimento e as pessoas, pela quarta vez, novamente com o medo estampado nos olhos e mentes.

O bando deixou a cidade com o cabo Jair Matias feito refém e o abandonou nas proximidades do Sítio Salgado, entre este município e Upanema. Para fugir os assaltantes usaram uma camionete Mitsubich L-250 de cor lilás. Parte do grupo se encontrava na carroceria do veículo com o rosto acobertado por capuzes.

As buscas na região foram coordenadas pelo bacharel George Davidson, que acumula as funções de delegado regional e municipal da cidade de Patu. Em contato com a reportagem deste jornal, ele disse ainda não dispor de nenhuma pista da quadrilha.

Delegado local estava em Natal
para tomar pose  

CAMPO GRANDE – Uma cidade sem lei. Assim está sendo batizada esta cidade que há cerca de quinze dias se encontra sem um delegado de polícia, tudo decorrente da nova política administrativa imposta pela Secretaria de Defesa  Social (SDS). Coincidentemente ontem, quando o sargento Humberto Nunes da Silva estava em Natal tomando posse como novo chefe de segurança do município, a tragédia veio a ocorrer.

O munícipe João da Silva Freire, que não quis ter sua foto exposta à comunidade, revelou a O Mossoroense que se está aflito, juntamente com a maioria dos moradores da cidade no tocante a falta segurança na cidade. Ele disse que no município, além do delegado, existem apenas dois policiais. “O governo do Estado simplesmente abandonou a região oeste quando se refere à segurança pública”, revelou.

Nesta cidade, com uma densidade populacional superior a oito mil pessoas, persiste o medo e expectativa de que a qualquer momento novas investidas venham a acontecer. “Estamos ao-deus-dará”, disse a dona de casa Vera Lúcia Bezerra, comerciante. Ela relatou que os assaltos ora evidenciados na região tendem a partir de agora a aumentar. “Tiraram de circulação os Centros de Operações Policiais Integradas (COPIs), então a região está completamente nas mãos das quadrilhas de assaltantes. A Secretaria de Defesa Social (SDS), através de seu coordenador, precisa com urgência adotar providências”, relatou.     

Helicóptero da SDS sobrevoa região, mas não surte efeito

CAMPO GRANDE – Um helicóptero de propriedade do governo Estado e uso exclusivo da Secretaria de Defesa Social (SDS) foi enviado à região uma hora depois do assalto ter sido registrado. Toda a área adjacente ao município foi vistoriada do alto, num vôo rasante que terminou sem êxito. Mais uma vez polícia foi driblada pelo crime organizado.

Na agência do Banco do Brasil os sinais da destruição ficaram marcados. Toda a vidraça da porta de entrada, recomposta após o último assalto em quatro de novembro do ano passado, foi destruída pelos projéteis das carabinas em poder dos assaltantes.

O gerente da agência bancária, que se identificou como Marcos, destratou a imprensa não querendo dar informações sobre o que realmente aconteceu. O Mossoroense e outros meios de comunicação sofreram censura, ao contrário dos assaltantes que invadiram o estabelecimento causando enorme constrangimento.

A superintendência regional do BB, que funciona em Mossoró, a exemplo de Natal, adota uma estratégia que é a de não informar o montante subtraído a cada assalto que acontece na entidade financeira.

 

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Mossoró-RN, sábado, 29 de março de 2003