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George Wagner
Consolidado
como uma das maiores e melhores vozes em radialismo potiguar, o
comunicador George Wagner, que no próximo dia 17 completará trinta
e nove anos de idade, ele que já trabalha como profissional de rádio
há mais de duas décadas, é o entrevistado de hoje em nosso caderno
Universo. Neste bate-pato descontraído que mantivemos nos estúdios
da 93 FM, ele conta de seus começos na profissão, de suas conquistas
e de pessoas que contribuíram com o seu sucesso. Fala, ainda, sobre
sua vida particular, das suas alegrias e dos momentos difíceis da
carreira, do gosto pelas horas noturnas e da satisfação de atenuar
o cansaço do cotidiano com a “prosa” entre amigos em uma mesa de
bar: “Eu bebo todo dia, mas não bebo o dia todo”. Confira um pouco
da trajetória desse profissional da comunicação, ele que, de segunda
a sexta-feira, das 15 às 17 horas, apresenta pela FM Resistência
o ‘Programa George Wagner’, expondo os quadros ‘Arquivo da 93 (flashback)’
e ‘As Mais Pedidas’ da programação. Já no sábado, das 13 às 16 horas,
ele comanda o seu popular ‘Brega Total’. Eis a história desse areia-branquense
que está em Mossoró desde os oito anos de idade.
Por MARCOS FERREIRA
O MOSSOROENSE – Para além do seu numeroso público ouvinte, quem é o comunicador George Wagner, da FM 93,7?
GEORGE WAGNER – Sobre essa primeira pergunta, assim de maneira bem resumida, eu posso dizer o seguinte: meu nome completo é George Wagner Leite Dantas. Sou natural do município potiguar de Areia Branca. Nasci no dia 17 de maio de 1964. Estou agora com 38 anos de idade e vim para Mossoró por volta de 1975, quando eu devia estar com oito ou nove anos. Sou herdeiro de José Dimas Dantas (já falecido) e de Maria do Socorro Leite Dantas, sendo o segundo filho de uma prole de sete irmãos e há 21 anos me anuncio nesta profissão de locutor de rádio.
OM – Onde e como foi o seu início na área de radiocomunicação?
GW – Comecei a trabalhar em rádio no ano de 1981. Minha estréia aconteceu na Rádio Difusora de Mossoró, ainda que de maneira um tanto informal. É que antes disso eu trabalhei fazendo locução em carro de som. Esse trabalho foi a convite do radialista e ex-vereador J. Belmont, que contratava nomes importantes da música nacional para uma temporada de quatro ou cinco dias em apresentações por algumas cidades do interior. Minha participação nesse projeto se deu quando aqui recebemos para uma turnê o saudoso cantor Antônio Marcos. Então, eu viajei pelo interior divulgando os shows que Antônio Marcos faria. Nessa oportunidade, nós percorremos até algumas cidades do Ceará, como foi o caso de Jaguaruana, Tabuleiro do Norte, Jaguaribe, Limoeiro e Aracati. Logo que retornei dessa excursão, Belmont me convidou para participar do programa dele, que era “Belmont Comunica Show”, na Rádio Difusora.
OM – Então foi J. Belmont quem lhe trouxe para esse ramo?
GW – Exatamente. Ele viu em mim algum talento para esta função e me disse: “Você deve buscar o seu espaço nesse meio. Seu irmão já trabalha em rádio (referindo-se a Paulo Wagner, que hoje apresenta um programa na TV Ponta Negra) e você tem condições de fazer sucesso no setor”. Nisso, fui participar do programa de Belmont, atuando como uma espécie de âncora. Belmont falava nos patrocínios e aí eu ia lendo cada um, fazendo a publicidade dos patrocinadores. Depois disso, eu apresentei o quadro “O Mundo Maravilhoso dos Sonhos”, ainda no programa de Belmont. O ouvinte ligava contando o que sonhou e eu procurava interpretar o significado daquele sonho, mas sempre de mão de um livro que me dava as informações específicas ou aproximadas para cada situação. A partir daí, eu procurei me firmar como profissional de rádio. Nesse período surgiu na Difusora uma vaga para a função de noticiarista. A emissora promoveu um concurso e eu fui aprovado entre cerca de quarenta candidatos.
OM – Além de Belmont, com quem mais você trabalhou nesse período?
GW – Depois que assinei minha carteira como noticiarista na Difusora, eu trabalhei ao lado de profissionais como Juarez do Xerém, J. Pereira, com o saudoso José Maria Madri, que eu gostava de ouvir e que depois tive a satisfação de tornar-me um amigo bastante próximo. Éramos bons palestrantes nas horas recreativas de mesa de bar. E não é porque hoje ele seja falecido, mas se tratava mesmo de um profissional de mão cheia, dono de uma voz espetacular. Outros que também já faleceram e que foram meus colegas de trabalho são Laércio Marinho e Luiz Carlos Bessa, que me influenciaram de forma muito positiva. Dos que, felizmente, estão vivos, eu ainda destaco Givanildo Silva, com quem aprendi muita coisa enquanto noticiarista do rádio AM. Ele entrou para a equipe da Rádio Difusora no ano de 1983. Eu era assim uma espécie de fã do colega Givanildo. Outro daquela época que eu gostava de ouvir os comentários era Emery Costa, na Rádio Rural de Mossoró, além do companheiro Carlos Augusto, que hoje se encontra na Rádio Verdes Mares AM, de Fortaleza. Foi outro que me incentivou a seguir a profissão. Nós fomos criados praticamente juntos e ele, que é irmão do narrador esportivo Evaristo Nogueira, sempre teve uma palavra de incentivo para eu enveredar pela profissão.
OM – Você sempre se sentiu encantado pelo trabalho de locutor de rádio?
GW – Nem sempre. Um pouco antes do meu contato com a locução em carro de som e de ter passado a atuar como locutor, o que mais me seduzia era o teatro. Eu tive uma experiência muito proveitosa que foi junto ao grupo de teatro amador do Sesi de Mossoró, onde fiz curso de dicção, de expressão corporal e participei de algumas várias peças importantes, onde tive como diretores teatrais Jasiel Figueiredo e Iremar Leite, o autor da canção ‘Santo de Barro’. No curso de dicção, foi minha professo a notável Ivonete de Paula. Essa minha atividade no meio teatral contribui de maneira muito positiva para a minha estréia na comunicação radiofônica, principalmente porque os exercícios de dicção me proporcionaram um melhor aproveitamento da voz na hora de me dirigir ao público ouvinte, como também a questão de não me sentir embaraçado para lidar com uma audiência tão expressiva como a da Rádio Difusora, pois já comecei numa emissora de ponta e entre muitos profissionais de grande nível, a exemplo dos que citei há pouco.
OM – Qual a avaliação que você faz da época em que você começou para os dias de hoje? Era mais difícil naquele tempo?
GW – Além das dificuldades referentes ao suporte técnico das emissoras, existia muita restrição e o profissional de rádio tinha que esperar bem mais tempo para ser reconhecido financeiramente na sua profissão. Hoje o campo de trabalho está bem mais aberto. Só de FMs comunitárias em Mossoró já é possível contar cerca de vinte. No tempo que iniciei, existiam apenas quatro emissoras de rádio em Mossoró e todas estas eram AM. Mas ainda não havia nenhuma com freqüência modulada (FM). No que dizia respeito à parte técnica, era tudo muito mais difícil, era uma trabalheira enorme. Agora a gente já trabalha com tudo informatizado, com MP3 e muitas outras vantagens que a tecnologia favorece. Para você gravar um simples comercial desses que a gente roda atualmente, era uma mão-de-obra impressionante. Primeiro você tinha que fazer um tipo de montagem em fitas K-7, passando de uma gravação para a outra até atingir a qualidade necessária. E o curioso é que, na época, a gente mal reparava nessas dificuldades. Após essa fase, veio o que chamamos de cartucheira, uma espécie de cartucho que era usado e quando acabava ele já ficava no ponto para rodar outra vez. Isso era coisa vista como um grande avanço na modernização daquele tempo. Daí veio o MD, que facilitou cada vez mais. Por isso, não dá nem para comparar os recursos de agora com a problemática daquele tempo. Para se ter uma idéia, era impraticável para o locutor apresentar qualquer programa sem a assistência técnica de um operador de áudio. Hoje, com o advento da informática, já nos e possível desempenhar as duas atividades ao mesmo tempo, sem dificuldade alguma.
OM – No que diz respeito à presença das rádios comunitárias ou mesmo piratas na disputa pelo espaço comercial da radiofonia, você vê isso como um prejuízo para as emissoras legalizadas?
GW – Essa é uma questão bastante polêmica e conflitante, mas eu acho que, apesar de muitas dessas emissoras estarem em falta com as normas legais para atuarem, elas também desempenham um papel que julgo importante para o crescimento do setor, principalmente na abertura do campo de trabalho. Penso em quanta gente não deixou de seguir uma carreia nesse meio porque não teve nunca uma oportunidade de mostrar ou ampliar seu potencial em função desse espaço ser muito restrito e concorrido. E o que acontece hoje é exatamente o contrário. Essas rádios vêm possibilitando a muita gente as chances de exporem suas capacidades e talentos, de conquistarem seus espaços em emissoras regularizadas e de grande audiência. Até por que o que vai definir o nível de audiência de uma rádio não é uma simples concessão para atuar no setor, mas sim a estrutura que a esta possua e o nível profissional daqueles comunicadores e demais pessoas que integram o seu quadro humano. Então, eu vejo que essas rádios não regularizadas vêm também favorecendo o surgimento de novos talentos na área. Alguns dos maiores destaques de hoje são oriundos desses veículos em situação irregular. Os exemplos estão aí para quem quiser conferir.
OM – Após atuar na Difusora, onde mais você trabalhou?
GW – Eu deixei a rádio em 86, quando fui para Curitiba e casei. Deixei Mossoró nessa época justamente devido ao casamento. Conheci aqui uma pessoa que veio com a família em busca de petróleo. Eles não encontraram o ouro negro, mas ela me achou e me levou para Curitiba. E lá eu trabalhei noutros setores diferentes da locução. Eu fazia gravações de comerciais em estúdio para serem apresentados nas rádios. Era um trabalho ao lado do companheiro Sidney Campos. Depois, eu recebi uma proposta para retornar à Difusora e voltei para a rádio. Aí eu permaneci até 1987, quando saí para trabalhar no jornal Gazeta do Oeste com Givanildo Silva no departamento de jornalismo. Mas fiquei por pouco tempo nesse trabalho. Com uma semana que eu estava cumprindo pautas no jornal, eu fui acidentado e o trabalho foi interrompido. Tive que fazer um tratamento muito longo em Fortaleza e esse projeto foi mesmo arquivado. Quando voltei, no ano de 1988, foi justamente quando a rádio FM Resistência estava formando a sua equipe de profissionais. Aí eu mandei um currículo e fui chamado. E ocorreu de eu ser a primeira voz a ser transmitida ao vivo pela Resistência, visto que o meu programa era o primeiro da manhã, veiculado na antiga freqüência 94,1.
OM – O seu programa ‘George Wagner’ é reconhecidamente uma das maiores audiências de todo o rádio mossoroense. Houve algum programa que você apresentou que não obteve uma aceitação tão boa por parte do ouvinte?
GW – Eu gostaria até de aproveitar a oportunidade para externar meu agradecimento a todo esse público maravilhoso que me tem prestigiado ao longo desses vinte e um anos de profissão, pois sempre contei com a simpatia e a audiência do ouvinte em todos os programas que apresentei. No ‘Forrozão de Mossoró, por exemplo, eu cheguei a atingir o índice de 75% da preferência do ouvinte. Só estive mesmo na mais completa rabeira da comunicação quando a FM firmou contrato com a Rede SomZoom Sat, época em que fiquei apenas operando comercial, executando a parte técnica dos controles.
OM – Não apenas como grande comunicador do rádio local, você tem outra característica que lhe acompanha: a de ser um boêmio. Você se sente um representante da boemia, um ser notívago?
GW – Eu bebo todo dia, mas não bebo o dia todo (risos). Mas é verdade. Por mim, existiria apenas noite. Não gosto muito do dia, não. À noite o clima é outro, é menos quente, menos desgastante, é quando todos os gatos são pardos e todas as lagartas são borboletas. Porque a noite é justamente a compensação pelas dificuldades e apuros de um dia corrido e cansativo. É quando o trabalhador termina de cumprir a sua jornada longa de trabalho e pode encontrar alguns amigos para uma conversa informal e amistosa numa mesa de bar, por exemplo, onde se bebe alguma coisa e se esquece um momento do aluguel vencido, do preço do pão, da carestia, enfim. Pois é coisa muito rara eu dormir antes da meia-noite. Mesmo quando acontece de eu chegar cedo em casa, eu não vou logo dormir. Ligo a televisão e aí vou até altas horas. Quase sempre vou dormir por volta das duas ou três horas da madrugada. Por isso, então, não é de se ignorar que eu passe a manhã toda dormindo.
OM – Vem dessa sua atração pela noite o gosto de usar sempre roupas pretas ou escuras?
GW – Alguém me disse uma vez que a roupa preta disfarça o excesso de peso e eu acreditei. Daí que está com mais de três anos que eu praticamente só uso roupa preta. Mas a verdade é que eu gosto do preto, me sinto bem vestindo o preto, que também acho que tem tudo haver com a noite, com a simbologia do ser boêmio, noturno. A poetisa portuguesa Florbela Espanca afirmou num de seus versos que tinha raiva à luz e horror à claridade. E eu acho que é mais ou menos por aí a minha preferência pela sombra e a penumbra.
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Mossoró-RN, domingo, 27 de abril de 2003