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Fratura
política
Depois
de brincar com as fraturas de membros do
governo, mas em conseqüência da pelada semanal
na Granja do Torto, a grande imprensa começa
a mostrar uma outra fratura, bem mais grave
politicamente falando. Trata-se da disputa
pelo poder, com ministros e líderes políticos
em posições antagônicas. Usando da sabedoria
política adquirida ao longo dos anos,
o senador José Sarney, advertiu o presidente
Lula que agisse com rapidez, ou correria
o risco de perder o controle político do
seu governo. Atualmente, 70% das determinações
presidenciais não são cumpridas. Com os
ministros falando línguas diferentes da
do presidente da República. Por isso mesmo,
uma reforma administrativa é tão urgente
e necessária quanto as reformas tributária,
política e da Previdência Social. O ministro
Antonio Palocci é o mais visado de todos.
Considerado o ministro mais forte do governo
Lula, desagrada sua base aliada ao se mostrar
entusiasmado com os elogios do FMI à política
econômica da atual administração. O modelo
de desenvolvimento pregado pelos partidos
que compõem a base aliada foi totalmente
esquecido. Semana passada, o ministro Ciro
Gomes criticou a reforma tributária, como
está sendo encaminhada ao Congresso Nacional.
Depois, o senador Aloízio Mercadante, um
cinco estrelas do PT, defendeu o fim do
câmbio livre, desafiando o ministro Palocci.
E, foi mais adiante declarando, textualmente,
que pode fazer declarações bombásticas para
impedir a queda do dólar e conseqüente valorização
do real. O presidente Lula parece impotente
em relação a esses fatos. A Reforma da Previdência
será o ponto nevrálgico da autoridade partidária
pois, com a base aliada desunida, dificilmente
conseguirá votos nos partidos oposicionistas.
Outro problema político é a desconfiança
entre os aliados que ajudaram a formar,
apoiaram ou fazem parte do partido dos trabalhadores.
A Igreja Católica, por exemplo, programa
grande mobilização nacional para quarta-feira,
dia do trabalhador, contra a taxação dos
servidores inativos. Se governar é escolher,
e escolher é excluir (Peter Drucker), o
governo Lula fez sua opção que está indo
de encontro aos antigos ideais do seu partido.
Nesse choque poderá haver fraturas e, algumas
delas, sem possibilidade de tratamento médico,
mesmo sendo médico o ministro da Fazenda.
Amanhã, os projetos de reforma estarão chegando
ao Congresso. Parlamentares governistas
que discordarem serão convidados a mudar
de partido. Trata-se de um momento muito
delicado e o governo precisa saber com quem
pode contar. Espera-se que as reformas sejam
votadas até o final de outubro, tempo suficiente
para convencer os mais rebeldes. Mas,
como recomendou José Sarney, é preciso ter
pulso forte para ganhar a parada. Depois,
a situação ficará incontrolável e o governo
terá perdido sua grande oportunidade de
mostrar que veio para promover mudanças,
mesmo divergindo do antigo ideário político.
BANCO
DA TERRA
Com quase
metade dos recursos repassados pelo Banco
Mundial, o Banco da Terra movimentou R$
680 milhões e beneficiou 30.878 famílias
que compraram mais de 500 mil hectares de
terras em 17 estados.
EXTINÇÃO
Por conta
de irregularidades detectadas em alguns
dos convênios, o governo comunicou que vai
extinguir o Banco da Terra. Por que não
corrigir as irregularidades e continuar
com um programa que recebe recursos externos?
PORTO
O TCU descobriu
irregularidades no projeto de construção
do porto de Natal. Pediu à Cia. Docas do
Rio Grande do Norte a realização de estudo
para comprovar a viabilidade econômica e
necessidade das obras.
FOME
ZERO
Para
o sociólogo Alain Touraine, “as favelas
do Rio e SP abrigam, no presente, mais flagelados
que todo interior do Nordeste reunido...
desse modo, a sorte do governo Lula se jogará
nas grandes cidades- e não no campo”; Com
mais de 20 ex-governadores, o Senado gostaria
de ver a discussão da Reforma Tributária
ser iniciada por aquela casa. Entretanto,
não vai brigar com a Câmara por essa condição.
No tempo das vacas gordas, o Orçamento da
Previdência financiou obras faraônicas.
Hoje, a fatura está sendo cobrada dos aposentados.
O consumidor brasileiro está com o cinto
mais apertado do que nunca.
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