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Ainda
sobre CPI
A base aliada do governo
foi precipitada na condução do processo de instalação
da CPI do Apagão. As comissões de inquérito são constituídas
quando requeridas por um terço dos parlamentares, garantindo-lhes
a possibilidade de investigar com poderes próprios das
autoridades judiciais, além de outros previstos no Regimento.
Essa exigência mínima evita que as maiorias parlamentares
passem por cima dos blocos minoritários, impedindo esse
tipo de fiscalização. O arquivamento da solicitação
da CPI, transferiu o assunto para o âmbito do STF, que
reconheceu o direito constitucional do pedido, determinando
sua instalação imediata. O vexame teria sido evitado
com o atendimento ao que preceitua o Regimento da Câmara.
O governo fez de tudo
para evitar essa instalação, tida como inevitável. Em
casos semelhantes, os líderes dos partidos aliados costumam
pressionar os parlamentares para que não subscrevam
o requerimento. Quem já assinou, pede para retirar o
nome, contanto que o número exigido seja atingido. Derrotado
na manobra, tentou o uso da força, engavetando a solicitação.
O resultado foi mais desastroso. O Senado, temendo que
a CPI não fosse criada na Câmara, decidiu criar uma
outra, considerando que o ambiente era favorável a esse
processo. Com a decisão do STF, o governo terá de acompanhar
duas CPIs, e não uma Comissão Mista de senadores e deputados.
Isso dará mais trabalho para controlar o andamento da
CPI.
É provável que a exemplo
do que aconteceu nas anteriores, a CPI do Apagão vire
palanque político. Ainda está na lembrança a CPI dos
Bingos, que terminou sendo chamada de CPI do Fim do
Mundo. Atingido o objetivo político, que era derrubar
o ministro Antonio Palocci, não houve preocupação em
discutir e votar as três propostas apresentadas pela
comissão. Na CPI, alguns dos seus membros ficam envaidecidos
com os holofotes que lhe são dirigidos. O Apagão é como
a ponta de um iceberg. O acidente com o avião da Gol
serviu para justificar a solicitação. A preocupação
do governo vai além do péssimo atendimento aos passageiros
das empresas aéreas. A rota traçada pretende mesmo é
desembarcar na Infraero, acusada de superfaturar as
obras dos aeroportos.
Pela decisão do Supremo
Tribunal Federal (STF), a CPI tem que ser instalada
imediatamente. Na prática, isso deverá acontecer depois
do feriado de 1º de Maio. O PMDB, mais novo aliado do
presidente Lula, por ser o partido que reúne o maior
número de deputados, deverá indicar o presidente da
Comissão. Sendo cumprido o regimento, o presidente escolhido
terá a responsabilidade de escolher o relator. Quem
solicita a CPI tem direito a indicar algum cargo de
comando, o mesmo estando sendo solicitado pelo bloco
constituído pelos partidos oposicionistas. De uma maneira
ou de outra, com a maioria dos seus membros, a base
aliada terá o controle da CPI. Aliás, comenta-se que
a oposição, se pudesse, desistiria da idéia.
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