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Tráfico cor-de-rosa: realidade e exploração feminina na venda de drogas

 

Mayara Amorim
mayara.amorimf@gmail.com.br

O chefe da Delegacia Especializada em Narcóticos (Denarc) em Mossoró, Dennys Carvalho, chamou atenção para uma "ironia" dos tempos modernos. Faltando apenas dois dias para dar início ao mês das mães - símbolo maior das mulheres - em Mossoró dezenas de prisões em flagrante foram expedidas contra mulheres. "Tanto a Polícia Civil, quanto a Militar e a Federal apresentaram mulheres como traficantes. Talvez o mês de maio possa servir para que outras mulheres comecem a pensar nesse novo contexto e examinar se estão sendo inseridas na sociedade ou explorada por ela, ao se ver inclusa num quadro prisional da cidade", declarou o delegado.

Dennys explicou que para o surgimento dessa realidade pode-se observar dois pontos: A mulher contemporânea está cada vez mais despontando junto aos homens um espaço e assim também passa a ocupar as bocas-de-fumo e/ou ao se ver sozinhas, muitas vezes com os companheiros presos por tráfico ou outros envolvimento criminais, vêem no tráfico a única forma de ganhar a vida, além da proposta do dinheiro fácil que o cargo de "mula" (pessoa encarregada de realizar o transporte da droga) que é preterido para mulheres.

"Até o esquema da PF que localizou todo um grupo que agia fortemente como tráfico na região, foi desenrolado com prisões de diversas mulheres. Aqui na Delegacia de Narcóticos, elas não são mais novidade. No mínimo mensalmente sai uma condenação ou prisão de mulher envolvida em tráfico", declarou o delegado Dennys Carvalho.

O tema "mulheres nas prisões" está tão evidente, que até a revista de nível nacional Caros Amigos chegou a afirmar que "elas estão no cárcere e o cárcere não está preparado para elas. Idealizado para o macho, o cárcere não leva em consideração as especificidades da fêmea. Faltam absorventes. Não existem creches. Excluem-se afetividades. Celas apertadas para mulheres que convivem com a superposição de TPMs, ansiedades, alegrias e depressões".

Seguindo mais adiante na mesma publicação a revista cita que "assim como na sociedade, no cárcere o espaço da mulher ainda é precário. O sistema é masculino na sua concepção e essência. Em Caicó (RN) não existe penitenciária feminina. As mulheres presas são alojadas numa área improvisada dentro da unidade masculina. Em Mossoró, mulheres presas, ainda sem sentença, aguardam julgamento numa área minúscula dentro da cadeia pública masculina. A presença improvisada das mulheres cria problemas legais e acarreta insegurança para servidores penitenciários quanto a garantia da segurança geral e da integridade física das mulheres".  

Em contato direto da equipe de reportagem do O Mossoroense com algumas apenadas da cidade, foi registrado que entre a maioria dos relatos das meninas do tráfico potiguar o envolvimento teve início com os namorados, que após serem presos traficando repassam às companheiras o comando da boca-de-fumo.

Segundo informações do major Alvibá, diretor do Complexo Penitenciário Agrícola Mário Negócio (CPAMN), na penitenciária da cidade, ele destinou algumas celas para o alojamento dessas mulheres, possuindo até mulheres com filhos. "Temos uma detenta que está com o filho aqui. A idade máxima de permanência dele na penitenciária já foi superada, que é de seis meses de vida. Ele está com uns três anos. Agora o que posso fazer? Não podemos liberá-la, lá fora não há quem cuide dele. Chamamos o Conselho Tutelar para acompanhar o caso e damos o máximo de assistência médica para o garoto", declara o major.

Tráfico ocupa 80% das prisões de mulheres nas cadeias de Mossoró

Pelo crime, considerado hediondo, são condenadas a penas que variam de três a 15 anos de prisão. Além das milhares detidas em todo o país, estatísticas mostram que há mais de 500 brasileiras acusadas de tráfico de drogas em prisões européias. O recrutamento de mulheres no exército do tráfico está, cada vez mais, ocupando espaços sociais, inclusive nas penitenciárias. Isso também é evidenciado em Mossoró, onde mais de 80% das presas são condenadas ou acusadas de tráfico, sendo a maioria flagradas na atuação de "mula".

Mesmo não possuindo um glamour social, essa conquista feminina - ocupando espaços também nas celas e cadeias - desmonta a problemática da falta de locais específico para essas mulheres encarceradas. Como a demanda de mulheres está inchando nos últimos anos, as penitenciárias estão cada dia mais necessitando de espaços para o acondicionamento dessas mulheres. Em Mossoró, não há nenhum local específico para a prisão das condenadas. Estas são arranjadas em celas separadas pelos diretores dos presídios locais.

 

 

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