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Bruno Barreto brunobarreto@omossoroense.com.br
O presidente do Tribunal Regional
Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE/RN), desembargador
Cláudio Santos, deixou a entender que é favorável a
fidelidade partidária, falou sobre as dificuldades enfrentadas
pelo tribunal e disse que a fiscalização nas eleições
será a mais rigorosa dos últimos tempos. Ele também
criticou as constantes alterações nas regras eleitorais.
O Mossoroense: O senhor já tem
um posicionamento a respeito dessa decisão do TSE de
que os mandatos pertencem aos partidos políticos?
Cláudio Santos: Eu não posso
emitir opinião sobre fatos que eu possa vir a julgar
amanhã. Há muita coisa para se discutir a respeito,
como a questão sobre quem é competente para julgar esses
problemas: se é a Justiça Comum ou é a Justiça Eleitoral.
Primeiramente tem que saber quem vai julgar isso. Segundo,
precisamos saber se é o partido que vai ter a legitimidade
para tirar o mandato de seu ex-filiado ou se é a coligação
pela qual o parlamentar foi eleito. Depois também numa
outra discussão, tendo em vista que tudo isso vai ser
discutido no STF, é o fato de que não há muita democracia
interna nos partidos brasileiros. Cada caso precisa
ser analisado separadamente, porque pode ser que haja
uma razão para que uma pessoa peça desligamento do partido
para se desfiliar de um partido. Essa questão da falta
de democracia interna nos partidos brasileiros é uma
realidade.
OM: Já tivemos duas cassações em
Pau dos Ferros e outras devem surgir em outras cidades
do Rio Grande do Norte. O TRE já estaria preparado para
analisar o assunto?
CS: O TRE sempre está preparado
para atender a qualquer recurso.
OM: Mesmo desse tema que anda meio
confuso?
CS: Sem dúvida. Na hora que
cair qualquer ação desse tipo no TRE nós vamos examinar,
estudar e resolver isso com a maior brevidade possível.
Inclusive, dizendo se é da nossa competência ou não,
julgar esse tipo de ação porque está tudo ainda muito
tumultuado no Brasil, e fora porque foi uma decisão
do TSE que pegou todo mundo de surpresa. Embora haja
uma lógica jurídica na questão da fidelidade partidária.
O voto proporcional não um voto pessoal. Isso só ocorre
nas eleições majoritárias. Então há uma lógica jurídica
nos fatos, mas vamos aguardá-los, e as ações que chegarão
ao nosso conhecimento para a gente poder tomar uma decisão
que é nossa obrigação. Não podemos nos furtar a decidir
sobre esse assunto.
OM: O presidente da Câmara Municipal
de Mossoró disse que consultará o TRE caso algum partido
queira o mandato. Essa atitude é adequada?
CS: Não se pode fazer consulta
sobre caso concreto. A consulta tem que ser sobre fatos.
Aí nós temos que vê como será formulada essa consulta.
Passaremos para o relator e ele estuda e leva ao plenário
e os sete membros do TRE decidem o que fazer a respeito.
Pode ser até que eles digam que não é da competência
do TRE, e sim da Justiça Comum. São sete cabeças e a
gente não sabe como será o resultado de nenhuma ação.
OM: Como magistrado o senhor vê
a necessidade de uma reforma política?
CS: Sem dúvida. Nós promovemos
na semana passada pela primeira vez na Justiça Eleitoral
do Rio Grande do Norte um seminário com, um dos maiores
constitucionalistas do país, doutor Alexandre Morais,
do Conselho Nacional de Justiça. Eu defendo uma reforma
política que proporcione uma legislação estável e duradoura
que possa durar pelo menos dez, quinze anos sem ninguém
mexer. Até porque os políticos, os verdadeiros protagonistas
da política, possam ter um norte mais firme, mais claro.
Até mesmo para as pessoas que trabalham na eleição como
o pessoal do marketing que a toda eleição é sacudido
por uma novidade. Precisamos acabar com isso de a cada
eleição termos uma regra diferente. Para você o exemplo
de uma regra que tínhamos uma lei que pesquisas eleitorais
só poderiam ser divulgadas até 15 dias antes da eleição
e uma decisão do Ministro do Supremo botou a lei abaixo
ao afirmar que até no dia pode. Isso causa uma insegurança
jurídica. Precisamos de estabilidade na legislação para
que os tribunais possam trabalhar com mais tranqüilidade,
possam ter um norte, uma jurisprudência firme e convicções
a respeito desses assuntos.
OM: Esse clima de insegurança jurídica
atrapalha o funcionamento do TRE?
CS: Não, mas tem trazido muitas
incertezas. Muitas decisões que são mudadas em seguida.
O que o Brasil precisa é de regras firmes e duradouras.
Lei boa para mim é lei antiga. Lei quanto mais antiga
melhor é porque ela vai sendo vivida, vai sendo sociabilizada
com mais tranqüilidade pelos juízes e pelos tribunais.
OM: Dessas cassações de prefeitos
relacionadas a 2004 ainda falta alguma?
CS: Não. A pauta não vai ficar
limpa porque nós temos 18 processos no Tribunal Eleitoral
e outros tantos processos na primeira instância. O que
acontece? Os juizes vão julgando, os que perderam vão
recorrendo para o tribunal que tem que apreciar em segunda
instância. Nos processos que estão no tribunal que tratam
de cassação de prefeitos pode ser que todos sejam cassados
e pode ser que não seja nenhum. Cada processo é um caso.
Pode ser que até o final de maio tudo indica que estejamos
limpando essa pauta atual. Eu não sei, precisamente,
quantos processos a gente tem no interior, porque o
corregedor geral vai apresentar na quinta-feira que
vem um relatório de todos os processos pendentes nas
zonas eleitorais, inclusive, vamos tomar algumas atitudes
com os juízes que não julgaram dentro do prazo de 90
dias que a gente deu para julgar. Eu acredito que o
tribunal vai firmar uma posição a respeito e nós queremos
agilizar porque não é uma justificativa plausível
para esses processos de 2004 que não foram julgados.
A opinião pública não aceita, os candidatos não aceitam,
os que se sentem prejudicados não aceitam e eu como
presidente do tribunal não aceito. Temos que dar satisfação
à opinião pública e as pessoas que procuram a justiça.
Nós temos a obrigação de julgar e julgar com celeridade.
OM: Em alguns blogs do Estado consta
que o TRE irá julgar nas próximas semanas a senadora
Rosalba Ciarlini por conta de supostas irregularidades
na campanha. Procede essa informação?
CS: No TRE me parece que com
relação a senadora existem três processos que estão
com os relatores. Eu não sei, precisamente, quando esses
processos vão ser julgados, mas eles serão julgados.
Eu não sei se é esse mês ou mês que vem. O presidente
não pode mandar o relator julgar. Ele pode sugerir,
incentivar, mas não pode determinar porque depende do
relator por em pauta o julgamento.
OM: Hoje a gente pode afirmar que
a Justiça Eleitoral atingiu um bom grau de eficiência?
Ou ainda falta agilidade?
CS: Eu reconheço que falta
mais agilidade, mas dentro das limitações de minhas
atribuições eu tenho feito o máximo para que a Justiça
Eleitoral seja um exemplo, muito parecido de como é
o Tribunal de Justiça hoje. A gente julga no TJ em no
máximo 90 dias. A Justiça Eleitoral precisa dar o bom
exemplo, inclusive, para as eleições municipais do ano
que vem vamos agir com muito mais rigor do que nas últimas
eleições. Aí nós vamos realmente trabalhar com todas
as regiões. Vamos fazer reuniões em Mossoró quando estiver
perto, assim como em todas as cidades para que a gente
possa alertar os candidatos, para depois ninguém dizer
que foi surpreendido com cassações de registro, de candidatura
e compra de votos. Esse tipo de coisa que vamos inibir
violentamente nos meses que vão anteceder as eleições
de 2008.
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