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Mylena Fiori Enviada especial
Santiago (Chile) - O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva encerrou a agenda de trabalho em
Santiago e seguiu para Buenos Aires, onde tem encontro
com o presidente Nestor Kirchner. A última atividade
foi um encontro fechado de cerca de uma hora com empresários
brasileiros e chilenos.
Um dos compromissos do presidente
foi na sede latino-americana da Organização das Nações
Unidas para Agricultura e Alimentação, quando defendeu
os biocombustíveis. “Ao contrário do que dizem alguns
críticos mal-informados, os biocombustíveis não apresentam
qualquer risco para a segurança alimentar das nações
mais pobres, desde que desenvolvidos de forma criteriosa,
de acordo com a realidade de cada país”, afirmou.
“Tenho insistido muito no desenvolvimento
dos biocombustíveis como instrumentos de geração de
renda nos países do Sul. O etanol e o biodiesel, além
de fontes energéticas limpas, renováveis e baratas,
podem constituir resposta eficaz para o desafio de combater
a pobreza”, disse o presidente, que participou também
da sessão de encerramento da edição latino-americana
do Fórum Econômico Mundial.
Brasil e Chile assinaram na sexta-feira
nove acordos nas áreas de turismo, ciência e tecnologia,
política para mulheres, saúde, diplomacia, Presidência,
biocombustíveis e exploração de petróleo e gás.
Durante a visita à FAO, Lula firmou
memorando de entendimento com o órgão para cooperação
em políticas públicas de combate à fome e participou
do lançamento da Iniciativa para América Latina e Caribe
de Combate à Fome e à Pobreza. Assinou também memorando
com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe
(Cepal), para desenvolvimento econômico, social e ambiental
da região.
O presidente pediu ainda sensibilidade
dos países ricos para redução de subsídios agrícolas
nas negociações da Rodada Doha da Organização Mundial
de Comércio (OMC), a fim de que as nações mais pobres
tenham maior competitividade nas transações internacionais.
Brasil e Chile firmam parceria
para maior segurança energética na região
Preocupados com a escassez de energia,
Brasil e Chile comprometeram-se a atuar em conjunto
no desenvolvimento de negócios e projetos em todos os
setores da indústria de hidrocarbonetos e energia, especialmente
nos setores de biocombustíveis, gás natural liquefeito
e exploracão da Plataforma Pacífica. Acordo nesse sentido
foi fechado entre a Petrobras e a estatal chilena Enap
durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
ao Chile. Os dois países também firmaram memorando de
entendimento para promoção de projetos binacionais de
pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis.
“Vamos cooperar para dar maior segurança
energética aos nossos países, gerando empregos e contribuindo
para a proteção do meio ambiente”, disse Lula após a
assinatura dos acordos. Durante visita ao escritório
para a América Latina da Organização das Nações Unidas
para Agricultura e Alimentação (FAO), o presidente reiterou
o potencial da produção de biocombustíveis como intrumento
para criação de emprego e renda.
A criação de corredores de exportação
ligando os portos do Atlântico e do Pacífico foi outro
tema tratado pelo presidente Lula em seu encontro de
trabalho com a presidente chilena Michelle Bachelet.
Em declaração conjunta, os dois países comprometeram-se
a analisar todas as alternativas de concertividade no
curto, médio e longo prazos – o tema deve ser tratado
em reunião marcada para junho entre as chancelarias
e os ministérios de Planejamento e de Obras Públicas
dos dois países. A saída pelos portos do Pacífico facilitaria
o escoamento de produtos do sul do Brasil, do norte
da Argentina e da parte central do Chile para a Ásia.
Diversos outros temas das agendas
bilateral e internacional foram tratados por Lula, Bachelet
e ministros dos dois países. Ao todo, foram assinados
nove acordos em diferentes áreas. Um convênio na área
de Previdência permitirá que brasileiros radicados no
Chile contem como tempo de servico, para fins de aposentadoria,
os anos trabalhados no país vizinho, e vice-versa. Na
área de saúde, firmaram memorando de entendimento para
co-operação em áreas como financiamento, regulação de
sistemas de saúde, regulamento sanitário internacional
e formação de recursos humanos, educação e capacitação.
Para incentivar o turismo bilateral, lançaram a rota
Pantanal – deserto de Atacama. Também foram firmados
convênios ns áreas de educação, ciência e tecnologia,
política para mulheres e diplomacia.
Na esfera multilateral, Lula e Bachelet
reafirmaram o compromisso com a reforma das Nações Unidas
– Bachelet reiterou o apoio do Chile à aspiração brasileira
por uma vaga permanente no Conselho de Seguranca da
ONU. Também destacaram o papel do G20 nas negociações
da Rodada Doha, da Organizacao Mundial do Comércio,
e fizeram um apelo conjunto para que todos os países
flexibilizem posições no sentido da efetiva liberalização
do comércio de produtos agrícolas.
Parceiros na Missão das Nações Unidas
para Estabilização do Haiti, Brasil e Chile ressaltaram
a importância dos esforços regionais em favor da reconstrução
e do desenvolvimento socioeconômico do Haiti. Nesse
sentido, convocaram as instituições e países doadores
para que cumpram com seus compromissos de transferência
de recursos para o Haiti.
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