Mossoró-RN, domingo 29 de abril de 2007

 

O silêncio das palavras

Eu queria escrever palavras que acalentassem meu coração, mas não as encontro. Palavras de fim de mundo, de apocalipse, de dias finais.

Existem horas em que palavra alguma soa melhor que um mundo inteiro delas, palavras de silêncio total, de abismo medonho, de distância sem fim.

São estas que carrego hoje, estas de vontade de sumir, de procurar abrigo nos raios da lua, de dizer tudo sem dizer nada.

Certamente que hoje sou ausência, então me perdoem o enrolar da língua e este emaranhado de nada sobre nada. É assim que me sinto.

Tenho construído meu mundo sob alicerces muito frágeis e meus castelos de areia precisam ser reconstruídos de tempos em tempos.

Tem sido assim, um eterno recomeçar por entre ondas bravias e teimosas. Elas que tanto dizem me amar, eu que tanto amo e odeio.

Não encontrarei palavra que caiba neste vazio que hoje me habita, e já disse tanto. Este momento é de silenciar, de regar o verbo para momentos futuros. Qualquer dizer agora será perigoso para a alma e para o coração.

Se entendes o que eu digo, sinta-se feliz, não foi esta a minha intenção. Hoje, no amanhecer do meu sorriso, nada há senão dúvida sobre qualquer coisa que eu deva calar.

...et cetera e coisa e tal...

A revista Caros Amigos fará uma matéria especial sobre duas grandes editoras independentes do Brasil. A primeira, a Luzeiro, maior editora de cordéis do país. A segunda, uma tal de Coleção Mossoroense, que, a trancos e barrancos, tenta sobreviver aos dias pós Vingt-un. O santo de casa não obra milagres mesmo.

Já citei aqui mesmo neste espaço e repito: há três meses, a Coleção Mossoroense enviou cerca de 50 cartas a empresários e políticos de toda a Mossoró pedindo apoio ao seu trabalho editorial. Não passaram de 5 (cinco) os que se mostraram sensíveis à causa cultural de nossa gente. Viva a "capital brasileira da cultura"!

Cotar o nome do pesquisador Raimundo Soares de Brito para ocupar uma cadeira na Academia Norte-rio-grandense de Letras a esta altura da sua vida não passa de um grande ato de demagogia. Há muito Raibrito merece estar entre os imortais do Estado. Agora, que o mestre já sente o peso da idade lhe bater nos lombos a homenagem se torna tardia. Esta é minha opinião.

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