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O silêncio das palavras
Eu queria escrever palavras que acalentassem
meu coração, mas não as encontro. Palavras de fim de
mundo, de apocalipse, de dias finais.
Existem horas em que palavra alguma
soa melhor que um mundo inteiro delas, palavras de silêncio
total, de abismo medonho, de distância sem fim.
São estas que carrego hoje, estas
de vontade de sumir, de procurar abrigo nos raios da
lua, de dizer tudo sem dizer nada.
Certamente que hoje sou ausência,
então me perdoem o enrolar da língua e este emaranhado
de nada sobre nada. É assim que me sinto.
Tenho construído meu mundo sob alicerces
muito frágeis e meus castelos de areia precisam ser
reconstruídos de tempos em tempos.
Tem sido assim, um eterno recomeçar
por entre ondas bravias e teimosas. Elas que tanto dizem
me amar, eu que tanto amo e odeio.
Não encontrarei palavra que caiba
neste vazio que hoje me habita, e já disse tanto. Este
momento é de silenciar, de regar o verbo para momentos
futuros. Qualquer dizer agora será perigoso para a alma
e para o coração.
Se entendes o que eu digo, sinta-se
feliz, não foi esta a minha intenção. Hoje, no amanhecer
do meu sorriso, nada há senão dúvida sobre qualquer
coisa que eu deva calar.
...et cetera e coisa
e tal...
A revista Caros Amigos fará uma matéria
especial sobre duas grandes editoras independentes do
Brasil. A primeira, a Luzeiro, maior editora de cordéis
do país. A segunda, uma tal de Coleção Mossoroense,
que, a trancos e barrancos, tenta sobreviver aos dias
pós Vingt-un. O santo de casa não obra milagres mesmo.
Já citei aqui mesmo neste espaço
e repito: há três meses, a Coleção Mossoroense enviou
cerca de 50 cartas a empresários e políticos de toda
a Mossoró pedindo apoio ao seu trabalho editorial. Não
passaram de 5 (cinco) os que se mostraram sensíveis
à causa cultural de nossa gente. Viva a "capital
brasileira da cultura"!
Cotar o nome do pesquisador Raimundo
Soares de Brito para ocupar uma cadeira na Academia
Norte-rio-grandense de Letras a esta altura da sua vida
não passa de um grande ato de demagogia. Há muito Raibrito
merece estar entre os imortais do Estado. Agora, que
o mestre já sente o peso da idade lhe bater nos lombos
a homenagem se torna tardia. Esta é minha opinião.
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