Segmentos inteiros podem ser afetados com CIP 

CRISTIANO ROJAS
Repórter de Economia
rojas@omossoroense.com.br

A partir de fevereiro, a prefeitura de Mossoró poderá abocanhar ao mês até R$ 132,66 dos consumidores não residenciais através da Contribuição Econômica para o Custeio dos Serviços de Iluminação Pública (CIP), onerando com isso os setores produtivos.

A CIP pode provocar desaceleração no ritmo de crescimento industrial do município, que seria eventualmente causado por uma redução no consumo de energia elétrica como forma de amortecer custos gerados pela imposição da taxa de iluminação.

Mossoró conta com 435 consumidores industriais. Em alguns segmentos, como no caso da indústria salineira, a energia elétrica chega a representar até 70% dos custos, sendo dessa forma fundamental ao processo produtivo.

ENERGIA – Para o empresário Renato Fernandes, da Refimosal, indiscutivelmente o acréscimo da CIP na conta de energia trará prejuízos ao segmento. “A energia é vital em todo o processo de beneficiamento do sal”, comenta.

As conseqüências da CIP acarretarão impactos também na próspera indústria de beneficiamento de castanha de caju, que não vê saídas para diluir mais um entreposto à produção.

Assim como na indústria do sal, a utilização da energia elétrica é indispensável ao processo de separação, cozimento e embalagem das amêndoas de castanha destinada ao mercado interno e externo.

 “Claro que isso afeta nossas metas de crescimento”, confirma Raimundo Fernandes, gerente de RH e Gestão da Qualidade da Aficel,  primeira fábrica de beneficiamento de castanha de caju do mundo a receber o selo ISO 9001/2000.

RECADO – Em nome da direção da Aficel, Raimundo Fernandes acrescentou ainda que uma taxação na conta de energia apenas desestimula os novos e possíveis investimentos previstos em curto prazo.

O recado do setor produtivo, portanto, é bem claro. A idéia de pagar por um serviço considerado indivisível, como é o caso da iluminação pública, não agrada nem um pouco.

Ambos os segmentos contribuem significativamente para o superávit das exportações do Estado. Os dois segmentos industriais detêm 12,51% de participação na balança comercial potiguar.

Juntos geram mais de 20 mil postos de trabalho, contribuem para a distribuição de renda e a manutenção dos empregos no interior do Estado, sem falar na enorme carga tributária que já são obrigados a pagar. 

 

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Mossoró-RN, quinta-feira, 30 de janeiro de 2003