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Paulo Locatelli

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MItnick: um hacker de volta à Web

Kevin Mitnick (C), que já foi o mais procurado criminoso de computador da história americana, fez sua reentrada no mundo da Internet depois de oito anos. Foi na tarde do dia 22, nos estúdios do programa de televisão Screen Savers. Acompanhado por Steve Wozniak (E), que além de hacker lendário é um dos criadores da Apple, Mitnick acessou primeiro o blog da sua namorada e, depois, diversos sites ligados à tecnologia como Wired News, Slashdot e The Register. O adesivo da campanha “Free Kevin” (Libertem Kevin) foi rasgado por ele e, invertido, estava colado na tampa do notebook: “Kevin Free” (Kevin livre).

Alemães criam software de
reconhecimento de música

Os avanços tecnológicos transformaram a indústria da música para o bem ou para o mal, mas a tecnologia poderá agora ajudar os desafinados a cantarem melhor.

A solução está em um software desenvolvido pelo Instituto Fraunhofer da Alemanha, criador do popular formato de compressão de áudio digital MP3.

O programa chama-se Query by Humming e é um tipo de software de reconhecimento de canções que está sendo exibido esta semana na conferência de música Midem, em Cannes. O software consegue identificar uma canção pelo título e compositor apenas ouvindo uma pessoa cantar em um microfone.

Representantes do Fraunhofer dizem que várias empresas estão desenvolvendo produtos de reconhecimento do canto e que a concorrência pelo melhor produto é acirrada.

Curiosos visitaram o estande do Fraunhofer para experimentar o produto. Um deles cantou The Tide is High, de John Holt, popularizada por Blondie e por Atomic Kitten. De uma lista com dez respostas, o programa acertou na segunda, um resultado bom, considerando-se que o cantor avisou que era desafinado.

O software exibe a estrutura da melodia, identificando as notas e alertando o cantor sobre os lugares em que ele desafinou, ao comparar os resultados com seu banco de dados de canções.

O Fraunhofer diz que o programa é útil para lojas de música e para músicos, que podem compor suas músicas cantando, deixando o trabalho de escrever as notas para o computador.

UOL defende a isonomia na
Internet e desafia iG

O diretor de Conteúdo e Tecnologia do UOL, Victor Ribeiro, desafiou o provedor iG a apresentar publicamente seus balanços e demonstrações financeiras. “O UOL gasta anualmente mais de R$ 300 milhões com a prestação dos serviços, a maior parte com acesso”.

O diretor do UOL disse também que os contratos existentes entre o UOL e a Embratel foram enviados ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em novembro de 2000. Os mesmos documentos também foram enviados à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) na época, por liberalidade do UOL.

Motivo - O portal iG publicou ontem (22/1) reportagem extemporânea, na qual recupera documento divulgado há seis meses pela Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda). O documento recomendava isonomia da Embratel a todos os provedores de Internet do mercado brasileiro em relação às condições oferecidas ao UOL.

”O iG falar de isonomia é falar de corda em casa de enforcado”, reagiu Ribeiro. “Todo mundo sabe que acesso à Internet é telefone fixo. Que telefone fixo é monopólio das teles. Embratel é o ‘outsider’ tentando competir. Sem possuir infra-estrutura de acesso, a Embratel pratica preços acima dos de mercado.”

O executivo insistiu no fato de que a Embratel não possui uma ação sequer do UOL e não tem qualquer interesse em subsidiá-lo. “É uma relação dura entre cliente e fornecedor.” O UOL tem como acionistas principais Folha e Abril. O iG é controlado por acionistas da Telemar.

Para Ribeiro, o fato de a Telemar ser a proprietária da infra-estrutura de rede fixa de telefone em quase metade do território nacional “é o que possibilita o subsídio a sua subsidiária iG”.

”Diferentes em tudo” - O UOL tem a transparência de uma companhia de capital aberto. Os números financeiros são públicos e submetidos trimestralmente à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). O UOL sempre publica balanços anuais nos principais jornais brasileiros. O UOL jamais recebeu repasse de receita da Embratel. O UOL sempre defendeu a igualdade de condições para a contratação de infra-estrutura de acesso à Internet, monopólio das três operadoras de telefonia fixa.

A situação do iG é oposta. Trata-se de uma companhia de capital fechado. A empresa nunca publicou um balanço em jornal, seus números nunca foram acessíveis à CVM e sempre foram trancados a sete chaves. O iG sempre defendeu o “sumidouro de tráfego”, artifício para desviar receitas de uma operadora de telefonia fixa exclusivamente à sua subsidiária de Internet.

O proprietário do iG, detentor de 99,99% de seu capital, é uma empresa com sede no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, chamada Internet Group (Cayman) Ltd. É necessário transpor um complicado emaranhado de sociedades para se chegar a seus controladores, os grupos GP Investimentos, Andrade Gutierrez Telecomunicações e La Fonte. Em suma: todos os acionistas do iG Cayman são controladores da Telemar.

Telemar e iG assinaram contrato de repasse de receita da operadora para o provedor. Telemar fornece gratuitamente ao iG portas de acesso à Internet e serviços de Datacenter (ambos prestados para terceiros a preços de mercado), além de repasse em dinheiro.

A Telemar sofre denúncias na Anatel pela falta de isonomia no tratamento dos provedores de Internet. A Abranet (Associação dos Provedores de Internet) pediu ao Cade que não aprove a compra do iG pela Telemar, a menos que a Telemar dê condições isonômicas a todos os provedores.

”As atuais regras da Anatel determinam que os recursos provenientes das tarifas sejam destinados à telefonia fixa. Ficaria feliz se, em vez de subsidiar um provedor, a Telemar cortasse em 50% o preço da ligação do orelhão”, disse o diretor-presidente da Abranet, Roque Abdo.

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Mossoró-RN, domingo, 26 de janeiro de 2003