Mossoró-RN, domingo 30 de janeiro de 2011

 

NAS VEIAS DA RELIGIOSIDADE POPULAR, UMA HISTÓRIA DE FÉ E FLAGELAÇÃO

Por Nilberto Costa

O município de Luís Gomes tem nas entrelinhas de sua história a religiosidade popular como um tesouro a ser preservado. Dentre as riquezas deste tesouro está a memória do Grupo de Penitentes da Vila São Bernardo, distrito localizado a 5km da sede do município.

Os Penitentes tem origem na tradição regional das práticas populares do Nordeste, tendo seu início na segunda metade do século XIX na região do Cariri cearense, onde em Juazeiro do Norte, graças aos conselhos do padre Cícero Romão Batista, um grupo de pessoas se reunia para fazer penitências por meio da autoflagelação. Esse ritual ocorria quando os componentes da irmandade se cortavam usando um instrumento de penitência: "a disciplina", espécie de chicote com lâminas de ferro numa das extremidades, que eram jogadas sobre as costas dos membros como ritual de reparação pelos pecados. Em Juazeiro esse ritual ocorria na frente de capelas e cemitérios e em cruzeiros encontrados nas estradas.

Na Vila São Bernardo, situada na zona rural do município de Luís Gomes, o Grupo de Penitentes se reunia nas casas de família, junto a um oratório, ou em cruzes encontradas nas estradas. Dois lugares merecem destaque na realização dessas penitências: uma pequena ermida (capela) localizada próximo à Serra de São José (a maior serra do estado do RN em extensão) na comunidade rural de Minhuns, na divisa com o município de São Miguel, hoje em ruínas, e o ALTO DO TABOR (nome supostamente baseado no monte bíblico onde Jesus se transfigurou, na comunidade conhecida como Alto do Tambor, talvez variação linguística de Alto do Tabor).

O ALTO DO TABOR foi o palco principal dos rituais de oração e penitência da Vila São Bernardo, onde as pessoas se flagelavam pedindo a Deus perdão por seus pecados e um bom inverno, pois os rituais aconteciam em épocas de seca. Essa história está presente na memória das pessoas mais velhas daquela comunidade, como: Dona Antonia Jorge, Dona Lucília Fonseca, Simão Bernardo de Araújo, entre outros que em sua memória revivem e ressignificam a história, as orações, os benditos (cantos) e toda a emoção da religiosidade popular que marca a iden-tidade cultural da Vila São Bernardo e do município de Luís Gomes.

...et cetera e coisa e tal...

Foram pagas as parcelas em atraso de um convênio entre a Prefeitura de Mossoró e a Fundação Vingt-un Rosado para a manutenção do projeto editorial da Coleção Mossoroense. Registre-se.

Ainda é de total indefinição os rumos da Fundação José Augusto, depois da criação da Secretaria Extraordinária de Cultura. No meio pergunta-se ainda o que muda na Lei Câmara Cascudo, até quando pode se apresentar, ou mesmo se ainda é possível apresentar projetos?

Doar a vítimas de enchentes tem sido uma constante a cada ano. O problema é que muitas destas doações são desviadas, surrupiadas por atravessadores, o que causa tristeza e revolta em quem, de boa-fé, tem a intenção de ajudar.

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