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Filme “Carandiru”, de Babenco,
assume parcialidade

É brutal a força de “Carandiru”. Uma força cinematográfica, que vem da imagem, e que se faz complementar à força do livro em que o filme se baseou, o extraordinário “Estação Carandiru”, de Drauzio Varella.

Ao lado dos volumes do colunista da Folha Elio Gaspari sobre a ditadura militar (“As Ilusões Armadas”) e do de Paulo Lins sobre a vida em meio ao tráfico (“Cidade de Deus”), “Estação Carandiru” é um dos mais importantes esforços literários para uma compreensão da história atual.

Num trabalho de fôlego mais modesto do que os de Gaspari e Lins, mas de resultado não menos contundente, o médico Drauzio Varella se fez escritor e recriou as histórias que ouviu e testemunhou no período em que foi voluntário de um programa de prevenção à Aids no presídio.

O resultado foram pequenas narrativas incríveis, relatadas com linguagem objetiva, e o oferecimento de um novo ponto de vista para o massacre do Carandiru, quando 111 presos foram mortos por forças policiais durante uma rebelião, em 1992.

Nas páginas do livro, as histórias envolvem o leitor. Elas são quase como se fossem “causos”, até mesmo pelo fato de Drauzio ter se dado o direito de recorrer ao álibi da ficção. Mas “Carandiru”, o filme, mantendo o álibi, perde essa dimensão de quase-mito.

Principalmente para os que leram o livro recentemente, o fim da projeção de “Carandiru” pode trazer uma ponta de decepção. No caminho de um livro para um filme, afinal, há sempre perdas. Mas a sensação se dissipa quando se percebe que as imagens de “Carandiru” se recusam a ir embora. Elas persistem, voltam em ocasiões inesperadas, passam a fazer parte da memória. Sinal de que o filme é uma obra em si.

Enquanto o livro tem importância concreta, sem que tenha feito de Drauzio Varella um artista, o filme é, inegavelmente, a obra de um autor, um sujeito (no sentido amplo) que tem uma história para contar e um ponto de vista sobre ela, identificando-se com a narrativa. “Carandiru” é um filme que assume sua parcialidade em todos os sentidos.

Babenco se enxerga nos párias, nos rejeitados, nos sobreviventes e é daí, exclusivamente, que nasce a possibilidade de (re)existência desses personagens. É como se ele fizesse suas “Memórias do Cárcere”, sem que precisasse ter estado preso. O próprio autor já admitiu que “Carandiru” é a continuidade (e não a continuação, por favor) de “Pixote”: é como se fosse o retrato do futuro daqueles meninos abandonados. (E é possível, aliás, que esteja nesse ponto a origem do maior problema de “Carandiru”: o personagem com menos credibilidade é o único que não pertence ao universo da prisão, o narrador da história, interpretado por Luiz Carlos Vasconcelos.)

Entre as imagens de “Carandiru” que já podem entrar para uma antologia do cinema da retomada estão o show de Rita Cadillac, o jogo de futebol ao som do Hino Nacional e o próprio massacre (além de imagens documentais que encerram o filme e que não descrevo aqui para não diminuir seu impacto). Entre as histórias contadas, não há o que se destacar. São todas fortíssimas. “Carandiru” é, ainda, uma sucessão de grandes interpretações, de rostos consagrados ou desconhecidos.

O novo projeto de Pierce Brosnan

O ator Pierce Brosnan, atual James Bond, vai quebrar um pouco a rotina cinematográfica para viver um ladrão no seu próximo filme. Ele está no elenco de “After the Sunset”, escrito pelo roteirista de TV Paul Zbyszewski, da série “Weakest Link”, não exibida no Brasil. A história da nova produção revela um assaltante (Brosnan) numa espécie de jogo de gato e rato com um agente do FBI. E o ator parece não descansar, pois já tem outro roteiro acertado para atuar na produção independente “Laws of Attraction”, onde atuará ao lado de Julianne Moore.

Estréia de The Amazing Spider-Man é adiada

Está tudo certo, aparentemente, para o início das filmagens de The Amazing Spider-Man, no dia 12, com a presença de seu protagonista, Tobey Maguire. O ator, que teria problemas nas costas e estaria muito cansado, parece estar pronto para o trabalho, inclusive para as cenas de ação. Ainda assim, a produção da fita parece ter previsto alguns atrasos nas filmagens. <´p>A data de estréia do filme foi adiada de 7 de maio de 2004 para 2 de julho de 2004, logo antes do feriado do Dia da Independência dos Estados Unidos. Os dois meses de atraso vão garantir mais tempo ao diretor Sam Raimi e ao estúdio Columbia Pictures para finalizar o segundo filme da franquia.

As filmagens de Homem-Aranha 2 vão começar em Nova York. Se não estiver pronto, Maguire deve ser substituído por Jake Gyllenhaal, namorado da atriz Kirsten Dunst, que faz o papel da namoradinha do fotógrafo Peter Parker, Mary Jane Watson. No elenco do novo filme também está Alfred Molina, no papel do vilão Otto Octavius, conhecido como Doutor Octopus ou Doc Ock.

Columbia já prepara “Homens de Preto 3”

Com o sucesso de Homens de Preto 2 no ano passado, a Columbia Pictures já prepara um terceiro longa-metragem protagonizado pelos agentes K e J. O roteiro do novo filme está atualmente em desenvolvimento, se baseando em um argumento preparado pelo próprio Will Smith. A presença de Barry Sonnenfeld, diretores dos filmes anteriores da série, já está garantida, por exigência dos astros Will Smith e Tommy Lee Jones. Ainda não há previsão sobre quando estarão sendo iniciadas as filmagens do 3º filme, bem como quando ele estará chegando aos cinemas.

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Mossoró-RN, domingo, 30 de março de 2003