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Roberto
Freire acredita em mudanças no país
através do governo Lula
LUÍS
JUETÊ Da Editoria de Política
O
presidente nacional do Partido Popular Socialista
(PPS), deputado federal Roberto Freire (PE),
esteve ontem em Mossoró participando do
congresso regional, idealizado pelo diretório
local da sigla, na Câmara Municipal de Mossoró.
O evento
foi prestigiado por lideranças partidárias
das mais diversas correntes ideológicas,
além de representantes de entidades comunitárias
e dirigentes sindicais de Mossoró e também
da região oeste do Rio Grande do Norte,
que aproveitaram o evento alusivo às comemorações
de fundação do Partido Comunista Brasileiro
(PCB) – agremiação partidária que antecedeu
o PPS.
Roberto
Freire fez um discurso bastante aplaudido,
no plenário lotado do Palácio Rodolfo Fernandes,
sede do Legislativo mossoroense. Ele fez
uma avaliação da conjuntura política nacional,
com ênfase à situação da Região Nordeste.
Ele ressaltou
que o PPS em âmbito nacional viveu um paradoxo
durante o último pleito eleitoral. Freire
explicou que apesar da derrota do candidato
da sigla à Presidência da República no primeiro
turno, ao contrário do que a própria executiva
previu, houve um fortalecimento no PPS e
várias partes do país, aumentando inclusive
o número de deputados, senadores e vereadores.
Ele ressaltou também a importância das lideranças
de Wellington Barreto, que dirige a sigla
em Mossoró e também do deputado Wober Júnior,
que preside o PPS no Estado. “O PPS está
com uma presença marcante aqui no Rio Grande
do Norte e creio que crescerá ainda mais”,
asseverou Freire.
O dirigente
nacional do PPS também falou em seu discurso
sobre as propostas do partido para reforma
tributária além do apoio irrestrito ao governo
de Luiz Inácio Lula da Silva.
O Mossoroense
– Qual a avaliação que o sr. faz deste início
do governo Lula?
Roberto
Freire – Apenas cem dias é muito pouco.
Um governo que pretenda mudar este país,
não vai, talvez, prenunciar as fundamentais
mudanças em cem dias de governo. Por isso,
a minha avaliação é muito positiva, porque
há a grande expectativa e isso ainda permanece
e também há um pouco da história do Lula,
que indica que nós poderemos ter grandes
mudanças e o PPS pensando assim, não está
embarcando nem entrando nesta idéia de um
seminário para avaliar os cem dias. Nós
criamos a idéia de um seminário que irá
avaliar os 1.390 dias que ainda faltam.
OM – A
composição política do governo Lula, pode
vir a prejudicar o andamento de alguns projetos
importantes para o país?
RF – Pelo
contrário. Talvez o que esteja prejudicando
é o fato do PMDB ainda não ter integrado
a base de sustentação do governo. Para se
fazer mudanças, como as reformas do Judiciário,
da Previdência, o governo precisa ter o
apoio de 3/5 dos votos, e para isso é preciso
ter uma boa base de sustentação. Eu diria
até que nós temos uma base insuficiente,
nós precisamos da integração do PMDB.
OM – Como
o senhor avalia o programa Fome Zero?
RF – Eu
faço uma análise muito preocupada dessa
política compensatória. Eu acho que essa
preocupação com a fome, com a pobreza, é
algo muito importante. Claro, é importante
colocar em discussão e debate essa dura
realidade brasileira. Existem aqueles que
passam por uma tremenda dificuldade, aqueles
que são deserdados e excluídos. Como nordestino,
o que eu espero do governo Lula é uma política
de desenvolvimento para a região.
OM – A
presença de Ciro Gomes no Ministério da
Integração Nacional é um fator positivo
para a Região Nordeste?
RF - Ciro
é um político muito competente. Eu acho
que ele irá ajudar muito o governo Lula.
Ele está em um ministério que tem graves
deficiências, inclusive sofreu com um contingenciamento
e isso atingiu sobremaneira as emendas parlamentares
e no Ministério da Integração, todas as
suas verbas advinham dessas emendas parlamentares.
Com o contingenciamento houve um corte muito
grande, mas Ciro é muito competente para
mesmo na escassez fazer uma boa administração.
Nós do PPS estamos confiantes nisso.
OM – Qual
o modelo de reforma previdenciária defendida
pelo PPS?
RF – O
partido já apresentou o seu projeto e não
é de hoje. É um projeto que eu apresentei
ainda no governo de Fernando Henrique, quando
se começou a discussão. A base do nosso
projeto é que não cabe manter um sistema
de repartição simples ou seja, você arrecada
e com o que você arrecada você paga. Não
se trata da idéia de cortar direitos. Os
direitos devem ser garantidos, o que se
pode cortar são determinadas injustiças.
OM – Quais
seriam essas injustiças?
RF – Por
exemplo: quem se aposenta, ganha mais do
que quem está na ativa. Tem que se saber
que o aposentado permanece no sistema, tem
que ser solidário, ele inclusive tem a pensão
que ele pagou para ser beneficiário. Portanto,
ele pagar não tem problema nenhum. Aqui
no Brasil é que se criou uma celeuma tremenda
em relação a isso, eles vão continuar ganhando
o que ganhavam na ativa. Em todo o lugar
do mundo é assim e não sei porque no Brasil
tem que ser diferente. Eu não gosto dessa
originalidade, isso não dá certo. Não é
cortar direitos, é mudar o sistema de repartição
simples para um sistema de capitalização.
Até porque, com a capitalização eu posso
criar no Brasil outros grandes fundos de
pensão como hoje do Banco do Brasil e da
Petrobras e que são instrumentos importantes
até para a economia brasileira e garante
para os aposentados a integralidade quando
da aposentadoria, da reforma, quando da
inatividade. Portanto, é um projeto que
eu acredito que poderá atender bem a necessidade
de se fazer a reforma e ao mesmo tempo se
garantir os direitos dos trabalhadores e
dos servidores.
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