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Queda-de-braço
dos juros altos
No episódio
deste mês de maio da queda-de-braço pela
manutenção, ou não, da política de juros
altos, o presidente do Banco Central, Henrique
Meirelles, quis testar se estava de
pé o pacto-compromisso que fez com
o presidente Lula para aceitar assumir
o cargo.
Deputado
federal eleito pelo PSDB de Goiás, Meirelles
teria, por exigência da lei, que renunciar
definitivamente ao mandato na Câmara —
sem direito a arrependimento —
para poder assumir a presidência do
BC. Fosse por um mês, fosse por 4 anos.
Como nunca rezou na cartilha do PT e como
sabia que o cargo é de confiança do presidente;
sujeito à pressões políticas e às mudanças
de humor do mercado, cuidou da própria estabilidade
no emprego.
Pactuou
com Lula e os expoentes do PT — que
encontravam dificuldades para fechar um
nome digerível pelo mercado — que
aceitava a função desde que o BC fosse completamente
autônomo já no início do novo governo. Henrique
Meirelles conseguiu mais. Conseguiu obter
o compromisso e a garantia de que o governo,
com sua maioria no Congresso Nacional, encaminharia
e faria aprovar a transformação do Banco
Central em órgão totalmente independente
do poder executivo. Mais ainda: com mandato
fixo para toda diretoria e que o presidente
do BC passaria a ser indemissível. Nem mesmo
o próprio presidente da República poderia
demitir o indicado durante o mandato estabelecido
em lei.
Pois bem,
desde que assumiu, Meirelles defendeu
e conseguiu convencer Lula e os membros
da equipe econômica do governo, em
manter a equivocada política de juros altos
do governo FHC. Nas reuniões mensais do
Comitê de Política Monetária do BC (COPOM)
é obvio que prevalece sua opinião, respaldada,
também é óbvio, pelo Palácio do Planalto.
É balela afirmar que Lula não tem conhecimento
prévio do percentual estipulado pelo BC
para a Taxa Selic.
Neste quinto
mês consecutivo de juros altos, Meirelles
resolveu fazer um tour de force com seus
críticos internos e externos e manteve a
Selic nos estratosféricos 26,5%, sem
nem ao menos indicar viés de baixa para
junho... Bateu de frente com muita gente
graúda de dentro e de fora do governo. Entre
os que chiaram o vice-presidente da República,
José Alencar, publicamente; e o braço direito
de Lula, o ministro-chefe da Casa Civil,
José Dirceu, que reclamou dos juros para
militantes do PT, sem saber que a reunião
estava sendo gravada por uma emissora de
TV. Meirelles ganhou a parada. Ganhou o
round. Está prestigiado por Lula e o pacto
de autonomia do BC mantido. Ganhou Meirelles,
perderam a Nação e os brasileiros !!
Sem duvidar
da competência dele, é preciso que se diga
que a visão da Economia, os interesses e
o pensamento de Meirelles são diferentes
dos empresários e dos trabalhadores. Comunga
ele, que foi presidente mundial do Banco
de Boston, como é de todo natural, com o
ideário e os interesses dos banqueiros.
Tanto é assim que o único segmento da sociedade
que defende, de forma unânime, a atual
política de juros é o dos bancos e instituições
financeiras. Raciocinem comigo: se Lula
tivesse escolhido para presidente do BC
um diretor da FIESP ou um economista do
Dieese, é óbvio que qualquer um dos dois
— cristalizando, também naturalmente,
os interesses de suas respectivas classes
de atuação — já teria promovido a
baixa dos juros.
Independente
de quem esteja no leme do Banco Central,
já caíram por terra todos os argumentos
para manter os juros em patamares escorchantes.
Todos os índices apontam queda acentuada
da inflação para cerca de 0,5% ao mês; há
uma visível retomada da estabilidade econômica;
o risco-Brasil despencou de 3 mil para 700
pontos com os investimentos estrangeiros
voltando; e o dólar que bateu nos
4 reais, flutua no bom patamar de 3 reais.
De 48 meses, Lula já cumpriu mais de 10%
do seu mandato! Esperar mais quanto para
determinar a baixa dos juros ???
Uma boa
semana para todos — retomada
a estabilidade é necessário retomar o crescimento
econômico que gera empregos. Isso só acontecerá
com a queda dos juros — quinta-feira
(05/06) eu volto. Traduzindo
a Economia para o seu dia-a-dia!
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