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Sem resultados práticos

Já há algum tempo que a nossa Câmara Municipal se decidiu pelo encontro com a cidadania mossoroense nos bairros da cidade. Tem feita, periodicamente, sessões em comunidades distantes do centro da cidade, certamente com o objetivo de estimular a população no sentido de que esta se insira no contexto, participe desse projeto fazendo as suas reivindicações e também as suas sugestões. A isso se soma o gesto simbólico do nosso parlamento desejoso cada vez mais de chegar próximo do que pensam, projetam, reivindicam as nossas comunidades.

Só que nos últimos tempos essas sessões têm sido levadas a um ambiente de sonolência, de inteira distância da realidade, que se tornaram inócuas e sem qualquer resultado prático. Se de um lado o público não prestigia, do outro até agora não se conhece qualquer ação advinda de qualquer poder, do Judiciário ou do Executivo, como resultado dessas sessões ou das suas intervenções, donde se conclui que o projeto de levar a Câmara Municipal aos bairros pode até ser muito bom, mas precisa ser repensado.

Em verdade, o nosso Poder Legislativo pode até estar eivado de boas intenções, mas lhe falta o principal: motivação. Também, admita-se, inexiste a necessária credibilidade se o que o cidadão comum vê e assiste é um poder com o poder (desculpem a redundância) de fogo que pode ter uma Câmara Municipal como a nossa, comprometida até a medula com o Poder Executivo. Essa constatação talvez até desmotive quem estivesse pensando utilizar-se dos seus serviços ou do seu intermédio para pleitear qualquer ação, venha de onde vier.

O que é fato é que as mais recentes reuniões da Câmara Municipal de Mossoró nos bairros da cidade têm sido de uma monotonia tal que têm deixando sonolentas as comunidades visitadas. Somos partidários da idéia de que os poderes devem ir até onde o povo está, pois, afinal de contas, a população está na base de tudo. E, nesse diapasão, claro, apoiamos a proposta do Legislativo municipal mossoroense de ir até os bairros. Só, repetimos, essa idéia nos dias atuais tem de ser repensada e reprojetada para que esse trabalho surta os efeitos desejados em favor dos nossos bairros, especialmente, os mais distantes e menos assistidos.

 

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Mossoró-RN, sexta-feira, 30 de maio de 2003