Fome Zero deve beneficiar
1,1 milhão no RN

CRISTIANO ROJAS
Da redação
rojas@omossoroense.com.br

O Rio Grande do Norte possui aproximadamente 1,1 milhão de habitantes que vivem com menos de um dólar por dia. Isso corresponde a cerca de 43,3% da população do Estado.

Estimativas de 1999 apontam que no Rio Grande do Norte, 37,3% da população urbana é formada por pessoas pobres. Mais 54,4% vivem na zona rural também em situação de pobreza.

A exclusão mostra sua face mais perversa na medida em que esse contingente humano não tem acesso a emprego, moradia digna, saneamento básico, transporte, saúde, educação e alimentação.

Foi pensando em atender a essa grande massa de excluídos que o presidente Lula lançou ontem em Brasília o Programa Fome Zero, que tem como um dos principais propósitos a erradicação da fome no país nos próximos anos.

AÇÕES - "As primeiras ações têm caráter emergencial, porque é preciso fornecer mecanismos para que as famílias excluídas saiam da condição de pobreza em que se encontram num prazo entre seis meses e um ano", destacou Aldenor Gomes.

O engenheiro-agrônomo Aldenor Gomes faz parte do Instituto Cidadania e trabalhou na formulação do Projeto Fome Zero ao lado do ministro José Graziano, da Secretaria da Segurança Alimentar e de Combate à Fome.

Segundo ele, foi a partir da discussão dos dados levantados sobre a pobreza do Estado que se definiu o número de famílias carentes que precisam de uma política alimentar, mesmo que não sejam indigentes nem miseráveis.

A questão alimentar tem que começar a ser equacionada a partir da ampliação da demanda efetiva de alimentos, barateamento do preço dos alimentos e programas emergenciais para atender a parcela da população excluída do mercado.

As 60 propostas para uma política integrada de segurança alimentar e combate à fome incluem políticas estruturais (como aumento da renda e diminuição da desigualdade e incentivo à agricultura familiar), políticas específicas e políticas locais.

Sociedade terá papel decisivo na implementação

A tarefa de erradicar a fome e assegurar o direito à alimentação de qualidade não pode ser apenas uma proposta de governo, mesmo que sejam articulados com eficiência todos os órgãos setoriais nos níveis federal, estadual e municipal.

É vital engajar nessa luta a sociedade civil organizada: sindicatos, associações populares, ONGs, universidades, escolas, igrejas dos mais distintos credos, entidades empresariais - todos estão convocados a participar.

Foi por isso que Aldenor Gomes esteve no início do mês em Mossoró. O engenheiro veio especialmente apresentar as diretrizes gerais da proposta de política de segurança alimentar para o Brasil e convocar a sociedade para colaborar com o programa.

Mobilização popular, parceria entre governo e sociedade e luta pela conquista da cidadania, vinculando o combate à fome à conquista de direitos sociais são elementos do movimento iniciado em 1993 que devem ser assumidos integralmente agora.

Como nasceu o Fome zero

Um Brasil plenamente viável e promissor, onde a democracia se estenda ao território econômico-social, a justiça seja meta de todos e a solidariedade, a regra geral de convivência.

Foi com esse ideal que o Projeto Fome Zero era dimensionado na segunda metade de 2001 pelo Instituto Cidadania e a fundação Djalma Guimarães. Teve o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva como principal coordenador.

O projeto tem uma meta bastante ambiciosa. Pretende atingir um público estimado em 44 milhões de brasileiros muito pobres (9,3 milhões de famílias), que ganham menos de um dólar por dia - ou cerca de R$ 100 por mês.

O eixo central do Projeto Fome Zero está na conjugação adequada entre as chamadas políticas estruturais - voltadas à redistribuição da renda, crescimento da produção, geração de empregos, reforma agrária, entre outros - e as intervenções de ordem emergencial, muitas vezes chamadas de políticas compensatórias.

Cadastro se baseia em programas
do governo FHC

O cadastro do Programa Fome Zero dará prioridade a famílias em projetos de assentamentos agrários e municípios do semi-árido brasileiro que estejam ameaçados pela seca.

"As ações implementadas visam garantir às famílias carentes segurança alimentar, de qualidade, com quantidade e permanente", esclareceu o engenheiro Aldenor Gomes.

Inicialmente serão contempladas com as ações apenas as famílias cadastradas em um dos programas sociais que já vinham sendo mantidos pelo governo federal, como o Bolsa-renda.

Numa primeira fase, 73 cidades do Rio Grande do Norte serão atendidas com as ações emergenciais do Fome Zero. Posteriormente, os demais municípios serão inclusos, sendo que nenhum deles ficará de fora do programa.


 

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Mossoró-RN, sexta-feira, 31 de janeiro de 2003