GERALDO MAIA
 ATUALIZAÇÕES ÀS QUARTAS
 

As velhas ruas da cidade

O mais antigo relato que se tem das ruas de Mossoró é de autoria do viajante estrangeiro Henry Koster que por aqui passou em 7 de dezembro de 1810, a caminho do Ceará. Como cronista que era, registrou suas impressões: “ ... às 10 horas da manhã, chegamos ao Arraial de Santa Luzia, que consta de duzentos ou trezentos habitantes. Foi edificado em quadrângulo tendo uma igreja e casas pequenas e baixas”.

A cidade de Mossoró surgiu em volta de uma Capela, que ficava no mesmo local onde hoje se encontra a Igreja Matriz de Santa Luzia. Ao redor da Capela foram surgindo casas e formou-se a quadra da rua, como nos ensina Raimundo Nonato na sua “Evolução Urbanística de Mossoró”.  A Rua do Desterro foi a primeira; A origem do nome ninguém sabe. O que se sabe é que ela corria ao lado direito da Capela com sua frente voltada para o centro da quadra. Outras ruas foram surgindo, todas com seus nomes pitorescos: Rua do Cotovelo, Rua dos Afogados, Rua do Rio, Rua do Remanso, Rua do Fresco, Rua da Lagoa...

Os nomes surgiam naturalmente, como se as próprias ruas se autodenominassem.  Algumas ruas tinham nomes bem estranhos, como Beco do Pau-não-cessa, Rua Joana do Bulbo, Rua Canhão de Chico Amâncio, etc.

Com o crescimento da cidade se fazia necessário nomear oficialmente as ruas e numerar as casas. Assim, em 12 de janeiro de 1871, a Câmara Municipal resolve nomear uma comissão para realizar esse trabalho. A comissão era constituída por Jeremias da Rocha Nogueira, fundador do jornal “O Mossoroense” e Antônio Filgueira Filho, que posteriormente foi Presidente da Intendência. Desconhecemos se essa comissão apresentou algum relatório para a Câmara Municipal. Não se conhece tal documento. E as ruas continuavam a surgir: Rua dos Afogados, Rua Campo Santo...

Em 1874 é constituída pela Câmara Municipal outra comissão com o mesmo fim da comissão anterior. Essa nova comissão era formada por Rafael Arcanjo da Fonseca, José Alexandre Freire de Carvalho e o alferes João da Costa Andrade. A idéia da comissão foi de iniciativa do administrador da Mesa de Rendas Provinciais, que desejava oficializar os nomes das ruas. A Comissão apresentou o seu relatório que foi aceito pela Câmara, determinando que fossem colocadas placas nas paredes das esquinas com os nomes e as indicações porque passariam a ser denominadas. E aqueles primitivos nomes deram lugar a novas denominações como Rua Conde D’Eu, Rua Visconde do Rio Branco, Travessa da Independência, Praça Santa Luzia, Praça do Vigário, etc. Tudo estava resolvido. Mas com o passar dos tempos, a cidade cria seus heróis e é preciso homenageá-los de alguma maneira. E a melhor maneira era perpetuá-los dando os seus nomes a algumas ruas ou praças da cidade.

Em 6 de setembro de 1932, o então  prefeito de Mossoró Tertuliano Aires Dias, atendendo recomendações do Interventor do Estado, mandou apagar e mudar os nomes de pessoas vivas afixadas em ruas e praças da cidade, através do ato de número 14 da mesma data. O ato previa ainda que deveriam ser retirados os retratos existentes na Galeria Histórica de Mossoró de algumas pessoas. Dessa forma, algumas ruas tiveram seus nomes mudados. A rua Coelho Neto passou a se chamar Jerônimo da Câmara, a praça Alípio Bandeira teve o nome de Paulo de Albuquerque, a Rafael Fernandes recebeu o nome de Padre João Maria, a Antônio de Souza passou a ser Guilherme de Melo, e assim por diante.

O desenvolvimento urbanístico da cidade exige que novas ruas sejam abertas constantemente,  ruas essas que logo são batizadas com nomes de pessoas que na maioria dos casos são desconhecidas  pelos próprios moradores. O pesquisador Raimundo Soares de Brito fez levantamento dos patronos de todas as ruas existentes hoje em Mossoró. Esse trabalho, que deverá ser lançado em livro brevemente, levou trinta anos para ser concluído.

Já não se encontra mais em Mossoró ruas com seus primitivos e pitorescos nomes. A necessidade dos nossos políticos de homenagear pessoas, fez com todas fossem renomeadas.  Daqueles nomes graciosamente originais, quase ninguém lembra: apagaram-se na poeira do tempo.

(Para conhecer mais sobre a história de Mossoró visite o site: www.mossoro.cjb.net)

 

GERALDO MAIA

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Mossoró-RN, quarta-feira, 29 de janeiro de 2003