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Quem
quer dinheiro?
Caro
leitor:
Há
anos tenho desempenhado minhas
funções de consultor empresarial
e de instrutor de treinamentos
de diversas entidades, e como
professor da faculdade de economia
da nossa querida UERN. Também,
participei da implementação
de diversos programas públicos
de orientação ao pequeno empresário
e pequeno investidor. Nestas
atividades todas, tive (e tenho)
a oportunidade de entrar em
contato direto com estas personagens
da nossa economia – afinal,
estes são alguns dos “agentes
econômicos” do nossos sistema
– e, conseqüentemente, tomado
ciência das dificuldades por
eles enfrentadas.
Nesta
nossa caminhada tenho percebido
que, talvez, a maior das dificuldades
dos empreendedores e pequenos
empresários é o acesso ao crédito.
Os empreendedores dependem deste
crédito para poderem viabilizar
inversões que materializem um
Plano de Negócios ansiosamente
montado que, muitas das vezes,
representa a fonte de renda
que proporcionaria mais dignidade
às suas famílias. Já os pequenos
empresários carecem destes recursos
para a manutenção dos seus negócios,
muitas das vezes por terem imobilizado
demasiadamente o seu capital
próprio, até mesmo por não possuírem
uma formação mais adequada (ponto
de vista técnico) mas, nem por
isto, deixam de ter – na sua
maioria – a principal virtude
do empresário: o feeling, a
percepção das oportunidades.
Invariavelmente
tenho dito e aconselhado a estes
investidores para que busquem
os mecanismos oficiais de crédito,
operado pelo sistema bancário,
pois o marketing destas instituições
aponta para “facilidades” diversas,
de modo a favorecer o pequeno
homem de negócios. Sempre defendi
a posição dos bancos – especialmente
a de somente emprestar dinheiro
a quem demonstra “capacidade
de pagamento” adequada – comparando-os
a qualquer pessoa física individual
quando solicitada a emprestar
recursos seus a terceiros. Sempre
referi-me à necessidade de se
manter um cadastro atualizado
como um bom ponto de partida
quando se pretende solicitar
crédito a terceiros, acompanhado
de um Plano de Negócios (ou
projeto) que comprove a capacidade
e a viabilidade do negócio,
para facilitar a tramitação
dentro do órgão financiador.
Pois
bem: recentemente, tomei conhecimento
(comprovado) de que um cliente
de determinado banco oficial
local, já com seus sete, oito
anos de conta corrente aberta
(completamente regular e operando
normalmente com a conta), solicitou
financiamento para aquisição
de equipamentos de informática,
e apresentou todos os documentos,
garantias e informações solicitados
pelo referido banco. O solicitado,
após analisar o perfil do solicitante,
concluiu que o mesmo teria capacidade
de pagamento quase duas vezes
superior ao valor da parcela
mensal do financiamento pleiteado,
além de checar todas as informações
prestadas, devidamente confirmadas
e, ainda, verificar que o referido
não constava em nenhum organismo
de controle de crédito (SPC,
Serasa, CADIM etc.). Também,
do mesmo modo e intensidade,
foi verificado o cadastro do
avalista oferecido, com exatamente
as mesmas conclusões. Além disto,
ainda, o solicitante já havia
efetuado uma transação estritamente
do mesmo tipo e monta com a
referida instituição bancária,
tendo quitado todo o financiamento
com mais de seis meses de antecedência.
Com
base no exposto acima, a conclusão
lógica era a de que o crédito
teria sido concedido sem maiores
perdas de tempo, não é? Pois
não foi concedido! Pasmem! Sabem
qual foi o motivo? O cliente
não tinha cartão de crédito
do referido banco, nem também
nenhum plano de capitalização,
seguros ou poupança! Ou seja,
segundo o banco, aquele cliente
que operou durante anos em conta
corrente, descontos de cheques
de clientes, poupança etc, sem
devoluções de cheques emitidos
ou coisa parecida, não tinha
“fidelidade” com o mesmo! O
caso foi levado à gerência regional
da instituição, depois, à gerência
estadual e, simplesmente, a
negativa foi mantida por que
o “sistema informatizado” não
concedia o crédito a clientes
“infiéis”! Orientei o cliente
da historinha trágica acima
a procurar um outro banco –
também estatal – para uma nova
tentativa. O resultado, para
ser mais direto, foi completamente
diferente: além do crédito solicitado,
o cliente ainda recebeu um limite
de cheque especial de dez mil
reais, e a disponibilização
de novos créditos para eventuais
necessidades ou aquisições!
E mais, o crédito foi concedido
em apenas três dias úteis, o
que considero um tempo recorde.
Ainda
bem que esta história real teve
um final feliz pois, para mim,
seria muito decepcionante testemunhar
uma situação tão ridícula deste
tipo acontecer, e negar tudo
o que eu sempre defendi e proclamei
na minha vida profissional.
Na nossa visão, o banco que
negou o crédito perdeu uma excelente
oportunidade de fidelizar o
cliente, visto que o abandonou
numa hora em que ele mais precisava;
sem contar que o cliente não
representava nenhum risco e
detinha potencial de negócios,
pois o outro banco acatou a
proposta e abriu perspectivas
novas para ele.
Agora,
algumas conclusões nos vêm à
cabeça, e devem ser encaradas
como lições a se guardar:
1.
Observe bem se o seu banco demonstra
alguma preocupação com você
e sua empresa. Isto pode
ser checado – por exemplo –
com o número de vezes que ele
te convida para conversar, ou
com o número de vezes que você
recebe algum material oferecendo
serviços, por ano.
2.
Eventualmente, cheque com o
seu gerente se é possível realizar
esta ou aquela transação. Se
você perceber muitas dificuldades,
mude de banco, pois este não
vai te ajudar em nada no futuro.
3.
Se você não tem conta bancária,
antes de abrir uma converse
com pessoas próximas e peça
opiniões. Fidelização é, realmente,
um bom capital a ser construído
com um banco, mas é preciso
avaliar se este banco corresponde.
No caso da história acima, a
falha foi em cortar direitos
do cliente “infiel” e não, oferecer
vantagens para aqueles considerados
“fiéis”. Pura punição!
4.
Mesmo tendo sinais positivos,
esteja sempre avaliando outros
bancos. Pode ser necessário
amanhã!
5.
Nunca desista, se a sua idéia
for realmente boa, pois você
pode estar sendo mal avaliado.
6.
Procure ajuda de quem entende:
existem vários órgãos e empresas
que podem ajudá-lo e orientá-lo
adequadamente. Se você ficar
com o problema sozinho, dificilmente
vai resolvê-lo a contento.
Voltando
à historinha acima, será que
o cliente ainda vai manter a
conta no banco antigo? A resposta
está com você!
Até
a próxima!
Franklin
Alves Filgueira é economista,
professor de Economia e Administração
da UERN, consultor e diretor
da Índice Consultores Associados
de Mossoró e Fortaleza.
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