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Renato Aragão
Velhas trapalhadas
Nos seus 45 anos de carreira, Renato Aragão não mudou quase nada. E em “A Turma do Didi”, o comediante tenta justamente preservar o humor anárquico, quase circense, dos áureos tempos de “Os Trapalhões”. Antigamente, a mania de denunciar paredes de isopor e gramas sintéticas rendia a Renato memorandos raivosos do então “todo-poderoso” José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Na época, essa era justamente uma das “graças” do programa. Hoje esse artifício já não produz o mesmo efeito. Ainda assim, Renato acredita que, se for de outra maneira, as crianças não vão gostar. “Meu estilo é o do palhaço. Trabalho em circo eletrônico e de lona acrílica. Tenho procurado me renovar. Só que sempre é a mesma coisa diferente”, brinca.
O que mudou, de fato, foi a reação na audiência. Mesmo liderando o horário com média de 15 pontos, tem disputado o primeiro lugar com o programa “Dedé e o Comando Maluco”, que registra 13 pontos. “É um horário complicado, porque acaba o ‘Esporte Espetacular’ e, depois de mim, entra um filme. Essa transição é muito difícil”, tenta justificar. Mas essas adversidades não são levadas para as gravações de “A Turma do Didi”. O cearense de 70 anos ainda demonstra fôlego de menino ao fazer palhaçadas na pele de Didi. A todo momento, arma “pegadinhas” para surpreender os colegas. “As brincadeiras surtem melhor efeito. A alegria passa naturalmente de um para o outro”, garante.
P – Depois de trabalhar tanto tempo ao lado do Dedé, como está sendo competir com ele?
R – Não tenho nada contra o Dedé. Isso foi oportunismo do lado de lá. Tinha tanto horário para encaixar o programa dele, mas, resolveram colocar logo em cima do meu para criar burburinho. Mas não tenho medo de o público ficar dividido. Continuo no meu esquema normal. Sinceramente, ficava mais preocupado quando era o “Smallville”. Aquele Super-Homem jovem, sim, me dava dor-de-cabeça porque pegava diferentes públicos. Era o Super-Homem contra “Super-Jegue”. Gosto muito do Dedé, mas não tenho nada a temer com o programa dele.
P – Você sempre alegou que não queria voltar a trabalhar com o Déde para o público não lembrar de “Os Trapalhões”. Mas você não acha que a nova formação é bem parecida com a clássica?
R – Isso foi uma coincidência muito grande. Imagine, como é que vou substituir o Zacarias, o Mussum e o Dedé. Eles são insubstituíveis. A primeira turma do programa não era assim, tinha a menina Debby, por exemplo. Em um certo momento, senti falta de um negro e me apresentaram o Jacaré. Depois, veio o Tadeu Mello. Estamos pensando em colocar mais pessoas para quebrar isso. Mas esse formato não foi proposital. Quando me dei conta, já estava trabalhando com pessoas parecidas àquelas...
P – Este ano, o “Criança Esperança” completa 20 anos. Qual foi o momento mais marcante?
R – Sem brincadeira, todos os momentos foram marcantes. Fico até emocionado ao falar desse programa. Mas o mais interessante é que nunca sei o que vai acontecer. Sou que nem marido enganado. Para mim, no dia da apresentação, é tudo surpresa porque ninguém me conta nada. Como sou muito espontâneo, gosto das coisas desse jeito. Mas, nesses 20 anos, me aprontaram cada uma. Já me colocaram na mão do Cristo Redentor, andei mais de 150 km até Aparecida do Norte... Enfim, todos os momentos foram inesquecíveis.
P – Em 45 anos de carreira, você já estrelou 44 filmes. O que chama tanto a sua atenção no cinema?
R – Quando comecei a trabalhar, só pensava em fazer cinema. Não queria fazer televisão. Mas a televisão foi uma forma de sobrevivência. Mas confesso que gosto mais de cinema porque consigo preparar melhor uma situação de comédia. Mas, infelizmente, ninguém vive de cinema no Brasil, a não ser os exibidores de filme.
P - No ano passado, você lançou seu primeiro romance “Amizade Sem Fim”. Você pretende transformá-lo em filme?
R – É bom que se diga que esse romance não tem nada a ver com crianças. Nem o Didi aparece nele! Mas acho, sim, que ele daria um bom filme. O livro, aliás, está à disposição para quem quiser...
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Mossoró-RN, de 2005