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EFEITO LULA
Na semana em que o presidente Lula
fez campanha no nosso Estado, os institutos puderam
aferir o chamado "efeito Lula" por meio de
suas pesquisas. O índice nacional a favor de Lula cresceu
muito na semana passada e isso favorece a campanha dos
candidatos ao governo apoiados pelo presidente. Esse
fator deve ser levado em conta e o clima de "já
ganhou" talvez não seja o mais recomendável. Em
outros estados o dissabor veio ao abrir as urnas. A
rodada de pesquisas a serem realizadas e publicadas
nesta semana mostrará um quadro mais realista.
NO FRONT
As duas coligações que disputam o
governo do nosso Estado colocaram seus candidatos no
front de batalha na cidade de Pau dos Ferros no último
sábado. A movimentação durante o dia foi intensa. Ações,
estratégias, tudo valeu na tentativa de se sobressair
para o eleitor. Os carros de som travaram uma batalha
ensurdecedora e imoral. Os exércitos das bandeiras disputaram
avenidas e praças. As colunas quilométricas de carros
enfileirados encantaram e assustaram os que contavam.
As baterias de fogos de artifícios estremeceram os largos
e embelezaram o espetáculo. Tudo vale na luta para ocupar
a cadeira a partir de janeiro próximo.
RETA FINAL
Estamos chegando ao final desta campanha.
Como cidadão pau-ferrense farei, de forma imparcial
e não-partidária, uma análise construtiva deste período
eleitoral.
GRAVE ERRO
Faltou aos dois principais candidatos
ao governo do Estado uma proposta mais clara para nossa
cidade. Faltou mais comprometimento. Devido à circunstância
da política local a eleição estadual acabou sendo transformada
em uma campanha com características de embate municipal.
Grave erro. A mesquinhez de tal direcionamento gerou
perdas irreparáveis à nossa cidade. Perdemos a única
oportunidade que tínhamos de cobrar aos candidatos um
programa de governo contundente, prático e desenvolvimentista
para Pau dos Ferros.
CADÊ AS PROPOSTAS
O desvio do foco vai custar caro.
Pau dos Ferros e região continuarão esquecidos. A região
do Seridó recebeu e vem executando um projeto de desenvolvimento.
Mossoró não pára de crescer. É um oásis no deserto da
região Oeste. Demais regiões, assim como a capital,
experimentam o crescimento. Cadê as propostas para diminuir
os bolsões de miséria instalados nas periferias? Os
prefeitos nada ou muito pouco podem fazer. Não existem
recursos. Os municípios estão endividados e operando
no conta-gota.
INTERIORIZAÇÃO DO EMPREGO
Os programas sociais são bem-vindos,
no entanto, são paliativos. O país não vai agüentar
pagar essa conta por muito tempo. A solução mais racional
e lógica é o investimento em políticas públicas que
gerem empregos, mas que estes postos de trabalho não
fiquem concentrados nos grandes centros.
FOBIA
Os políticos perderam tempo se agredindo
nos palanques, conduzindo seus discursos para a linha
do individualismo e da fobia pelo poder. Nada ou quase
nada foi acrescentado de positivo à vida do povo, sedento
de esperança por dias melhores.
DO QUE PRECISAMOS
O povo pau-ferrense esperava ouvir
dos candidatos resolução para velhos problemas como:
construção do Anel Viário para desviar do centro da
cidade o trânsito de veículos de carga; adutora para
o perímetro irrigado beneficiando a saúde de dezenas
de famílias; ainda no perímetro, pavimentação asfáltica
da estrada que liga aquela comunidade ao município;
duplicação da BR-304 nas vias de acesso à cidade vindo
de Mossoró e saindo em direção ao Estado da Paraíba;
implantação da Usina de Reciclagem de Lixo que permitiria
a criação de um consórcio entre os municípios da região
para uma ação conjunta do tratamento e aproveitamento
do lixo; implantação do Senai para realização de cursos
profissionalizantes; saneamento básico; urbanização
dos bairros da periferia através de regime de mutirão
dos moradores; implantação da Agência de Desenvolvimento
da Região do Alto Oeste.
COMEMORAR O QUÊ?
Como você pode ver, leitor, os candidatos
ficaram devendo. Precisamos destas obras. Certos políticos
alimentam a desgraça do nosso povo através de esmolas,
de dinheiro sujo, de subserviência. Compram a dignidade
do cidadão com dez, vinte, cinqüenta reais. E como evitar
esse escambo se a fome, a necessidade e a falta de oportunidade
moram debaixo do mesmo teto de taipa do cidadão?
Será que temos o que comemorar?
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