Mossoró-RN, domingo 22 de novembro de 2009

 

Mossoró e a seca dos dois setes

GERALDO MAIA
gemaia@bol.com.br

O ano de 1877 foi terrível para o sertão nordestino. É nesse ano que começa a calamidade da mais terrível das secas que flagelaram as províncias do Nordeste no final do século XIX. No Rio Grande do Norte, quase todas as cidades do interior  foram atingidas pela intempérie. As populações abandonaram os sítios a procura das cidades. E  Mossoró, no Oeste potiguar, se viu, de repente, invadida por milhares de retirantes que aqui chegavam em busca da salvação, vestidos de trapos sujos, algumas crianças nuas, barrigudas e magras. "A população sertaneja, apavorada, empolgada por um terror coletivo, deslocou-se em massa para o litoral seduzida pela miragem fatal dos Socorros mandados distribuir pelo Governo Monárquico", como nos conta o historiador Oswaldo Lamartine. Muitos não resistiram a viagem e morreram no meio do caminho; outros, os que ainda tinham força para trabalhar, prestaram serviços ao municí-pio em troca de alimentação. Foi uma fase negra na história de Mossoró.

Naquele período, Mossoró vivia a fase áurea do seu desenvolvimento. A exemplo da maioria das cidades do interior nordestino, começou a formar a sua economia a partir das atividades agropastoris.  Mas por estar situada em uma área privilegiada, entre duas capitais e sendo o ponto de transição entre o sertão e o litoral torna-se, já em 1857, uma espécie de empório comercial.  Apesar de não situar-se no litoral, contava com um porto, o porto de Mossoró ou porto de Areia Branca, município esse que pertenceu a Mossoró até 1892, quando foi desmembrado.  Com a chegada dos navios da Companhia Pernambucana de Navegação Costeira ao porto de Mossoró em 1857, através de uma subvenção concedida pelo governo provincial, o município se torna o centro de comercialização de uma área que atinge, além dos municípios vizinhos, uma parte do Ceará e também da Paraíba. Esse fato é, na visão dos historiadores mossoroenses, o primeiro marco na ascensão de Mossoró a empório comercial.  A chegada dos navios  fez com que comerciantes de outras praças, principalmente de Aracati/CE,   viessem  a se estabelecer  aqui atraídos pelas oportunidades comerciais que a cidade  passou a oferecer. E é esse atrativo que faz com que em 16 de novembro de 1868, o industrial suíço Johan Ulrich Graff se estabeleça em Mossoró com a famosa "Casa Graff", alavancando o seu desenvolvimento econômico com ideias mercantilistas, associadas ao   capital aqui investido.

Mas se por um lado o crescimento do comércio atraía grandes comerciantes, por outro lado atraía também os famintos retirantes que buscavam aqui meios de sobrevivência. Em determinado período, chegou-se a registrar nada menos que 70.000 flagelados, segundo nos informa o historiador Câmara Cascudo,  vindos de toda zona oeste e de estados vizinhos, na busca de meios de sobrevivência. "Era a fase cruel da seca dos dois sete, prolongando-se até 1879 e mesmo 1880 que ainda reunia grupos famintos pelas ruas da cidade", nas palavras de Cascudo.

Nesse período, Mossoró era governada pelo caraubense Francisco Gurgel de Oliveira. Apesar  das dificuldades que teve de enfrentar  para socorrer as vítimas da seca, graças aos auxílios conseguidos do governo provincial e até mesmo de particulares distantes,  através da Comissão de Socorros Públicos, que era presidida pelo Dr. Manoel Hemetério, conseguiu, o Coronel Gurgel executar vários serviços nas ruas, no rio e por toda parte.

A 4 de março de 1878 a Câmara Municipal oficia ao Presidente da Província: "A maior parte dessa gente não encontrando um teto que lhe sirva de abrigo passa os dias e as noites exposta às intempéries do tempo, ao sol e ao relento, donde resulta principalmente a espantosa mortalidade que atinge a 40 pessoas por dia".

Foram anos terríveis para Mossoró. A grande seca dos dois sete, como ficou conhecida, marcou profundamente a cidade.  

 

O cãozinho encurralado

Gilbamar de Oliveira
gilbamarbezerra@ig.com.br

Subitamente, em meio à ruidosa apresentação do desfile de Natal na rua paralela à Borges de Medeiros, em Gramado, surgiu um pequenino cachorro desorientado em meio à multidão. Assustado, visivelmente em pânico, ele olhava de um lado para o outro daquele imenso corredor polonês sem atinar qual direção deveria seguir, prestes a enlouquecer, na iminência de desandar a latir como se perseguido por centenas de predadores. Câmeras da Globo filmando, o povo aplaudindo o show, a música natalina em despudorada altura deixando os tímpanos em polvorosa, o pobre animal certamente entraria em colapso em pouco tempo.

Alguém gritou ao ver o bicho acuado, outros fizeram o mesmo, uma garota jogou nele um pirulito chupado obrigando-o a por o rabo entre as pernas. "Pega ele!", explodiram vozes em algazarra. E quando os fogos de artifício estouraram no céu iluminando a já fe-érica artéria brilhando de luzes coloridas, o cachorrinho ensaiou correr para a direita, depois, perseguido por pessoas de apoio ao desfile, arrancou no rumo da esquerda, mas aí a multidão aos apupos ensandecidos o desnorteou. Então, sem nenhuma saída visível, apavorado e convicto de sua situação nada razoável, o bichinho disparou na direção dos camarotes onde se encontravam as autoridades e convidados vips, momento em que, avistado por seguranças trogloditas ameaçadores, espaúdos e gigantescos prontos para, talvez, fazê-lo em picadinho ou dar-lhe qualquer outro destino menos nobre, ele avançou num rumo indeciso à frente do desfile, louco para sair do impasse, desviando-se de todos quantos tentavam agarrá-lo ou conduzi-lo para uma possível saída, completamente deslocado num ambiente hostil.

E lá se foram homens e mulheres vestidos de preto, o referido grupo de apoio aos desfilantes, no seu encalço enquanto o povaréu ora vaiava, ora batia palmas como se diante de um espetáculo diferente, as câmeras da Globo gravando a cena toda, o cara da grua atento a cada movimento da correria e tudo acontecendo como se tivesse sido exaustivamente ensaiado para aparecer com perfeição. Foi nesse momento que algumas jovens participantes do desfile, vestidas de anjo piscando com as dezenas de luzinhas rendilhadas na fantasia toda, incluindo as asas alvas como a neve, passavam em sua apresentação teatral e o animal se esgueirava em meio a elas com uma rapidez incrível, fugindo pelos meios que melhor lhe parecessem, os olhos afogueados, o coração quase a saltar do peito num repente.

Ninguém conseguiu agarrar o cachorrinho intruso, pelo menos até o último momento em que o vi correndo desabalado, à toda mesmo, pelo caminho destinado ao rico e belo desfile de Natal, ainda sob a gritaria e os aplausos em todo seu percurso. Um interessante casal de patos acompanhado de seis patinhos numa coreografia engraçada e emocionante, a mamãe pata usando um chapeuzinho e o papai pato uma boina que lhe dava um ar de seriedade cômico, tomando minha atenção e do público em derredor deu prosseguimento ao espetáculo e não pude mais registrar que fim levou o pobre do cãozinho que estava no lugar errado e na hora evidentemente imprópria. Imagino, por sua destreza e habilidade, que não tenha sido pego por seus perseguidores, e certamente logrou encontrar uma saída em algum lugar para livrar-se da arapuca em que se metera indevidamente.

Esqueci-o completamente ante o cortejo de soldadinhos de chumbo em ritmada marcha cheia de evoluções, fazendo-me voltar por instantes à minha infância sem brinquedos. Soldadinhos de chumbo sempre foram uma parcela dos sonhos lúdicos povoando-me a mente infantil, mas eu só podia brincar com ossos ressecados com os quais criava batalhões. Os de verdade somente povoavam as brincadeiras dos abastados. O cachorrinho encurralado no meio da multidão eufórica me deu pena, os soldadinhos de chumbo, melancolia.

 

O causo de Zé

SULLA MINO
sullamino@yahoo.com.br

Ele ainda vive com o desespero preso em si, o choro, os calos nas mãos iguais, Zé Evandro o mesmo pedreiro louco, que um dia fora o melhor vizinho e um pai sonhador.

Vive sozinho em uma casa que se ouve nas lacunas um choro infantil, a criança que a avó tanto almejou um dia apareceu e a vida levou depressa.

Zé vive lá, na casa empoeirada, no meio do nada, um homem esquecido pelo mundo, com gosto da morte nos lábios, com a solidão na alma e o desespero nas mãos.

O sorriso é gasto no rosto, uma lamparina toma conta da sala, os móveis rústicos e sujos de sangue do parto. A noite é seu pior tomento, seu fantasma, gritos que ecoam embutidos naquele velho lar.

Seu filho nascera com a morte esculpida no corpo, o ventre da mãe apenas suportou meses uma angústia, o pequeno foi enterrado no jardim junto ao córrego e todos os dias Zé faz um novo funeral, flores, brinquedo e um punhal em forma de lágrima que finca os seus olhos.

O momento noturno é o pior pesadelo, o choro toma o ar, invade, atordoa a loucura necessária. A bebida pura e quente lhe faz companhia e esquecer o pulso que está ainda virgem.

D.Zinha, a esposa de muitos anos, hoje um zumbi perdido na casa, não esquecera a primeira vez que pegou seu piá nas mãos e assoprou suas narinas, no intuito que revivê-lo.

Ela está lá, guardada na velha casa, embutida na parede da sala, alguns centímetros de cimento colam seu corpo ao tijolo antigo, um ótimo revestimento e um quadro cobrindo os arremates. O quadro está bem posto, combinando com o ambiente, embora o sangue seco cobrindo os móveis antigos, completava aquela cena estúpida, ainda assim era a realidade de Zé.

A cidadezinha abriga este sítio abandonado, o corpo de uma criança no jardim, enfeitando o dia, D. Zinha escondida na parede fazendo sala ao marido.

Chove muito, o vento está forte e frio, os olhos de Evandro filmam a grama fofa e úmida, o inverno aponta no interior do sul, os brinquedos molhados, as flores murchas, o quadro da sala torto devido o vento adentrando pela janela.

O pobre pai afoga sua mágoa em mais uma bebida, corre desesperado à entrada de sua velha casa e se ajoelha no primeiro degrau, às lágrimas caem no rosto e se juntam as águas da chuva que entorpece.

- Deus! O que eu fiz?

Zé Evandro braveja tal frase, grita várias vezes olhando para o céu e não obtêm resposta alguma, apenas uns raios no céu cinza na outra ponta da cidade.

- Um dia serei perdoado?

- Não quero mais!

- Está ouvindo Deus?

- Tire-me daqui!

O pranto domina aquele homem desesperado até a manhã seguinte. O pedido foi aceito de tal forma, um carro vindo da cidade para em frente ao seu jardim, dois homens tentam colocar a camisa de força em Zé.

 

Caderno CA (Parte XIX)

Clauder Arcanjo
clauder@pedagogiadagestao.com.br

Vadiagem

— Amanhã, não precisa me acordar cedo. A minha conta do dia seguinte já a cumpri hoje. Logo, estou ajustado com o mundo. De contas acertadas.

— Como?...

— Não há de que duvidar. É tudo muito simples. Explico. As coisas de antes de ontem deixei para hoje. As de hoje... julguei-as supérfluas, desnecessárias, na bacia das almas. Então, logicamente, não as realizei. Os compromissos de amanhã, prevenido, antecipei-os... e caiu todos, de supetão, na conta do que não precisa ser feito. Dito isto, não precisa me acordar com os primeiros raios do sol, pois estou ajustado com o universo. Quites. Antecipadamente quites.

— ...

— E você se me apresenta com essa cara de julgador! É o que eu ganho por ter antecipado as minhas obrigações?...

— ...

 

***

Declaração

Declaro, perante a todos que diariamente labutam com a palavra, que o verso sempre me foge, quando eu, desesperado e ansioso, tento aprisioná-lo. Que a prosa me falta, quanto eu tento soltá-la. Que a crônica claudica, quando eu busco arrumá-la em demasia.

Declaro, perante a todos que semanalmente lêem os meus escritos, que a profissão de escritor exige alma, corpo e ritmo. No entanto, quanto mais me dedico, mais concluo que me distancio. O alvo da perfeição é móvel e sobremodo exigente; a palavra certa (?), por certo, rasga, pune, exaspera... e, ao ser parida no meio da página branca, sai dilacerando as entranhas, de forma inclemente. O vocábulo exato, vã utopia, não se revela, finge revelar-se. E, nessa luta atroz e interminável, eu me flagro sofrendo... e a literatura, bem sei, nunca terá dó da gente.

Declaro, sob a condição de juramento, que não consigo, por mais doloroso que seja o calvário, abdicar desse tacão. Uma vez batizado em suas águas, ninguém se livra fácil de tal mister. Luz e dor, suor e lágrimas, risos e decepções. Um misto de vida e morte, entrançado por entre as páginas. Isto eu sei, certamente bem sei.

 

***

Danos

O poema danifica o corpo, marca a alma? Nunca pensei nessa questão. Só acho que as estrofes só nos tocam se penetram no miolo do nosso ser, e reverberam no campanário das nossas significâncias. Um poema surdo nada nos diz. É letra morta, verso sem obra, sino sem badalo.

 

***

Sentença

— Fuja!

— Pra onde?

— Homem! Pela mãe dos desgraçados, fuja!

— Ninguém foge de si. O juiz já sentenciou minha pena. Considerando-me culpado. Logo, estou detido.

— Qual dos juízes?

— Eu mesmo.

 

***

Natividade

Quando nasceu, ninguém reparou no brilho dos seus olhos. Quando jovem, poucos deram conta da força daqueles braços. Ao envelhecer, raros entenderam o brilho e a potência do seu silêncio.

***

Questão ‘religiosa’

— Você jura?

— E é preciso jurar?...

— Claro!... E com a mão direita posta sobre a Bíblia, meu senhor!

— Fiquemos então por aqui. Não gosto de meter o Senhor nos meus assuntos pessoais. A questão é entre nós dois, não ponha Deus no meio disso.

—...

 

***

Historinha menor

— Falaram-me dos atributos de Isabela. Boa filha, prendada, religiosa, bem educada, e zelosa com as coisas de casa. Não me aproximei, pois prefiro alguém mais inconsequente.

A mãe não lhe disse nada.

— Depois, discorreram acerca dos dotes de Cristina. De família tradicional, bisneta do Comendador Felismino Dagoberto da Figueira Pastor. Herdeira única do clã dos Figueira Pastor, confidenciaram-me. Não me tocou o espírito. O amor se constrói com uma certa falta e não com a abastança.

A mãe, imóvel, continuou sem pronunciar uma só palavra.

— No dia seguinte, Vera. Não lhe sei os atributos, nem muito menos de suas prendas domésticas. E pouco me interessa as suas posses. Seus olhos verdes me bastaram. É ela, mãe. É ela!

Os olhos da genitora brilharam, já vivenciara essa história antes.

 

***

Sementes

As sementes da paz foram semeadas, há vários anos, nas pradarias áridas desta terra inóspita. Os semeadores, à época, receberam a alcunha de loucos. Hoje, são festejados como homens de fé, cidadãos de visão de futuro.

 

***

Sabedoria política II

— Brasileiros e brasileiras. A oposição tudo explora, politizando todos os fatos. Não é hora de antecipar o debate eleitoral. Pensemos nos interesses maiores da nação.

 

Aos bons amigos

Stênio Urbano Muniz
(Estudante de Jornalismo - 7° período - UERN)

Pessoas boas não devem deixar pessoas boas com palavras ruins, pode ser a última chance que tenhamos para sermos justos com elas. Devemos entender que as circunstâncias é que são ruins, não as pessoas. E não importa o quanto tentemos ser justos, haverá um dia que seremos covardes, conosco e com os bons, e isso é aceitável.

Desta feita, chegará um dia que teremos saudade dos seres bons que se foram, que precisaremos de suas palavras de consolo e de seu afeto de amigo. De suas caras feias de reprovação quando fizermos coisas feias, ou quando sentirmos vontade de rolarmos na lama deixada pela última chuva matinal com um bom amigo.

O bom é saber que eles estarão abertos para nos receber nas horas tristes, nos segurarão pelo braço e nos farão carícias de amigos. O ruim é sentir saudades dos seus lares, de compartilhar um refrigerante num feriado modorrento de inverno quando eles tiverem ido embora.

O bom é ter amigo. O bom é lembrar-se daquele de riso largo e de palavras atrapalhadas.

O pior de tudo é perder um amigo. E perdê-lo em vida é a pior de todas as mortes. E de tudo o pior é sabermos sua rua, seu endereço, seu telefone, seu perfume e sua música preferida e fingir que nada mais nos importa, nem o seu aniversário, nem sua nova namorada, ou namorado.

O pior, e sempre mais, é saber que nos importamos com ele, ou ela. E o que queríamos era tê-lo em nossa mesa, e, que em verdade, queríamos dá-lhe um abraço apertado contra o peito e dizer... "Seu filho da mãe, nunca mais me deixe".

Carregar um amigo morto em vida é como carregar uma chaga incurável. É derivar em mar aberto, é ser imerso na dor que nos aborta em terra firme. É amanhecer sem ter a luz, é ter de quem se lembrar e que se perdeu.

Sentir saudade de quem se foi é como se houvesse levado uma parte viva de nós. É um labirinto desconhecido. É a parte cega de nós.  

 Eis alguns motivos para sermos bons com os nossos, pois, provavelmente, eles nos serão eternos e nos ouvirão nas divagações de velhice. Estarão, certamente, em nosso casamento, serão padrinhos dos nossos filhos e talvez você case com um amigo, ou amiga, e ele será bom com seus filhos. Darão nomes bonitos a eles, que talvez vocês tenham escolhido em um filme de amor, ou num livro emprestado, ou talvez de um desenho animado da infância.   

E seus filhos herdarão as amizades da sua geração. Eles, os amigos, trarão-nos alegrias e tristezas, e isso não é ruim, apenas o suportável o suficiente para que a cada dia possamos dizer-lhes que o perdão existe, que é tocável, e só depende de nós para nascer ou morrer. Mas nunca, nunca devemos ir com palavras más, então isso já será o suficiente para morrermos sossegados ao lado de um bom amigo.

 

I.M.C. e obesidade

William Pereira da Silva
wilpersil2003@yahoo.com.br

O Índice de Massa Corporal (I.M.C.), é uma fórmula que indica se um adulto está acima do peso, se está obeso ou abaixo do peso ideal considerado saudável. A fórmula para calcular o Índice de Massa Corporal é: IMC = peso / (altura)2, é um método fácil no qual qualquer um pode obter informação ou uma indicação com bom grau de acuidade, se está abaixo do peso, no peso ideal, acima do peso ou obeso. Segundo a Organização Mundial de Saúde (O.M.S)., o índice normal é entre 18.5 e 25. Então, para sua altura o peso ideal é entre Kg mín / Kg máx. Antes de tudo, é preciso salientar que o Índice de Massa Corporal é apenar um indicador, e não determina de forma inequívoca se uma pessoa está acima do peso ou obesa.  A Organização Mundial de Saúde usa um critério simples: em relação ao IMC em adultos podemos classificar abaixo do peso quem tem o índice abaixo de 18,5, no peso normal entre  18,5 e 25, acima do peso entre 25 e 30 e obeso acima de 30 de acordo com a tabela da O.M.C

A vantagem do sistema da Organização Mundial de Saúde é que ele é simples, com números redondos e fáceis de utilizar. Há alguns problemas em usar o IMC para determinar se uma pessoa está acima do peso. Por exemplo, pessoas musculosas podem tem um Índice de Massa Corporal alto e não serem gordas. O IMC também não é aplicável para crianças. Outro problema é a influência, ainda não suficientemente estudada, que as diferenças raciais e étnicas têm sobre o Índice de Massa Corporal. Por exemplo, um grupo de assessoramento à Organização Mundial de Saúde concluiu que pessoas de origem asiática poderiam ser consideradas acima do peso com um IMC de apenas 23.

 A Obesidade é a deposição excessiva de gordura no organismo, levando a um peso corporal que ultrapassa em 15%, ou mais, o peso ótimo.  Os nutricionistas  Cecília L. de Oliveira e Mauro Fisberg relatam que; "vários fatores são importantes na gênese da obesidade, como os genéticos, os fisiológicos e os metabólicos; no entanto, os que poderiam explicar este crescente aumento do número de indivíduos obesos parecem estar mais relacionados às mudanças no estilo de vida e aos hábitos alimentares. O aumento no consumo de alimentos ricos em açúcares simples e gordura, com alta densidade energética, e a diminuição da prática de exercícios físicos, são os principais fatores relacionados ao meio ambiente.Os estudos verificaram que a obesidade infantil foi inversamente relacionada com a prática da atividade física sistemática, com a presença de TV, computador e videogame nas residências, além do baixo consumo de verduras, confirmando a influência do meio ambiente sobre o desenvolvimento do excesso de peso em nosso meio. Outro achado importante foi o fato da criança estudar em escola privada e ser unigênita, como os principais fatores preditivos na determinação do ganho excessivo de peso, demonstrando a influência do fator sócio-econômico e do micro-ambiente familiar. O acesso mais fácil aos alimentos ricos em gorduras e açúcares simples, assim como, aos avanços tecnológicos, como computadores e videogames, poderia explicar de certa forma a maior prevalência da obesidade encontrada nas escolas particulares.Contudo, esses dados não estão de acordo com os encontrados em países desenvolvidos, onde existe uma relação inversa entre o nível de educação ou sócio-econômico e a obesidade.

Muitos outros aspectos podem influenciar na obesidade como os alimentos servidos em restaurantes, bares e supermercados, a variedade e o aumento nas porções dos alimentos sofreram um aumento significativo nos últimos anos, por exemplo, o tamanho da batata-frita oferecida aos consumidores em meados dos anos 50 representava 1/3 do maior tamanho oferecido em 2001, acontecendo também com a carne, chocolates e massas em geral.

A importância de apresentar medidas de intervenção na prevenção de distúrbios nutricional em indivíduos propensos a Obesidade merece destaque de todos os setores da sociedade, inclusive na educação, na indústria alimentícia e nos meios de comunicação massificando a  necessidade de uma ampla campanha de esclarecimento e conscientização na forma como devemos nos alimentar e praticar atividades físicas.

" Medidas de caráter educativo e informativo, através do currículo escolar e dos meios de comunicação de massa, assim como, o controle da propaganda de alimentos não saudáveis, dirigidos principalmente ao público em geral e, a inclusão de um percentual mínimo de alimentos in natura no programa nacional de alimentação escolar e redução de açúcares simples são ações que devem ser praticadas. Sobre a indústria alimentícia, devemos procurar o apoio à produção e comercialização de alimentos saudáveis", exaltam os nutricionistas Cecília L. de Oliveira e Mauro Fisberg.

 

FONTE DE PESQUISA:

http://www.abeso.org.br/pdf/set/Ob%20infância%20%20e%20adolescência%20epidem..pdf

http://www.copacabanarunners.net/imc.html

 

DICAS GRAMATICAIS

benjamimlinhares2@hotmail.com

CONCORDÂNCIA

O verbo ser, quando indicar horas concordará com o numeral a que se refere. Claro está, então, que ficará no singular, ao indicar "uma hora", "meio-dia", meia-noite" ou "zero hora" e no plural nas demais horas do dia. Por exemplo, deveremos dizer "Já são 19h, mas o professor ainda não enviou o texto" e "Era meio-dia, quando Renato chegou".  Essa regra também serve para o verbo ser, quando indicar  distância: Por exemplo, "É um quilômetro daqui até a sua casa"; "São mais de quinhentos quilômetros de Londrina a São Paulo".  Já na indicação de datas, o verbo ser tanto poderá ficar no singular, quanto no plural, a não ser no primeiro dia do mês; neste caso, o verbo ficará no singular. Por exemplo: "É dezoito de abril" (= É dia dezoito de abril) ou "São dezoito de abril" (= São dezoito dias de abril); "É primeiro de maio" (= É dia primeiro de maio ou é o primeiro dia de maio).

CRASE

Alguns escritores defendem o uso do sinal indicativo de crase após as preposições à, às. Exemplo: até, desde, etc. Na verdade, não há crase após as preposições citadas. Vejamos a explicação: "Nunca obedeci àquele homem, pois não o respeito" (quem obedece, obedece a alguém); "Assisti à peça teatral escrita por Mário Bortoloto" (quem assiste, no sentido de ver, assiste a algo); "Não aspiro àquela vaga, mas à que foi ocupada por Armando" (quem aspira, no sentido de desejar muito, aspira a algo); "Cheguei ao cinema às 19h50" (chegar, ao indicar hora exata, exige a preposição a).

Ocorre, porém, que, em muitas situações, outra preposição é usada, e não o a. Quando isso ocorrer, não haverá o acento indicador de crase, em virtude da falta da preposição a. Vejamos alguns exemplos:  "Cheguei após as 7h": não há o acento indicador de crase, pois, no lugar da preposição a, usou-se a preposição após; "Estou aqui desde as 7h": não há o acento indicador de crase, pois, no lugar da preposição a, usou-se a preposição desde.

Há, porém, uma preposição que admite a preposição a ao seu lado: é a preposição até. Vejamos alguns exemplos: "Ontem, fomos até o parque caminhar" (ou até ao parque); "Dormi até o meio-dia" (ou até ao meio-dia).

Tal combinação não é obrigatória; é, aliás, desnecessária. A combinação de até com a acontece com o objetivo de evitar ambiguidade, ou seja, evitar duplo sentido na frase, pois o vocábulo até, além de ser preposição, também pode ser advérbio com o sentido de inclusive. Às vezes, não há como saber qual dos dois foi usado.  Veja o seguinte exemplo: "A enchente inundou o bairro todo, até a igreja"; Não dá para saber o sentido exato da frase. Há duas situações: - A enchente inundou o bairro todo, mas não a igreja: chegou até ela e parou; - A enchente inundou o bairro todo, inclusive a igreja. Se a primeira opção for a verdadeira, até é preposição; se for a segunda, advérbio. Caso a verdadeira seja a primeira opção, recomenda-se o uso da preposição a em combinação com até, evitando, assim, o duplo sentido: "A enchente inundou o bairro todo, até à igreja". Caso a verdadeira seja a segunda opção, recomenda-se o uso de inclusive: "A enchente inundou o bairro todo, inclusive a igreja". A frase apresentada no início do texto não apresenta ambiguidade. Pode-se, portanto, usar o acento indicador de crase, mas não há necessidade dele.

CURIOSIDADES

Já falei tanto sobre este assunto, mas nunca é tarde para aprender.

* Nas expressões é muito, é pouco, é suficiente, o verbo ser fica sempre no singular, sobretudo  quando denota quantidade, distância, peso.  Ex: Dez quilos é muito. Dez reais é pouco.  Dois gramas é suficiente.  

 * Há duas formas de dizer: é proibido entrada, e é proibida a entrada. Observe a presença do artigo a na segunda locução.

* Cuidado: emergir é vir à tona, vir à superfície. Por exemplo: O monstro emergiu do lago. Mas imergir é o contrário: é mergulhar, afundar. Veja o exemplo: O navio imergiu em alto-mar.

* Outra dúvida: nunca devemos dizer estadia em lugar de estada. Portanto, a minha estada em São Paulo durou dois dias. Mas a estadia do navio em Santos só demorou um dia. Portanto, estada para permanência de pessoas, e estadia para navios ou veículos.

* Não esqueça: exceção é com ç,  mas excesso é com dois s. E a pronúncia certa é disenteria, e não desinteria. Ancião tem três plurais: anciãos, anciães, anciões.

 

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