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TG
07-010 90 anos do Tiro de Guerra de Mossoró
GERALDO MAIA gemaia@bol.com.br
Em 7 de novembro de
1909, num belo dia de domingo, era criado o Tiro de
Guerra de Mossoró, como forma de prover a cidade de
um grupo de atiradores treinados para defender a cidade
quando necessário. Os Tiros de Guerra são uma experiência
brasileira vigente desde o século passado, quando Antônio
Carlos Lopes (1870 - 1931), fundou na cidade de Rio
Grande - RS, uma sociedade de tiro ao alvo com finalidades
militares.
Antônio Carlos, com
cerca de 20 anos, foi testemunha dos sangrentos episódios
em Rio Grande-RS, decorrentes da Guerra Civil de 1893-95,
combinados com a Revolta da Armada (1893-94). Possuidor
do curso de Farmacêutico Químico, realizado em Ouro
Preto-MG, foi até a Suíça a fim de estagiar em seus
famosos laboratórios. Lá teve a sua atenção despertada
pelo sistema de defesa daquele país, onde cada cidadão
recebia instrução de tiro e uma arma, que guardava em
casa, ficando em condições de atender à convocação militar,
quando fosse necessário. De volta à terra natal, onde
se estabeleceu como comerciante, foi que concebeu sua
ideia de defesa do Brasil com poucos recursos e com
potencial de mobilizar em emergências grande número
de reservistas atiradores, habilitados no uso das armas
de fogo.
Em Mossoró, tudo começou
quando às 16h daquele domingo, no salão nobre do antigo
Colégio Diocesano Santa Luzia, se reunia uma boa parcela
da sociedade mossoroense, com o objetivo de organizar
um clube com fins militares, que se denominaria "Sociedade
Brasileira do Tiro Mossoroense". Essa reunião era
dirigida por uma alta patente da Guarda Nacional, que
convidou, tão logo se concretizou o ato, a comparecer
todos os cidadãos que dela desejassem fazer parte. Estava
criado assim o Tiro de Guerra de Mossoró, tendo a data
de 7 de novembro de 1909 como marco na história de sua
criação.
A ideia da criação
do Tiro de Guerra de Mossoró foi bem aceita pela sociedade,
tanto assim que os jornais da época se ocuparam de ressaltar
a sua importância. "Na sua edição de 14 de novembro
de 1909 o jornal "Comércio de Mossoró" trazia
um artigo onde dizia: "Sob os melhores auspícios
e com numerosa assistência foi fundada a Sociedade Brasileira
do Tiro Mossoroense, que será instalada no dia 15 do
corrente, sendo eleita e empossada a diretoria que tem
de geri-la no primeiro ano social."
A "Sociedade Brasileira
do Tiro Mossoroense" começou com 81 sócios, sendo
a sua primeira diretoria constituída, de acordo com
a matéria publicada no jornal "Comércio de Mossoró"
- edição de 21/11/1909, da seguinte forma: Presidente
- Bento Praxedes; Vice-Presidente - Ten. Cel. Antônio
Filgueira Filho; Tesoureira - Alfredo Fernandes; Secretário
- Antônio Quintino; Diretor de Tiro - Major Romão Filgueira;
Membros - João Capistrano, Major Vicente Couto (da Guarda
Nacional), José Pedro do Monte, Tenente Vicente Ferreira
Cunha da Mota e Genuíno Alves de Souza. Comissão de
Contas: Francisco Borges de Andrade, João Nogueira da
Costa e Raymundo Jovino de Oliveira.
No dia 23 de novembro
de 1910 houve a incorporação da Sociedade Brasileira
do Tiro Mossoroense à Confederação do Tiro Brasileiro,
sob o número 42, na terceira categoria, passando a ser
conhecido como "Tiro de Guerra 42". Com a
promulgação da nova Lei do Serviço Militar em 1946 (Dec.
Lei nº 9500, de 23 de julho de 1946), que implantou
o recrutamento na forma de convocação geral por classe,
os Tiros de Guerra passaram a ter uma posição de destaque
na formação da reserva do Exército Brasileiro, pois
situavam-se em cidades que possuíam um número de jovens
aptos para o Serviço Militar. Houve renumeração nos
TGs, passando o antigo TG 42 a ter o nº 188 (TG-188),
passando depois para TG-07-010, o que significa dizer
que é o Tiro de Guerra 010 da 7ª Região Militar.
A história do Tiro
de Guerra de Mossoró foi contada por um de seus instrutores,
o hoje Tenente Rinaldo Difforene Schultz, que o comandou
no período de 2001 a 2005, no livro "O Tiro de
Guerra de Mossoró", editado pela Coleção Mossoroense,
com o patrocínio da Petrobras através da Lei de Incentivo
à Cultura Câmara Cascudo.
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Singelezas
da vida
Gilbamar de Oliveira gilbamarbezerra@ig.com.br
A pequenina borboleta
estava abraçada à cortina da janela de minha escrivaninha
tão-logo o dia amanheceu. O vento dava suas voltas apressadas
pelos espaços do meu escritório e deixava revoar o pano
grosso do cortinado, e a borboleta aferrava-se a ele
como seu último ponto de apoio. A presença daquela serzinho
tão indefeso no meu ambiente de inspiração e trabalho,
ansiando viver como qualquer outro o faria enquanto
lhe pulsa a vida, sensibilizou-me sobremaneira. Corri
a pegar a máquina fotográfica para guardar aquele momento
a mim deveras lindo e disparei o flash temendo vê-la
fugir. Mas ela não se foi, quase ficou a olhar-me através
de suas cores tão bem distribuídas por Deus, deixando-se
fotografar como uma boa modelo. Vaguei meus olhos por
ela ainda alguns instantes, admirando-a, ela certamente
perdida nos interlúdios de, quem sabe?, suas, digamos,
reflexões. Riria de mim se soubesse como tanto me encantou
sua deslumbrante visita. Depois, deixei-a sossegada
e fui cuidar de minha vida esquecendo-a solitária no
recanto que escolhera para pousar.
Qual não foi minha
surpresa, à noite, já de volta de minhas atividades
cotidianas, ao, displicente, olhar para o teto sem razão
aparente e deparar, perplexo, com a mesma borboletinha
colorida ali grudada a, por certo, namorar o branco
do estuque. Paradinha, silente como convém às borboletas,
só Deus sabe desde quando estava lá enfronhada em si
mesma. Minha reação normal foi, novamente, disparar
à procura da preciosa máquina digital no intuito de
tentar registrar a nova e destoante paisagem bucólica
proporcionada pela frágil e indefesa borboleta. E pensar
que o bater de suas asas pode causar um terremoto na
Ásia! Lei de causa e efeito, dizem. Cruz credo! Arreda!
Bem, à parte isso,
subi na cadeira e aproximei a câmera o mais perto possível
dela e cliquei. Como se indiferente ao meu desajeitado
anelo de retratá-la, lá estagnada ela estava e permaneceu
sem piscar os olhinhos. Eu não podia de modo algum perder
a oportunidade de emocionar vocês, como eu fiquei, então
anotei esse fragmento de sensibilidade que tomou conta
de mim ante a simplicidade e a singeleza das pequenas
coisas que nos atraem e de quanto tudo pode ter um toque
de arte e poesia.
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Elaine
e seu mundo
SULLA MINO sullamino@yahoo.com.br
Não posso me comparar
a um pássaro solto por aí, dando seus rasantes nos vales
das sombras, sou de um tempo que já está fora, estou
fora, no meu controle insano.
Não sou uma ave perdida
entre dois mundos, agarrada a uma térmica silenciosa.
Sinto
dor, choro, sinto coisas absurdas dentro de mim, não
sei entender e muitas vezes não quero aceitar.
Gosto do gosto amargo
da fruta que como, de me despir para a noite sangrenta
do meu desespero, não sou verbal, apenas abstrata.
Delicio-me recordando
velhas lembranças esquecidas, aquelas que todos fazem
questão de apagar das mentes doentias e loucas, dia
após dia me reviro, enlouqueço no meu delírio, tudo
imediato e constante.
Apego-me as tolices,
feito brincadeira de criança levada, abro o baú, aquele
jogado no sótão, me entrego em teus mistérios. Brinco
com seus jogos meigos de cinco anos, me enrolo no lençol
azul com balões coloridos, brinco com o apito, a peteca,
pião.
Vivo cinco horas por
dia, diante daquele baú sou mais mãe, mais eu, sem me
importar com aqueles vermes conversando na sala de estar,
destacando a crise financeira, revendo maneiras de me
trancafiar, de me envolver naquele cadeado antigo do
vovô.
O pássaro cinza decola
mais uma vez, sente o vento em suas penas, plana, sente
o gosto da liberdade, seus olhos mansos cultuam todo
o vale escondido atrás dos montes, em um lugar aonde
o homem inda não chegou pra destruir. E eu tenho a verdadeira
guerra dentro de mim, conflitos e batalhas.
O baú ainda é meu velho
e único companheiro, perto dele sou a estrela do palco,
uma criança brincando, quando estou revirando-o sinto
que meu pequenino ainda está em meus braços e é neste
momento que sinto que posso voar, de alguma forma está
fora da verdadeira realidade.
Agarrei-me ao baú,
como se nele estivesse o mundo guardado, só meu, eles
me puxavam, me tiravam a força daquele quarto, senti-me
com a asa quebrada, sei que me levam novamente para
a gaiola.
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Caderno
CA (Parte XVII)
Clauder Arcanjo
clauder@pedagogiadagestao.com.br
Cansado
-Ando cansado. As forças
me faltam; o espírito, parece-me, respira com dificuldade,
diria até... claudicante. A minha energia se foi. Exausto,
arrasto-me pelas horas em fora. O dia inteiro. A semana
inteira. O ano...
-Mas você nunca fez
nada!?...
-E você não queira
saber como a inatividade nos cansa, meu filho! Como
eu estava lhe dizendo: ando pelas tabelas, esgotado.
Extremamente arrebentado.
- ...
***
Antes que a politicalha...
Antes que a politicalha
avance mais ainda, no seu característico tropel, finquemos
a bandeira do bem-comum por entre as sendas deste País.
Quem sabe assim agindo, contenhamos esses arautos da
'sanha-do-arrasa-e-estrompa'.
Uma palavra deve ser
ofertada, falando de arco-íris, de esperança, de presente
possível. Enfim, o discurso a serviço da necessidade
de fazermos hoje as bases do edifício da sociedade sonhada
para o amanhã. No entanto, precisamos de cidadãos e
não de mentecaptos nos postos de comando. Ninguém aceita
ordem de desordeiros, de gente tacanha, amigos somente
das promessas, desafetos do precioso agir. Temos, urge
que assim seja, que pensar no outro, de renunciar um
pouco para que o todo viva, ou pelo menos sobreviva,
melhor.
Instalemos, então,
o reinado da cor, cor que (res)surgirá do pântano dos
dias, e habitará em plena praça pública. Bandeira desfraldada
por todos, em prol de todos.
Sei que os homens sérios
andam receosos de entrarem na política, dado que esta
já foi sobremodo invadida pela politicalha. Esta, sim,
é a fraude do interesse público; aquela, temerosa e
tímida, recolheu-se aos ambientes onde você me lê, silenciosamente,
e não age. Enquanto isso, a canalha toma conta do espólio
nacional.
Antes que a situação
tome proporções de catástrofe, há de haver uma tomada
de posição nossa, escorraçando da vida pública, da (res)pública,
quem nunca devia ter sequer entrado nela. Vendilhões
do templo da cidadania!
Antes que a politicalha...
Esses apontamentos
do "Caderno CA"... tem a fúria do bom combate?
Não sei, não sei. Mas quem há de fugir desse combate?
Quem!?...
A raiva dessa politicalha
insidiosa toma-me o juízo com tal volúpia, de tal maneira...
que o sangue me ferve os miolos.
***
Garatujas
Se são rabiscos malfeitos?
Pouco se me dá. Não me importo. A sede de transcrever
o que sinto se instala, e pede rápida saída. Não me
deixando tempo para polimentos, para a escolha do vocábulo
devido, da forma mais que perfeita. Sou apenas uma espécie
de transmissor, ou de taquígrafo?, dessa espécie de
pulsão pela palavra, que, de quando em vez, assalta-me
o cérebro.
Garatujas?!... Pode
ser, todavia são os meus únicos sinais de vida (ou de
morte?). Tais apontamentos pedem passagem, e não ouso
garroteá-los. Tenho juízo, tenho juízo.
***
Entre o tal e o qual
- Tal seu pai!
-Qual pai?
- ...
-Vai ficar aí: surdo
e mudo.
- Tal e qual o seu
pai.
***
Beleza
A beleza mais difícil
de ser encontrada, e de ser traduzida, reside na morada
tosca da feiúra.
***
Consumação
- Pague dez e consuma
dez.
- Não sei... Não me
atrevo.
- Pague, então, apenas
cinco e consuma os cinco.
- Não sei... Imaginei
menos ainda.
- Que tal ficar em
casa!
- Não, nem pensar.
Minha mulher é muito gastadeira!...
-...
***
Safado
- Você mora dentro
do meu coração, pequena deusa.
A jovem ficou de olhos
postos no infinito.
- O meu amor é maior
de que tudo, minha princesa. Juro-lhe.
- Para quantas você
jurou antes assim? Diga-me.
- Odeio esse seu egoísmo,
minha filha. Temos que ter o coração aberto para o mundo!
Eu já lhe disse, por mil vezes, eu já lhe disse. Como
você é teimosa! E egoísta!
***
Raiz
A raiz desse choro
se encontra no tronco da última e leviana felicidade.
***
Esclerose múltipla
- Brasileiros e brasileiras.
Tudo o que é meu pertence ao meu povo. Ao meu povo.
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20
anos de unificação e separação em Berlim
Stênio Urbano Muniz (Estudante
de Jornalismo - 7° período - UERN)
Os portões de Brandenburgo
não haviam sido abertos. Berlim era cinza e triste,
dizem. Milhares de pessoas queriam ver o outro lado
da sua pátria despedaçada por 28 anos de estupidez.
Era noite em 9 de novembro de 1989, e por isso, no dia
seguinte, algumas pessoas ainda não sabiam que podiam
atravessar o fronte alemão. 155 quilômetros separavam
as duas Alemanhas, 37 deles em área residencial, 302
torres de observação, 20 bunkers e centenas de milhares
de famílias separadas, longe das suas origens. Do lado
oriental, soldados ficavam à espera dos desertores do
sistema com fuzis e toda a truculência que emana dos
estados totalitários. Estima-se que 192 pessoas tenham
sido mortas ao tentarem cruzá-lo e outras tantas presas.
De um lado havia Coca-Cola,
Mac Donald, Poche e uma liberdade suposta que o capitalismo
construíra nas mentes das pessoas. Do outro, o socialismo
ruíra, era um sistema capenga, corrupto e nada tinha
mostrado como o idealizado por Max. Conta-se que o maior
consumo de Coca-Cola e Mac Donald's foi registrado quando
os alemães do oriente cruzaram os muros. Conta-se, a
panos frios, que o maior contrabando de armas da História
deu-se após a fragmentação das repúblicas socialistas
soviéticas.
O muro foi mais do
que a separação de uma nação, foi à divisão de dois
sistemas, entre o capitalismo, representado pelos Estados
Unidos e a URSS, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
O mais emblemático de tudo isso é que até hoje, apesar
da queda do muro, Berlim ainda é uma cidade separada
entre ricos, do lado ocidental capitalista, e pobres,
do lado oriental, socialista. Em recente pesquisa, 3
entre 10 pessoas dizem querer a volta do muro, principalmente
os do lado ocidental.
Dizem que Berlim é
um templo a céu aberto. Suas ruínas históricas (os tristes
campos de concentração, os bairros judeus, as sinagogas,
os pedaços que permanecem do muro) seus monumentos arquitetônicos
modernos espalhados para demonstrar a transparência
dos seus governos.
O muro de Berlim foi
conhecido como o muro da vergonha, no entanto, hoje
ainda há muros que dividem nações como na Palestina,
em Israel, no México e outros tantos muros que separam
ricos e pobres, brancos e negros. A verdade é que muito
além das barreiras de concreto o pior de tudo são os
muros invisíveis.
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Neuróbica
William Pereira
da Silva wilpersil2003@yahoo.com.br
Quando li pela primeira
vez a palavra NEURÓBICA associei logo com Neurônios
e Aeróbica. Creio ter sido a facilidade por ter estudado
o sistema nervoso e viver ouvindo as palavras Neurônios
e Aeróbica nas atividades de Educação Física. NEUROTICA
é um termo novo criado para definir no meu entender
os exercícios mentais associando aos exercícios físicos,
porém ele vai muito mais além e é um termo que abrange
atividades bastante amplas para os indivíduos em geral.
A palavra NEURÓBICA
foi criada por Katz e Rubin (2000), é uma alusão deliberada
ao exercício MENTAL. Afirmam esses autores que a NEURÓBICA
é muito diferente de outros tipos de exercício cerebral,
que em geral envolvem quebra-cabeças, palavras cruzadas,
exercícios de memória e várias espécies de testes. Em
vez disso, os exercícios da NEURÓBICA usam os cinco
sentidos de novas maneiras, a fim de aumentar o impulso
natural do cérebro para formar associações entre diferentes
tipos de informações.
Assim como as formas
ideais de exercício físico enfatizam o uso de muitos
grupos musculares diferentes para aumentar a coordenação
e flexibilidade, os exercícios cerebrais ideais envolvem
a ativação de muitas áreas diferentes do cérebro, de
novas maneiras, para ampliar o alcance da ação mental.
Por exemplo, um exercício como a natação torna o corpo
mais apto em geral, capaz de fazer qualquer exercício.
Da mesma forma, a neuróbica - e lembre-se que o xadrez
é um exercício neuróbico - torna o cérebro mais ágil
e flexível. Assim, pode-se assumir qualquer desafio
mental, seja de memória, desempenho de tarefa ou criatividade.
Isso acontece porque a neuróbica usa um método baseado
na maneira como o cérebro funciona, não apenas em como
fazer o cérebro funcionar.
Para todos entender
melhor o que vem a ser AS ATIVIDADES NEURÓBICAS veja
a relação de alguns exercícios neuróbicos dos muitos
que existem:
Em seu livro, Katz
e Rubin (2000) listam 83 exercícios neuróbicos, dos
quais alguns são aqui citados como exemplo:
Mude a associação olfativa
pela manhã com alguma coisa diferente do café fresco,
durante uma semana: baunilha, limão, hortelã ou alecrim.
No chuveiro, feche
os olhos e encontre os objetos necessários pelo tato.
Escove os dentes com
a outra mão.
Leia em voz alta com
o parceiro. Alternem os papéis de leitor e ouvinte.
Siga por um percurso
diferente para o trabalho (procurando captar sons, odores,
cores, formas).
Use odores para formar
uma associação específica com um lugar.
Use uma essência aromática
de seu gosto e ouça ao mesmo tempo uma canção predileta.
Em sua sala de trabalho,
mude as coisas de lugar para reativar as redes de aprendizado
espacial. Lembre-se de que a rotina embota o cérebro
(grifo nosso).
Ponha filtros ópticos
de cores diferentes na lâmpada de sua mesa.
Associe aromas às tarefas.
Aprenda Braille.
Jogue xadrez (grifo
nosso). (Aqui os autores relatam o caso de um escritório
onde foi colocado um tabuleiro de xadrez ao lado do
bebedouro. Qualquer empregado, durante uma pausa, podia
ir até o tabuleiro, avaliar a situação e fazer um movimento.
Era um jogo permanente, sem jogadores conhecidos, sem
vencedores ou ganhadores).
Visite uma feira-livre.
Faça das refeições
um acontecimento social (sem rádio, nem TV, com todos
assentados à mesa, talvez antecedidas por uma oração).
Troque de lugar nas
refeições.
Uma vez por mês, experimente
pratos que sejam uma total novidade para você.
Conheça novos lugares,
novos rostos.
Aprenda a linguagem
dos sinais.
Inicie um novo hobby
(pesca, aeromodelismo, computador, instrumento musical,
prancha de windsurf, etc.)
Cultive um jardim.
Seja criativo, participando
de uma oficina de criação (redação, pintura, fotografia,
escultura, música, arte dramática, arqueologia, etc.)
ou de centro esportivo (tênis, natação, golfe, mergulho
submarino, basquete, futebol, montanhismo, etc.) ou
faça uma curso de culinária.
Percebe que estes exercícios
visam estimular e criar novas redes de conhecimentos
dentro do cérebro evitando o comodismo que é acostumado
a impor a nossas ações. É a busca do novo, a ampliação
das ações corporais sensitivas, táteis, auditivas, gustativa
e visual melhorando consideravelmente nosso estilo de
vida e nossos pensamentos juntamente com as atividades
físicas.
Fonte de pesquisa:
Xadrez: Exercício neuróbico
e um instrumento pedagógico da educação física - Monografia
apresentada à Escola Superior de Educação Física de
Muzambinho - MG pelo aluno Vinicius Vignoli como requisito
à obtenção do título de Licenciatura Plena em educação
Física tendo como orientador Professor Ms. Marcos Navarro
Milliozzi.
Conheça meu texto em
formato de blog
http://textuariowpereira.blogspot.com/
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O
grito de Caim por José Saramago
Pedro Fernandes
de Oliveira Neto Mestrando do Programa de Pós-Graduação
em Letras da Uern
"É preciso ser-se
Deus para gostar tanto de sangue" - José Saramago
"O evangelho segundo Jesus Cristo" (OESJC),
2006, p.327.
Já era de se esperar.
E não há novidade alguma no fato. O novo romance de
José Saramago, "Caim", lançado há poucos dias,
recebeu da Igreja o já esperado visto de condenação
devido seu teor. Segundo o episcopado lusitano, a nova
obra do escritor português não passa de uma operação
publicitária e reduz o romancista à categoria de sujeito
amante da descordialidade e da ofensa.
Depois de insistir
na concepção carnal de Jesus, "nascido como todos
os filhos dos homens, sujo do mesmo sangue de sua mãe,
viscoso de suas mucosidades" (OESJC, 2006, p.65),
de uma Maria não virgem, do relacionamento amoroso entre
Jesus e Madalena e do que possivelmente esteve envolvido
no desfecho da vida de Cristo, Saramago avança sua veia
crítica sobre o discurso religioso cristão quando nesse
seu novo romance intima o leitor a se pôr novamente
de cara com a face crua de um Deus que já no seu evangelho
dava ares de seu egocentrismo, maquiavelice e crueldade.
"Caim" reconta
a modo de Saramago, numa leitura leve e densa montada
no seu já conhecido fluxo de narrar e nos jogos especulares
de uma escrita que mira a si e os movimentos externos
de alienação obliterados pelo balé das ideologias correntes,
entrecortados tudo isso pelo tom de uma realidade às
avessas, a já conhecida história do Gênesis, em que
a oferenda de um dos filhos de Adão, no caso Caim, não
teria sido do agrado de Deus, e, por isso, fora punido.
Com um título seco,
"Caim" há de possuir uma carga forte de sentido
quando faz por a personagem bíblica à horda dos oficiais
mártires e recupera seu lance na materialidade mítico-histórica
por outras vias. Esse romance vem retomar feixes de
compreensão que são próprios do escritor português:
os de que desde os primórdios já esse Deus a que adotamos
como ser supremo nutre sua sede de sangue e o que o
amor dedicado às suas crias à imagem e semelhança sua
é algo questionável. Isso estaria implícito em atitudes
como a de não aceitar como oferenda as frutas de Caim
em detrimento do cordeiro oferecido por Abel. Em "Caim"
quem recebe boa parcela da culpa pelo trágico desfecho
- já sabemos que um irmão por inveja mata o outro -
é o mesmo Deus sanguinário d'"O evangelho".
"Caim" é
para ser lido como se escrito antes d'"O evangelho".
Tem aqui a gênese do mal que vem entranhado nos modos
ler Deus. No romance de 1991, recordo-me da cena em
que se dá um dos primeiros encontros de Jesus com Deus:
Ele o obriga o sacrifício de um cordeiro que Jesus a
todo custo tentou esquivar do trágico fim; vendo a displicência
do filho para com a ordem, Ele próprio fulmina o quadrúpede
sem nem ao menos reparar que Jesus cortara-lhe pedaço
da orelha para parecer cria sem serventia. Além dessa
cena, é bom lembrar de outra: a em que Deus rejeita
o arrependimento do diabo pelo interesse no sangue de
Jesus: "Não te aceito, não te perdoo, quero-te
como és, e, se possível, ainda pior do que és agora"
(OESJC, 2006, p.328). São ambas as cenas como que fios
que se amarram a esse novo romance, uma vez que "Caim"
recupera os debates para o entendimento para o que venha
ser a culpa e os sacrifícios feitos para o perdão. Ao
mesmo tempo vem instaurar uma questão nova no debate:
a do redimensionamento do conceito sobre a inveja.
No fundo o que pretende
Saramago é injetar nos eixos das ideologias pequenos
cartuchos a fim de proporcionar uma reflexão, uma nova
maneira de ver e de mostrar que tudo o que nos cerca,
inclusive nós próprios, é materialidade construída à
base de nossas próprias escolhas.
Mas, matérias de ficção
à parte, voltemos a querela da Igreja. Se estamos diante
de artefatos ficcionais, o que a Igreja se finge de
doida e não entende, se entende não admite, é o medo;
esse não é nenhuma ingenuidade. É o arrepio que lhe
corre pela dorsal de uma implosão de suas bases ideológicas,
isto é, o desmantelamento de suas historietas de carochinha
pelas vias "indevidas" dos fatos. O arrepio
que lhe corre pela espinha da Igreja é o de um vento
que desbarate toda a complexa rede de um poder que nada
tem adiantado senão subverter os verdadeiros preceitos
cristãos e estilhaçar as já frágeis bases da convivência
humana.
A história oficial
não nos deixa mentir. Quantos foram os mortos que em
nome das causas da Igreja a terra embebeu-se de seu
sangue e adubou-se com seus ossos e carnes? Quantos
regimes de silenciamento e opressão tiveram as bênçãos
da Igreja? Incontáveis são os números para as duas primeiras
respostas. Todas, me parece ser a resposta mais concreta
a última pergunta. Que o diga o extenso rosário de horrores
rezado por Deus a Jesus por quase seis páginas corridas
d'"O evangelho", noutra cena também singular,
a da barca, onde reunidos estão os dois mais o diabo
a decidirem o destino de Jesus.
"Caim" vem
pelas mãos de um escritor perspicaz, que enxerga por
entre as frestas do nos posto como dito e aceito como
realidade, propor um reengendramento dos discursos e
da própria realidade. Senão isso, pelo menos uma reflexão
criteriosa acerca disso tudo. Quanto ao entendimento
da Igreja de que Saramago conhece superficialmente a
Bíblia, me parece ser o contrário, ela é que conhece
superficialmente a obra de Saramago.
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DICAS
GRAMATICAIS
benjamimlinhares2@hotmail.com
PRONOME
O assunto pronome é
vasto, por isso a partir deste domingo vamos trabalhar
explicando e exemplificando para que tudo fique bem
claro. Os pronomes demonstrativos estão sempre presentes
aos textos de todos os níveis socioeconômicos e também
às nossas conversas cotidianas. Os pronomes demonstrativos,
na Língua Portuguesa, são os seguintes: este, esta,
isto, esse, essa, isso, aquele, aquela, aquilo, o, a,
os, as, tal, tais. Em relação ao espaço (lugar), usamos
este, esta, isto para representar qualquer elemento
que esteja próximo da pessoa que fala; esse, essa, isso,
para elemento que esteja próximo da pessoa com quem
se fala; aquele, aquela, aquilo, para elemento distante
de ambos. Por exemplo: “Comprei esta jaqueta que estou
usando daquele camelô que vai lá adiante. Onde você
comprou essa sua?” "Dê-me essa caneta, que é minha,
e não sua."
No próximo domingo
darei continuidade a este assunto.
CRASE
Folheando um jornal
editado em São Paulo, mês passado, selecionei dois trechos
para analisarmos.
- Começa a funcionar
hoje o gabinete de crise do Ministério da Saúde para
auxiliar os governos estadual e municipais no combate
a dengue e no atendimento à população contaminada pela
doença.
- Durante viagem a
Washington, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse
que as Forças Armadas "estão dispostas a ajudar"
no combate à dengue e no tratamento dos infectados com
a doença.
A mesma construção
foi escrita ora com crase, ora sem. Acerta o trecho
em que é usado o acento grave. Um jeito de saber se
há crase é substituir a palavra feminina por outra no
masculino. Se o resultado for "ao", significa
que há presença de preposição ("a") e de artigo
("o"). Essa dica não funciona em todos os
casos. Mas, para este é perfeito: - combate ao fumo,
combate ao câncer, combate ao mal de Alzheimer. Percebe-se
que há presença tanto do artigo masculino quanto da
preposição. Logo, o mesmo comportamento ocorre no feminino,
o que leva à crase: - Começa a funcionar hoje o gabinete
de crise do Ministério da Saúde para auxiliar os governos
estadual e municipais no combate à dengue e no atendimento
à população contaminada pela doença.
CONCORDÂNCIA
Vamos observar as duas
frases seguintes e analisá-las:
- Um dia depois de
fechar um acordo com o governo para a aprovação do Orçamento,
os senadores do DEM e do PSDB ameaçam boicotar o processo.
- Para manifestar seu
repúdio, os senadores oposicionistas ameaçam deixar
de votar toda e qualquer MP que chegue às suas mãos
a partir de hoje.
Quando o verbo no infinitivo
vier no início da frase e tiver o mesmo sujeito que
o da oração seguinte, vai para o plural. Para ficar
mais claro: no primeiro trecho da reportagem, o sujeito
é "os senadores oposicionistas". Esse mesmo
sujeito no plural é compartilhado pelo verbo no infinitivo,
"fechar", que aparece no início da frase.
Nessa situação, o infinitivo é plurarizado.
Revendo os dois trechos,
temos, então:
- Um dia depois de
fecharem um acordo com o governo para a aprovação do
Orçamento, os senadores do DEM e do PSDB ameaçam boicotar
o processo.
- Para manifestarem
seu repúdio, os senadores oposicionistas ameaçam deixar
de votar toda e qualquer MP que chegue às suas mãos
a partir desta quinta-feira.
CURIOSIDADES
Já falei tanto sobre
este assunto, mas nunca é tarde para aprender.
* Atenção: nunca empregue
hífen depois de bi, tri, tetra, penta, hexa, etc. O
nome fica sempre coladinho. O Sport se tornou tetracampeão
no ano 2000. O Náutico foi hexacampeão em 1968. O Brasil
foi bicampeão em 1962.
* Cuidado: Eu caibo
dentro daquela caixa. A primeira pessoa do presente
do indicativo assim se escreve porque o verbo é irregular.
* Veja bem: uma revista
bimensal é publicada duas vezes ao mês, ou seja, de
15 em 15 dias. A revista bimestral só sai nas bancas
de dois em dois meses. Percebeu a diferença?
* Existem palavras
que só devem ser empregadas no plural. Veja: os óculos,
as núpcias, as olheiras, os parabéns, os pêsames, as
primícias, os víveres, os afazeres, os anais, os
arredores, os escombros, as fezes, as hemorróidas, etc.
* Catequese se
escreve com s, mas catequizar é com z. O exemplo
acima é uma exceção à regra, que diz o seguinte: os
verbos derivados de palavras primitivas grafadas com
s formam-se com o acréscimo do sufixo -ar: análise-analisar,
pesquisa-pesquisar, aviso-avisar, paralisia-paralisar,
etc.
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