Mossoró-RN, domingo 8 de novembro de 2009

 

TG 07-010 90 anos do Tiro de Guerra de Mossoró

GERALDO MAIA
gemaia@bol.com.br

Em 7 de novembro de 1909, num belo dia de domingo, era criado o Tiro de Guerra de Mossoró, como forma de prover a cidade de um grupo de atiradores treinados para defender a cidade quando necessário. Os Tiros de Guerra são uma experiência brasileira vigente desde o século passado, quando Antônio Carlos Lopes (1870 - 1931), fundou na cidade de Rio Grande - RS, uma sociedade de tiro ao alvo com finalidades militares.

Antônio Carlos, com cerca de 20 anos, foi testemunha dos sangrentos episódios em Rio Grande-RS, decorrentes da Guerra Civil de 1893-95, combinados com a Revolta da Armada (1893-94). Possuidor do curso de Farmacêutico Químico, realizado em Ouro Preto-MG, foi até a Suíça a fim de estagiar em seus famosos laboratórios. Lá teve a sua atenção despertada pelo sistema de defesa daquele país, onde cada cidadão recebia instrução de tiro e uma arma, que guardava em casa, ficando em condições de atender à convocação militar, quando fosse necessário. De volta à terra natal, onde se estabeleceu como comerciante, foi que concebeu sua ideia de defesa do Brasil com poucos recursos e com potencial de mobilizar em emergências grande número de reservistas atiradores, habilitados no uso das armas de fogo.

Em Mossoró, tudo começou quando às 16h daquele domingo, no salão nobre do antigo Colégio Diocesano Santa Luzia, se reunia uma boa parcela da sociedade mossoroense, com o objetivo de organizar um clube com fins militares, que se denominaria "Sociedade Brasileira do Tiro Mossoroense". Essa reunião era dirigida por uma alta patente da Guarda Nacional, que convidou, tão logo se concretizou o ato, a comparecer todos os cidadãos que dela desejassem fazer parte. Estava criado assim o Tiro de Guerra de Mossoró, tendo a data de 7 de novembro de 1909 como marco na história de sua criação.

A ideia da criação do Tiro de Guerra de Mossoró foi bem aceita pela sociedade, tanto assim que os jornais da época se ocuparam de ressaltar a sua importância. "Na sua edição de 14 de novembro de 1909 o jornal "Comércio de Mossoró" trazia um artigo onde dizia: "Sob os melhores auspícios e com numerosa assistência foi fundada a Sociedade Brasileira do Tiro Mossoroense, que será instalada no dia 15 do corrente, sendo eleita e empossada a diretoria que tem de geri-la no  primeiro ano social."  

A "Sociedade Brasileira do Tiro Mossoroense" começou com 81 sócios, sendo a sua primeira diretoria constituída, de acordo com a matéria publicada no jornal "Comércio de Mossoró" - edição de 21/11/1909, da seguinte forma: Presidente - Bento Praxedes; Vice-Presidente - Ten. Cel. Antônio Filgueira Filho; Tesoureira - Alfredo Fernandes; Secretário - Antônio Quintino; Diretor de Tiro - Major Romão Filgueira; Membros - João Capistrano, Major Vicente Couto (da Guarda Nacional), José Pedro do Monte, Tenente Vicente Ferreira Cunha da Mota e Genuíno Alves de Souza. Comissão de Contas: Francisco Borges de Andrade, João Nogueira da Costa e Raymundo Jovino de Oliveira.

No dia 23 de novembro de 1910 houve a incorporação da Sociedade Brasileira do Tiro Mossoroense à Confederação do Tiro Brasileiro, sob o número 42, na terceira categoria, passando a ser conhecido como "Tiro de Guerra 42". Com a promulgação da nova Lei do Serviço Militar em 1946 (Dec. Lei nº 9500, de 23 de julho de 1946), que implantou o recrutamento na forma de convocação geral por classe, os Tiros de Guerra passaram a ter uma posição de destaque na formação da reserva do Exército Brasileiro, pois situavam-se em cidades que possuíam um número de jovens aptos para o Serviço Militar. Houve renumeração nos TGs, passando o antigo TG 42 a ter o nº 188 (TG-188), passando depois para TG-07-010, o que significa dizer que é o Tiro de Guerra 010 da 7ª Região Militar.

A história do Tiro de Guerra de Mossoró foi contada por um de seus instrutores, o hoje Tenente Rinaldo Difforene Schultz, que o comandou no período de 2001 a 2005, no livro "O Tiro de Guerra de Mossoró", editado pela Coleção Mossoroense, com o patrocínio da Petrobras através da Lei de Incentivo à Cultura Câmara Cascudo.

 

Singelezas da vida

Gilbamar de Oliveira
gilbamarbezerra@ig.com.br

A pequenina borboleta estava abraçada à cortina da janela de minha escrivaninha tão-logo o dia amanheceu. O vento dava suas voltas apressadas pelos espaços do meu escritório e deixava revoar o pano grosso do cortinado, e a borboleta aferrava-se a ele como seu último ponto de apoio. A presença daquela serzinho tão indefeso no meu ambiente de inspiração e trabalho, ansiando viver como qualquer outro o faria enquanto lhe pulsa a vida, sensibilizou-me sobremaneira. Corri a pegar a máquina fotográfica para guardar aquele momento a mim deveras lindo e disparei o flash temendo vê-la fugir. Mas ela não se foi, quase ficou a olhar-me através de suas cores tão bem distribuídas por Deus, deixando-se fotografar como uma boa modelo. Vaguei meus olhos por ela ainda alguns instantes, admirando-a, ela certamente perdida nos interlúdios de, quem sabe?, suas, digamos, reflexões. Riria de mim se soubesse como tanto me encantou sua deslumbrante visita. Depois, deixei-a sossegada e fui cuidar de minha vida esquecendo-a solitária no recanto que escolhera para pousar.

Qual não foi minha surpresa, à noite, já de volta de minhas atividades cotidianas, ao, displicente, olhar para o teto sem razão aparente e deparar, perplexo, com a mesma borboletinha colorida ali grudada a, por certo, namorar o branco do estuque. Paradinha, silente como convém às borboletas, só Deus sabe desde quando estava lá enfronhada em si mesma. Minha reação normal foi, novamente, disparar à procura da preciosa máquina digital no intuito de tentar registrar a nova e destoante paisagem bucólica proporcionada pela frágil e indefesa borboleta. E pensar que o bater de suas asas pode causar um terremoto na Ásia! Lei de causa e efeito, dizem. Cruz credo! Arreda!

Bem, à parte isso, subi na cadeira e aproximei a câmera o mais perto possível dela e cliquei. Como se indiferente ao meu desajeitado anelo de retratá-la, lá estagnada ela estava e permaneceu sem piscar os olhinhos. Eu não podia de modo algum perder a oportunidade de emocionar vocês, como eu fiquei, então anotei esse fragmento de sensibilidade que tomou conta de mim ante a simplicidade e a singeleza das pequenas coisas que nos atraem e de quanto tudo pode ter um toque de arte e poesia.

 

Elaine e seu mundo

SULLA MINO
sullamino@yahoo.com.br

Não posso me comparar a um pássaro solto por aí, dando seus rasantes nos vales das sombras, sou de um tempo que já está fora, estou fora, no meu controle insano.

Não sou uma ave perdida entre dois mundos, agarrada a uma térmica silenciosa.           Sinto dor, choro, sinto coisas absurdas dentro de mim, não sei entender e muitas vezes não quero aceitar.

Gosto do gosto amargo da fruta que como, de me despir para a noite sangrenta do meu desespero, não sou verbal, apenas abstrata.

Delicio-me recordando velhas lembranças esquecidas, aquelas que todos fazem questão de apagar das mentes doentias e loucas, dia após dia me reviro, enlouqueço no meu delírio, tudo imediato e constante.

Apego-me as tolices, feito brincadeira de criança levada, abro o baú, aquele jogado no sótão, me entrego em teus mistérios. Brinco com seus jogos meigos de cinco anos, me enrolo no lençol azul com balões coloridos, brinco com o apito, a peteca, pião.

Vivo cinco horas por dia, diante daquele baú sou mais mãe, mais eu, sem me importar com aqueles vermes conversando na sala de estar, destacando a crise financeira, revendo maneiras de me trancafiar, de me envolver naquele cadeado antigo do vovô.

O pássaro cinza decola mais uma vez, sente o vento em suas penas, plana, sente o gosto da liberdade, seus olhos mansos cultuam todo o vale escondido atrás dos montes, em um lugar aonde o homem inda não chegou pra destruir. E eu tenho a verdadeira guerra dentro de mim, conflitos e batalhas.

O baú ainda é meu velho e único companheiro, perto dele sou a estrela do palco, uma criança brincando, quando estou revirando-o sinto que meu pequenino ainda está em meus braços e é neste momento que sinto que posso voar, de alguma forma está fora da verdadeira realidade.

Agarrei-me ao baú, como se nele estivesse o mundo guardado, só meu, eles me puxavam, me tiravam a força daquele quarto, senti-me com a asa quebrada, sei que me levam novamente para a gaiola.

 

Caderno CA (Parte XVII)

Clauder Arcanjo
clauder@pedagogiadagestao.com.br

Cansado

-Ando cansado. As forças me faltam; o espírito, parece-me, respira com dificuldade, diria até... claudicante. A minha energia se foi. Exausto, arrasto-me pelas horas em fora. O dia inteiro. A semana inteira. O ano...

-Mas você nunca fez nada!?...

-E você não queira saber como a inatividade nos cansa, meu filho! Como eu estava lhe dizendo: ando pelas tabelas, esgotado. Extremamente arrebentado.

- ...

***

Antes que a politicalha...

Antes que a politicalha avance mais ainda, no seu característico tropel, finquemos a bandeira do bem-comum por entre as sendas deste País. Quem sabe assim agindo, contenhamos esses arautos da 'sanha-do-arrasa-e-estrompa'.

Uma palavra deve ser ofertada, falando de arco-íris, de esperança, de presente possível. Enfim, o discurso a serviço da necessidade de fazermos hoje as bases do edifício da sociedade sonhada para o amanhã. No entanto, precisamos de cidadãos e não de mentecaptos nos postos de comando. Ninguém aceita ordem de desordeiros, de gente tacanha, amigos somente das promessas, desafetos do precioso agir. Temos, urge que assim seja, que pensar no outro, de renunciar um pouco para que o todo viva, ou pelo menos sobreviva, melhor.

Instalemos, então, o reinado da cor, cor que (res)surgirá do pântano dos dias, e habitará em plena praça pública. Bandeira desfraldada por todos, em prol de todos.

Sei que os homens sérios andam receosos de entrarem na política, dado que esta já foi sobremodo invadida pela politicalha. Esta, sim, é a fraude do interesse público; aquela, temerosa e tímida, recolheu-se aos ambientes onde você me lê, silenciosamente, e não age. Enquanto isso, a canalha toma conta do espólio nacional.

Antes que a situação tome proporções de catástrofe, há de haver uma tomada de posição nossa, escorraçando da vida pública, da (res)pública, quem nunca devia ter sequer entrado nela. Vendilhões do templo da cidadania!

Antes que a politicalha...

Esses apontamentos do "Caderno CA"... tem a fúria do bom combate? Não sei, não sei. Mas quem há de fugir desse combate? Quem!?...

A raiva dessa politicalha insidiosa toma-me o juízo com tal volúpia, de tal maneira... que o sangue me ferve os miolos.

***

Garatujas

Se são rabiscos malfeitos? Pouco se me dá. Não me importo. A sede de transcrever o que sinto se instala, e pede rápida saída. Não me deixando tempo para polimentos, para a escolha do vocábulo devido, da forma mais que perfeita. Sou apenas uma espécie de transmissor, ou de taquígrafo?, dessa espécie de pulsão pela palavra, que, de quando em vez, assalta-me o cérebro.

Garatujas?!... Pode ser, todavia são os meus únicos sinais de vida (ou de morte?). Tais apontamentos pedem passagem, e não ouso garroteá-los. Tenho juízo, tenho juízo.

***

Entre o tal e o qual

- Tal seu pai!

-Qual pai?

- ...

-Vai ficar aí: surdo e mudo.

- Tal e qual o seu pai.

***

Beleza

A beleza mais difícil de ser encontrada, e de ser traduzida, reside na morada tosca da feiúra.

***

Consumação

- Pague dez e consuma dez.

- Não sei... Não me atrevo.

- Pague, então, apenas cinco e consuma os cinco.

- Não sei... Imaginei menos ainda.

- Que tal ficar em casa!

- Não, nem pensar. Minha mulher é muito gastadeira!...

-...

***

Safado

- Você mora dentro do meu coração, pequena deusa.

A jovem ficou de olhos postos no infinito.

- O meu amor é maior de que tudo, minha princesa. Juro-lhe.

- Para quantas você jurou antes assim? Diga-me.

- Odeio esse seu egoísmo, minha filha. Temos que ter o coração aberto para o mundo! Eu já lhe disse, por mil vezes, eu já lhe disse. Como você é teimosa! E egoísta!

***

Raiz

A raiz desse choro se encontra no tronco da última e leviana felicidade.

***

Esclerose múltipla

- Brasileiros e brasileiras. Tudo o que é meu pertence ao meu povo. Ao meu povo.

 

20 anos de unificação e separação em Berlim

Stênio Urbano Muniz
(Estudante de Jornalismo - 7° período - UERN)

Os portões de Brandenburgo não haviam sido abertos. Berlim era cinza e triste, dizem. Milhares de pessoas queriam ver o outro lado da sua pátria despedaçada por 28 anos de estupidez. Era noite em 9 de novembro de 1989, e por isso, no dia seguinte, algumas pessoas ainda não sabiam que podiam atravessar o fronte alemão. 155 quilômetros separavam as duas Alemanhas, 37 deles em área residencial, 302 torres de observação, 20 bunkers e centenas de milhares de famílias separadas, longe das suas origens. Do lado oriental, soldados ficavam à espera dos desertores do sistema com fuzis e toda a truculência que emana dos estados totalitários. Estima-se que 192 pessoas tenham sido mortas ao tentarem cruzá-lo e outras tantas presas.

De um lado havia Coca-Cola, Mac Donald, Poche e uma liberdade suposta que o capitalismo construíra nas mentes das pessoas. Do outro, o socialismo ruíra, era um sistema capenga, corrupto e nada tinha mostrado como o idealizado por Max. Conta-se que o maior consumo de Coca-Cola e Mac Donald's foi registrado quando os alemães do oriente cruzaram os muros. Conta-se, a panos frios, que o maior contrabando de armas da História deu-se após a fragmentação das repúblicas socialistas soviéticas.

O muro foi mais do que a separação de uma nação, foi à divisão de dois sistemas, entre o capitalismo, representado pelos Estados Unidos e a URSS, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. O mais emblemático de tudo isso é que até hoje, apesar da queda do muro, Berlim ainda é uma cidade separada entre ricos, do lado ocidental capitalista, e pobres, do lado oriental, socialista. Em recente pesquisa, 3 entre 10 pessoas dizem querer a volta do muro, principalmente os do lado ocidental.

Dizem que Berlim é um templo a céu aberto. Suas ruínas históricas (os tristes campos de concentração, os bairros judeus, as sinagogas, os pedaços que permanecem do muro) seus monumentos arquitetônicos modernos espalhados para demonstrar a transparência dos seus governos.

O muro de Berlim foi conhecido como o muro da vergonha, no entanto, hoje ainda há muros que dividem nações como na Palestina, em Israel, no México e outros tantos muros que separam ricos e pobres, brancos e negros. A verdade é que muito além das barreiras de concreto o pior de tudo são os muros invisíveis.

 

Neuróbica

William Pereira da Silva
wilpersil2003@yahoo.com.br

Quando li pela primeira vez a palavra NEURÓBICA associei logo com Neurônios e Aeróbica. Creio ter sido a facilidade por ter estudado o sistema nervoso e viver ouvindo as palavras Neurônios e Aeróbica nas atividades de Educação Física. NEUROTICA é um termo novo criado para definir no meu entender os exercícios mentais associando aos exercícios físicos, porém ele vai muito mais além e é um termo que abrange atividades bastante amplas para os indivíduos em geral.

A palavra NEURÓBICA foi criada por Katz e Rubin (2000), é uma alusão deliberada ao exercício MENTAL. Afirmam esses autores que a NEURÓBICA é muito diferente de outros tipos de exercício cerebral, que em geral envolvem quebra-cabeças, palavras cruzadas, exercícios de memória e várias espécies de testes. Em vez disso, os exercícios da NEURÓBICA usam os cinco sentidos de novas maneiras, a fim de aumentar o impulso natural do cérebro para formar associações entre diferentes tipos de informações.

Assim como as formas ideais de exercício físico enfatizam o uso de muitos grupos musculares diferentes para aumentar a coordenação e flexibilidade, os exercícios cerebrais ideais envolvem a ativação de muitas áreas diferentes do cérebro, de novas maneiras, para ampliar o alcance da ação mental. Por exemplo, um exercício como a natação torna o corpo mais apto em geral, capaz de fazer qualquer exercício. Da mesma forma, a neuróbica - e lembre-se que o xadrez é um exercício neuróbico - torna o cérebro mais ágil e flexível. Assim, pode-se assumir qualquer desafio mental, seja de memória, desempenho de tarefa ou criatividade. Isso acontece porque a neuróbica usa um método baseado na maneira como o cérebro funciona, não apenas em como fazer o cérebro funcionar.

Para todos entender melhor o que vem a ser AS ATIVIDADES NEURÓBICAS veja a relação de alguns exercícios neuróbicos dos muitos que existem:

Em seu livro, Katz e Rubin (2000) listam 83 exercícios neuróbicos, dos quais alguns são aqui citados como exemplo:

Mude a associação olfativa pela manhã com alguma coisa diferente do café fresco, durante uma semana: baunilha, limão, hortelã ou alecrim.

No chuveiro, feche os olhos e encontre os objetos necessários pelo tato.

Escove os dentes com a outra mão.

Leia em voz alta com o parceiro. Alternem os papéis de leitor e ouvinte.

Siga por um percurso diferente para o trabalho (procurando captar sons, odores, cores, formas).

Use odores para formar uma associação específica com um lugar.

Use uma essência aromática de seu gosto e ouça ao mesmo tempo uma canção predileta.

Em sua sala de trabalho, mude as coisas de lugar para reativar as redes de aprendizado espacial. Lembre-se de que a rotina embota o cérebro (grifo nosso).

Ponha filtros ópticos de cores diferentes na lâmpada de sua mesa.

Associe aromas às tarefas.

Aprenda Braille.

Jogue xadrez (grifo nosso). (Aqui os autores relatam o caso de um escritório onde foi colocado um tabuleiro de xadrez ao lado do bebedouro. Qualquer empregado, durante uma pausa, podia ir até o tabuleiro, avaliar a situação e fazer um movimento. Era um jogo permanente, sem jogadores conhecidos, sem vencedores ou ganhadores).

Visite uma feira-livre.

Faça das refeições um acontecimento social (sem rádio, nem TV, com todos assentados à mesa, talvez antecedidas por uma oração).

Troque de lugar nas refeições.

Uma vez por mês, experimente pratos que sejam uma total novidade para você.

Conheça novos lugares, novos rostos.

Aprenda a linguagem dos sinais.

Inicie um novo hobby (pesca, aeromodelismo, computador, instrumento musical, prancha de windsurf, etc.)

Cultive um jardim.

Seja criativo, participando de uma oficina de criação (redação, pintura, fotografia, escultura, música, arte dramática, arqueologia, etc.) ou de centro esportivo (tênis, natação, golfe, mergulho submarino, basquete, futebol, montanhismo, etc.) ou faça uma curso de culinária.

Percebe que estes exercícios visam estimular e criar novas redes de conhecimentos dentro do cérebro evitando o comodismo que é acostumado a impor a nossas ações. É a busca do novo, a ampliação das ações corporais sensitivas, táteis, auditivas, gustativa e visual melhorando consideravelmente nosso estilo de vida e nossos pensamentos juntamente com as atividades físicas.

Fonte de pesquisa:

Xadrez: Exercício neuróbico e um instrumento pedagógico da educação física - Monografia apresentada à Escola Superior de Educação Física de Muzambinho - MG pelo aluno Vinicius Vignoli como requisito à obtenção do título de Licenciatura Plena em educação Física tendo como orientador Professor Ms. Marcos Navarro Milliozzi.

Conheça meu texto em formato de blog

http://textuariowpereira.blogspot.com/

 

O grito de Caim por José Saramago

Pedro Fernandes de Oliveira Neto
Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Letras da Uern

"É preciso ser-se Deus para gostar tanto de sangue" - José Saramago "O evangelho segundo Jesus Cristo" (OESJC), 2006, p.327.

Já era de se esperar. E não há novidade alguma no fato. O novo romance de José Saramago, "Caim", lançado há poucos dias, recebeu da Igreja o já esperado visto de condenação devido seu teor. Segundo o episcopado lusitano, a nova obra do escritor português não passa de uma operação publicitária e reduz o romancista à categoria de sujeito amante da descordialidade e da ofensa.

Depois de insistir na concepção carnal de Jesus, "nascido como todos os filhos dos homens, sujo do mesmo sangue de sua mãe, viscoso de suas mucosidades" (OESJC, 2006, p.65), de uma Maria não virgem, do relacionamento amoroso entre Jesus e Madalena e do que possivelmente esteve envolvido no desfecho da vida de Cristo, Saramago avança sua veia crítica sobre o discurso religioso cristão quando nesse seu novo romance intima o leitor a se pôr novamente de cara com a face crua de um Deus que já no seu evangelho dava ares de seu egocentrismo, maquiavelice e crueldade.

"Caim" reconta a modo de Saramago, numa leitura leve e densa montada no seu já conhecido fluxo de narrar e nos jogos especulares de uma escrita que mira a si e os movimentos externos de alienação obliterados pelo balé das ideologias correntes, entrecortados tudo isso pelo tom de uma realidade às avessas, a já conhecida história do Gênesis, em que a oferenda de um dos filhos de Adão, no caso Caim, não teria sido do agrado de Deus, e, por isso, fora punido.

Com um título seco, "Caim" há de possuir uma carga forte de sentido quando faz por a personagem bíblica à horda dos oficiais mártires e recupera seu lance na materialidade mítico-histórica por outras vias. Esse romance vem retomar feixes de compreensão que são próprios do escritor português: os de que desde os primórdios já esse Deus a que adotamos como ser supremo nutre sua sede de sangue e o que o amor dedicado às suas crias à imagem e semelhança sua é algo questionável. Isso estaria implícito em atitudes como a de não aceitar como oferenda as frutas de Caim em detrimento do cordeiro oferecido por Abel. Em "Caim" quem recebe boa parcela da culpa pelo trágico desfecho - já sabemos que um irmão por inveja mata o outro - é o mesmo Deus sanguinário d'"O evangelho".

"Caim" é para ser lido como se escrito antes d'"O evangelho". Tem aqui a gênese do mal que vem entranhado nos modos ler Deus. No romance de 1991, recordo-me da cena em que se dá um dos primeiros encontros de Jesus com Deus: Ele o obriga o sacrifício de um cordeiro que Jesus a todo custo tentou esquivar do trágico fim; vendo a displicência do filho para com a ordem, Ele próprio fulmina o quadrúpede sem nem ao menos reparar que Jesus cortara-lhe pedaço da orelha para parecer cria sem serventia. Além dessa cena, é bom lembrar de outra: a em que Deus rejeita o arrependimento do diabo pelo interesse no sangue de Jesus: "Não te aceito, não te perdoo, quero-te como és, e, se possível, ainda pior do que és agora" (OESJC, 2006, p.328). São ambas as cenas como que fios que se amarram a esse novo romance, uma vez que "Caim" recupera os debates para o entendimento para o que venha ser a culpa e os sacrifícios feitos para o perdão. Ao mesmo tempo vem instaurar uma questão nova no debate: a do redimensionamento do conceito sobre a inveja.

No fundo o que pretende Saramago é injetar nos eixos das ideologias pequenos cartuchos a fim de proporcionar uma reflexão, uma nova maneira de ver e de mostrar que tudo o que nos cerca, inclusive nós próprios, é materialidade construída à base de nossas próprias escolhas.

Mas, matérias de ficção à parte, voltemos a querela da Igreja. Se estamos diante de artefatos ficcionais, o que a Igreja se finge de doida e não entende, se entende não admite, é o medo; esse não é nenhuma ingenuidade. É o arrepio que lhe corre pela dorsal de uma implosão de suas bases ideológicas, isto é, o desmantelamento de suas historietas de carochinha pelas vias "indevidas" dos fatos. O arrepio que lhe corre pela espinha da Igreja é o de um vento que desbarate toda a complexa rede de um poder que nada tem adiantado senão subverter os verdadeiros preceitos cristãos e estilhaçar as já frágeis bases da convivência humana.

A história oficial não nos deixa mentir. Quantos foram os mortos que em nome das causas da Igreja a terra embebeu-se de seu sangue e adubou-se com seus ossos e carnes? Quantos regimes de silenciamento e opressão tiveram as bênçãos da Igreja? Incontáveis são os números para as duas primeiras respostas. Todas, me parece ser a resposta mais concreta a última pergunta. Que o diga o extenso rosário de horrores rezado por Deus a Jesus por quase seis páginas corridas d'"O evangelho", noutra cena também singular, a da barca, onde reunidos estão os dois mais o diabo a decidirem o destino de Jesus.

"Caim" vem pelas mãos de um escritor perspicaz, que enxerga por entre as frestas do nos posto como dito e aceito como realidade, propor um reengendramento dos discursos e da própria realidade. Senão isso, pelo menos uma reflexão criteriosa acerca disso tudo. Quanto ao entendimento da Igreja de que Saramago conhece superficialmente a Bíblia, me parece ser o contrário, ela é que conhece superficialmente a obra de Saramago.  

 

DICAS GRAMATICAIS

benjamimlinhares2@hotmail.com

PRONOME

O assunto pronome é vasto, por isso a partir deste domingo vamos trabalhar explicando e exemplificando para que tudo fique bem claro. Os pronomes demonstrativos estão sempre presentes aos textos de todos os níveis socioeconômicos e também às nossas conversas cotidianas. Os pronomes demonstrativos, na Língua Portuguesa, são os seguintes: este, esta, isto, esse, essa, isso, aquele, aquela, aquilo, o, a, os, as, tal, tais. Em relação ao espaço (lugar), usamos este, esta, isto para representar qualquer elemento que esteja próximo da pessoa que fala; esse, essa, isso, para elemento que esteja próximo da pessoa com quem se fala; aquele, aquela, aquilo, para elemento distante de ambos. Por exemplo: “Comprei esta jaqueta que estou usando daquele camelô que vai lá adiante. Onde você comprou essa sua?” "Dê-me essa caneta, que é minha, e não sua."

No próximo domingo darei continuidade a este assunto.

CRASE

Folheando um jornal editado em São Paulo, mês passado, selecionei dois trechos para analisarmos.

- Começa a funcionar hoje o gabinete de crise do Ministério da Saúde para auxiliar os governos estadual e municipais no combate a dengue e no atendimento à população contaminada pela doença.

- Durante viagem a Washington, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que as Forças Armadas "estão dispostas a ajudar" no combate à dengue e no tratamento dos infectados com a doença.

A mesma construção foi escrita ora com crase, ora sem. Acerta o trecho em que é usado o acento grave. Um jeito de saber se há crase é substituir a palavra feminina por outra no masculino. Se o resultado for "ao", significa que há presença de preposição ("a") e de artigo ("o"). Essa dica não funciona em todos os casos. Mas, para este é perfeito: - combate ao fumo, combate ao câncer, combate ao mal de Alzheimer. Percebe-se que há presença tanto do artigo masculino quanto da preposição. Logo, o mesmo comportamento ocorre no feminino, o que leva à crase: - Começa a funcionar hoje o gabinete de crise do Ministério da Saúde para auxiliar os governos estadual e municipais no combate à dengue e no atendimento à população contaminada pela doença.

CONCORDÂNCIA

Vamos observar as duas frases seguintes e analisá-las:

- Um dia depois de fechar um acordo com o governo para a aprovação do Orçamento, os senadores do DEM e do PSDB ameaçam boicotar o processo.

- Para manifestar seu repúdio, os senadores oposicionistas ameaçam deixar de votar toda e qualquer MP que chegue às suas mãos a partir de hoje.

Quando o verbo no infinitivo vier no início da frase e tiver o mesmo sujeito que o da oração seguinte, vai para o plural. Para ficar mais claro: no primeiro trecho da reportagem, o sujeito é "os senadores oposicionistas". Esse mesmo sujeito no plural é compartilhado pelo verbo no infinitivo, "fechar", que aparece no início da frase. Nessa situação, o infinitivo é plurarizado.

Revendo os dois trechos, temos, então:

- Um dia depois de fecharem um acordo com o governo para a aprovação do Orçamento, os senadores do DEM e do PSDB ameaçam boicotar o processo.

- Para manifestarem seu repúdio, os senadores oposicionistas ameaçam deixar de votar toda e qualquer MP que chegue às suas mãos a partir desta quinta-feira.

CURIOSIDADES

Já falei tanto sobre este assunto, mas nunca é tarde para aprender.

* Atenção: nunca empregue hífen depois de bi, tri, tetra, penta, hexa, etc. O nome fica sempre coladinho. O Sport se tornou tetracampeão no ano 2000. O Náutico foi hexacampeão em 1968. O Brasil foi bicampeão em 1962.  

* Cuidado: Eu caibo dentro daquela caixa. A primeira pessoa do presente do indicativo assim se escreve porque o verbo é irregular.  

* Veja bem: uma revista bimensal é publicada duas vezes ao mês, ou seja, de 15 em 15 dias. A revista bimestral só sai nas bancas de dois em dois meses.  Percebeu a diferença?  

 * Existem palavras que só devem ser empregadas no plural. Veja: os óculos, as núpcias, as olheiras, os parabéns, os pêsames,  as primícias, os víveres, os afazeres, os anais,  os arredores, os escombros, as fezes, as hemorróidas, etc.

*  Catequese se escreve com s, mas catequizar é com z.  O exemplo acima é uma exceção à regra, que diz o seguinte: os verbos derivados de palavras primitivas grafadas com s formam-se com o acréscimo do sufixo -ar: análise-analisar, pesquisa-pesquisar, aviso-avisar, paralisia-paralisar, etc.

 

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