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Mossoró
e a seca dos dois setes
GERALDO MAIA gemaia@bol.com.br
O ano de 1877 foi terrível
para o sertão nordestino. É nesse ano que começa a calamidade
da mais terrível das secas que flagelaram as províncias
do Nordeste no final do século XIX. No Rio Grande do
Norte, quase todas as cidades do interior foram
atingidas pela intempérie. As populações abandonaram
os sítios a procura das cidades. E Mossoró, no
Oeste potiguar, se viu, de repente, invadida por milhares
de retirantes que aqui chegavam em busca da salvação,
vestidos de trapos sujos, algumas crianças nuas, barrigudas
e magras. "A população sertaneja, apavorada, empolgada
por um terror coletivo, deslocou-se em massa para o
litoral seduzida pela miragem fatal dos Socorros mandados
distribuir pelo Governo Monárquico", como nos conta
o historiador Oswaldo Lamartine. Muitos não resistiram
a viagem e morreram no meio do caminho; outros, os que
ainda tinham força para trabalhar, prestaram serviços
ao municí-pio em troca de alimentação. Foi uma fase
negra na história de Mossoró.
Naquele período, Mossoró
vivia a fase áurea do seu desenvolvimento. A exemplo
da maioria das cidades do interior nordestino, começou
a formar a sua economia a partir das atividades agropastoris.
Mas por estar situada em uma área privilegiada,
entre duas capitais e sendo o ponto de transição entre
o sertão e o litoral torna-se, já em 1857, uma espécie
de empório comercial. Apesar de não situar-se
no litoral, contava com um porto, o porto de Mossoró
ou porto de Areia Branca, município esse que pertenceu
a Mossoró até 1892, quando foi desmembrado. Com
a chegada dos navios da Companhia Pernambucana de Navegação
Costeira ao porto de Mossoró em 1857, através de uma
subvenção concedida pelo governo provincial, o município
se torna o centro de comercialização de uma área que
atinge, além dos municípios vizinhos, uma parte do Ceará
e também da Paraíba. Esse fato é, na visão dos historiadores
mossoroenses, o primeiro marco na ascensão de Mossoró
a empório comercial. A chegada dos navios fez
com que comerciantes de outras praças, principalmente
de Aracati/CE, viessem a se estabelecer
aqui atraídos pelas oportunidades comerciais que
a cidade passou a oferecer. E é esse atrativo
que faz com que em 16 de novembro de 1868, o industrial
suíço Johan Ulrich Graff se estabeleça em Mossoró com
a famosa "Casa Graff", alavancando o seu desenvolvimento
econômico com ideias mercantilistas, associadas ao capital
aqui investido.
Mas se por um lado
o crescimento do comércio atraía grandes comerciantes,
por outro lado atraía também os famintos retirantes
que buscavam aqui meios de sobrevivência. Em determinado
período, chegou-se a registrar nada menos que 70.000
flagelados, segundo nos informa o historiador Câmara
Cascudo, vindos de toda zona oeste e de estados
vizinhos, na busca de meios de sobrevivência. "Era
a fase cruel da seca dos dois sete, prolongando-se até
1879 e mesmo 1880 que ainda reunia grupos famintos pelas
ruas da cidade", nas palavras de Cascudo.
Nesse período, Mossoró
era governada pelo caraubense Francisco Gurgel de Oliveira.
Apesar das dificuldades que teve de enfrentar
para socorrer as vítimas da seca, graças aos auxílios
conseguidos do governo provincial e até mesmo de particulares
distantes, através da Comissão de Socorros Públicos,
que era presidida pelo Dr. Manoel Hemetério, conseguiu,
o Coronel Gurgel executar vários serviços nas ruas,
no rio e por toda parte.
A 4 de março de 1878
a Câmara Municipal oficia ao Presidente da Província:
"A maior parte dessa gente não encontrando um teto
que lhe sirva de abrigo passa os dias e as noites exposta
às intempéries do tempo, ao sol e ao relento, donde
resulta principalmente a espantosa mortalidade que atinge
a 40 pessoas por dia".
Foram anos terríveis
para Mossoró. A grande seca dos dois sete, como ficou
conhecida, marcou profundamente a cidade.
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O
cãozinho encurralado
Gilbamar de Oliveira gilbamarbezerra@ig.com.br
Subitamente, em meio
à ruidosa apresentação do desfile de Natal na rua paralela
à Borges de Medeiros, em Gramado, surgiu um pequenino
cachorro desorientado em meio à multidão. Assustado,
visivelmente em pânico, ele olhava de um lado para o
outro daquele imenso corredor polonês sem atinar qual
direção deveria seguir, prestes a enlouquecer, na iminência
de desandar a latir como se perseguido por centenas
de predadores. Câmeras da Globo filmando, o povo aplaudindo
o show, a música natalina em despudorada altura deixando
os tímpanos em polvorosa, o pobre animal certamente
entraria em colapso em pouco tempo.
Alguém gritou ao ver
o bicho acuado, outros fizeram o mesmo, uma garota jogou
nele um pirulito chupado obrigando-o a por o rabo entre
as pernas. "Pega ele!", explodiram vozes em
algazarra. E quando os fogos de artifício estouraram
no céu iluminando a já fe-érica artéria brilhando de
luzes coloridas, o cachorrinho ensaiou correr para a
direita, depois, perseguido por pessoas de apoio ao
desfile, arrancou no rumo da esquerda, mas aí a multidão
aos apupos ensandecidos o desnorteou. Então, sem nenhuma
saída visível, apavorado e convicto de sua situação
nada razoável, o bichinho disparou na direção dos camarotes
onde se encontravam as autoridades e convidados vips,
momento em que, avistado por seguranças trogloditas
ameaçadores, espaúdos e gigantescos prontos para, talvez,
fazê-lo em picadinho ou dar-lhe qualquer outro destino
menos nobre, ele avançou num rumo indeciso à frente
do desfile, louco para sair do impasse, desviando-se
de todos quantos tentavam agarrá-lo ou conduzi-lo para
uma possível saída, completamente deslocado num ambiente
hostil.
E lá se foram homens
e mulheres vestidos de preto, o referido grupo de apoio
aos desfilantes, no seu encalço enquanto o povaréu ora
vaiava, ora batia palmas como se diante de um espetáculo
diferente, as câmeras da Globo gravando a cena toda,
o cara da grua atento a cada movimento da correria e
tudo acontecendo como se tivesse sido exaustivamente
ensaiado para aparecer com perfeição. Foi nesse momento
que algumas jovens participantes do desfile, vestidas
de anjo piscando com as dezenas de luzinhas rendilhadas
na fantasia toda, incluindo as asas alvas como a neve,
passavam em sua apresentação teatral e o animal se esgueirava
em meio a elas com uma rapidez incrível, fugindo pelos
meios que melhor lhe parecessem, os olhos afogueados,
o coração quase a saltar do peito num repente.
Ninguém conseguiu agarrar
o cachorrinho intruso, pelo menos até o último momento
em que o vi correndo desabalado, à toda mesmo, pelo
caminho destinado ao rico e belo desfile de Natal, ainda
sob a gritaria e os aplausos em todo seu percurso. Um
interessante casal de patos acompanhado de seis patinhos
numa coreografia engraçada e emocionante, a mamãe pata
usando um chapeuzinho e o papai pato uma boina que lhe
dava um ar de seriedade cômico, tomando minha atenção
e do público em derredor deu prosseguimento ao espetáculo
e não pude mais registrar que fim levou o pobre do cãozinho
que estava no lugar errado e na hora evidentemente imprópria.
Imagino, por sua destreza e habilidade, que não tenha
sido pego por seus perseguidores, e certamente logrou
encontrar uma saída em algum lugar para livrar-se da
arapuca em que se metera indevidamente.
Esqueci-o completamente
ante o cortejo de soldadinhos de chumbo em ritmada marcha
cheia de evoluções, fazendo-me voltar por instantes
à minha infância sem brinquedos. Soldadinhos de chumbo
sempre foram uma parcela dos sonhos lúdicos povoando-me
a mente infantil, mas eu só podia brincar com ossos
ressecados com os quais criava batalhões. Os de verdade
somente povoavam as brincadeiras dos abastados. O cachorrinho
encurralado no meio da multidão eufórica me deu pena,
os soldadinhos de chumbo, melancolia.
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O
causo de Zé
SULLA MINO sullamino@yahoo.com.br
Ele ainda vive com
o desespero preso em si, o choro, os calos nas mãos
iguais, Zé Evandro o mesmo pedreiro louco, que um dia
fora o melhor vizinho e um pai sonhador.
Vive sozinho em uma
casa que se ouve nas lacunas um choro infantil, a criança
que a avó tanto almejou um dia apareceu e a vida levou
depressa.
Zé vive lá, na casa
empoeirada, no meio do nada, um homem esquecido pelo
mundo, com gosto da morte nos lábios, com a solidão
na alma e o desespero nas mãos.
O sorriso é gasto no
rosto, uma lamparina toma conta da sala, os móveis rústicos
e sujos de sangue do parto. A noite é seu pior tomento,
seu fantasma, gritos que ecoam embutidos naquele velho
lar.
Seu filho nascera com
a morte esculpida no corpo, o ventre da mãe apenas suportou
meses uma angústia, o pequeno foi enterrado no jardim
junto ao córrego e todos os dias Zé faz um novo funeral,
flores, brinquedo e um punhal em forma de lágrima que
finca os seus olhos.
O momento noturno é
o pior pesadelo, o choro toma o ar, invade, atordoa
a loucura necessária. A bebida pura e quente lhe faz
companhia e esquecer o pulso que está ainda virgem.
D.Zinha, a esposa de
muitos anos, hoje um zumbi perdido na casa, não esquecera
a primeira vez que pegou seu piá nas mãos e assoprou
suas narinas, no intuito que revivê-lo.
Ela está lá, guardada
na velha casa, embutida na parede da sala, alguns centímetros
de cimento colam seu corpo ao tijolo antigo, um ótimo
revestimento e um quadro cobrindo os arremates. O quadro
está bem posto, combinando com o ambiente, embora o
sangue seco cobrindo os móveis antigos, completava aquela
cena estúpida, ainda assim era a realidade de Zé.
A cidadezinha abriga
este sítio abandonado, o corpo de uma criança no jardim,
enfeitando o dia, D. Zinha escondida na parede fazendo
sala ao marido.
Chove muito, o vento
está forte e frio, os olhos de Evandro filmam a grama
fofa e úmida, o inverno aponta no interior do sul, os
brinquedos molhados, as flores murchas, o quadro da
sala torto devido o vento adentrando pela janela.
O pobre pai afoga sua
mágoa em mais uma bebida, corre desesperado à entrada
de sua velha casa e se ajoelha no primeiro degrau, às
lágrimas caem no rosto e se juntam as águas da chuva
que entorpece.
- Deus! O que eu fiz?
Zé Evandro braveja
tal frase, grita várias vezes olhando para o céu e não
obtêm resposta alguma, apenas uns raios no céu cinza
na outra ponta da cidade.
- Um dia serei perdoado?
- Não quero mais!
- Está ouvindo Deus?
- Tire-me daqui!
O pranto domina aquele
homem desesperado até a manhã seguinte. O pedido foi
aceito de tal forma, um carro vindo da cidade para em
frente ao seu jardim, dois homens tentam colocar a camisa
de força em Zé.
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Caderno
CA (Parte XIX)
Clauder Arcanjo
clauder@pedagogiadagestao.com.br
Vadiagem
— Amanhã, não precisa
me acordar cedo. A minha conta do dia seguinte já a
cumpri hoje. Logo, estou ajustado com o mundo. De contas
acertadas.
— Como?...
— Não há de que duvidar.
É tudo muito simples. Explico. As coisas de antes de
ontem deixei para hoje. As de hoje... julguei-as supérfluas,
desnecessárias, na bacia das almas. Então, logicamente,
não as realizei. Os compromissos de amanhã, prevenido,
antecipei-os... e caiu todos, de supetão, na conta do
que não precisa ser feito. Dito isto, não precisa me
acordar com os primeiros raios do sol, pois estou ajustado
com o universo. Quites. Antecipadamente quites.
— ...
— E você se me apresenta
com essa cara de julgador! É o que eu ganho por ter
antecipado as minhas obrigações?...
— ...
***
Declaração
Declaro, perante a
todos que diariamente labutam com a palavra, que o verso
sempre me foge, quando eu, desesperado e ansioso, tento
aprisioná-lo. Que a prosa me falta, quanto eu tento
soltá-la. Que a crônica claudica, quando eu busco arrumá-la
em demasia.
Declaro, perante a
todos que semanalmente lêem os meus escritos, que a
profissão de escritor exige alma, corpo e ritmo. No
entanto, quanto mais me dedico, mais concluo que me
distancio. O alvo da perfeição é móvel e sobremodo exigente;
a palavra certa (?), por certo, rasga, pune, exaspera...
e, ao ser parida no meio da página branca, sai dilacerando
as entranhas, de forma inclemente. O vocábulo exato,
vã utopia, não se revela, finge revelar-se. E, nessa
luta atroz e interminável, eu me flagro sofrendo...
e a literatura, bem sei, nunca terá dó da gente.
Declaro, sob a condição
de juramento, que não consigo, por mais doloroso que
seja o calvário, abdicar desse tacão. Uma vez batizado
em suas águas, ninguém se livra fácil de tal mister.
Luz e dor, suor e lágrimas, risos e decepções. Um misto
de vida e morte, entrançado por entre as páginas. Isto
eu sei, certamente bem sei.
***
Danos
O poema danifica o
corpo, marca a alma? Nunca pensei nessa questão. Só
acho que as estrofes só nos tocam se penetram no miolo
do nosso ser, e reverberam no campanário das nossas
significâncias. Um poema surdo nada nos diz. É letra
morta, verso sem obra, sino sem badalo.
***
Sentença
— Fuja!
— Pra onde?
— Homem! Pela mãe dos
desgraçados, fuja!
— Ninguém foge de si.
O juiz já sentenciou minha pena. Considerando-me culpado.
Logo, estou detido.
— Qual dos juízes?
— Eu mesmo.
***
Natividade
Quando nasceu, ninguém
reparou no brilho dos seus olhos. Quando jovem, poucos
deram conta da força daqueles braços. Ao envelhecer,
raros entenderam o brilho e a potência do seu silêncio.
***
Questão ‘religiosa’
— Você jura?
— E é preciso jurar?...
— Claro!... E com a
mão direita posta sobre a Bíblia, meu senhor!
— Fiquemos então por
aqui. Não gosto de meter o Senhor nos meus assuntos
pessoais. A questão é entre nós dois, não ponha Deus
no meio disso.
—...
***
Historinha menor
— Falaram-me dos atributos
de Isabela. Boa filha, prendada, religiosa, bem educada,
e zelosa com as coisas de casa. Não me aproximei, pois
prefiro alguém mais inconsequente.
A mãe não lhe disse
nada.
— Depois, discorreram
acerca dos dotes de Cristina. De família tradicional,
bisneta do Comendador Felismino Dagoberto da Figueira
Pastor. Herdeira única do clã dos Figueira Pastor, confidenciaram-me.
Não me tocou o espírito. O amor se constrói com uma
certa falta e não com a abastança.
A mãe, imóvel, continuou
sem pronunciar uma só palavra.
— No dia seguinte,
Vera. Não lhe sei os atributos, nem muito menos de suas
prendas domésticas. E pouco me interessa as suas posses.
Seus olhos verdes me bastaram. É ela, mãe. É ela!
Os olhos da genitora
brilharam, já vivenciara essa história antes.
***
Sementes
As sementes da paz
foram semeadas, há vários anos, nas pradarias áridas
desta terra inóspita. Os semeadores, à época, receberam
a alcunha de loucos. Hoje, são festejados como homens
de fé, cidadãos de visão de futuro.
***
Sabedoria política
II
— Brasileiros e brasileiras.
A oposição tudo explora, politizando todos os fatos.
Não é hora de antecipar o debate eleitoral. Pensemos
nos interesses maiores da nação.
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Aos
bons amigos
Stênio Urbano Muniz (Estudante
de Jornalismo - 7° período - UERN)
Pessoas boas não devem
deixar pessoas boas com palavras ruins, pode ser a última
chance que tenhamos para sermos justos com elas. Devemos
entender que as circunstâncias é que são ruins, não
as pessoas. E não importa o quanto tentemos ser justos,
haverá um dia que seremos covardes, conosco e com os
bons, e isso é aceitável.
Desta feita, chegará
um dia que teremos saudade dos seres bons que se foram,
que precisaremos de suas palavras de consolo e de seu
afeto de amigo. De suas caras feias de reprovação quando
fizermos coisas feias, ou quando sentirmos vontade de
rolarmos na lama deixada pela última chuva matinal com
um bom amigo.
O bom é saber que eles
estarão abertos para nos receber nas horas tristes,
nos segurarão pelo braço e nos farão carícias de amigos.
O ruim é sentir saudades dos seus lares, de compartilhar
um refrigerante num feriado modorrento de inverno quando
eles tiverem ido embora.
O bom é ter amigo.
O bom é lembrar-se daquele de riso largo e de palavras
atrapalhadas.
O pior de tudo é perder
um amigo. E perdê-lo em vida é a pior de todas as mortes.
E de tudo o pior é sabermos sua rua, seu endereço, seu
telefone, seu perfume e sua música preferida e fingir
que nada mais nos importa, nem o seu aniversário, nem
sua nova namorada, ou namorado.
O pior, e sempre mais,
é saber que nos importamos com ele, ou ela. E o que
queríamos era tê-lo em nossa mesa, e, que em verdade,
queríamos dá-lhe um abraço apertado contra o peito e
dizer... "Seu filho da mãe, nunca mais me deixe".
Carregar um amigo morto
em vida é como carregar uma chaga incurável. É derivar
em mar aberto, é ser imerso na dor que nos aborta em
terra firme. É amanhecer sem ter a luz, é ter de quem
se lembrar e que se perdeu.
Sentir saudade de quem
se foi é como se houvesse levado uma parte viva de nós.
É um labirinto desconhecido. É a parte cega de nós.
Eis alguns motivos
para sermos bons com os nossos, pois, provavelmente,
eles nos serão eternos e nos ouvirão nas divagações
de velhice. Estarão, certamente, em nosso casamento,
serão padrinhos dos nossos filhos e talvez você case
com um amigo, ou amiga, e ele será bom com seus filhos.
Darão nomes bonitos a eles, que talvez vocês tenham
escolhido em um filme de amor, ou num livro emprestado,
ou talvez de um desenho animado da infância.
E seus filhos herdarão
as amizades da sua geração. Eles, os amigos, trarão-nos
alegrias e tristezas, e isso não é ruim, apenas o suportável
o suficiente para que a cada dia possamos dizer-lhes
que o perdão existe, que é tocável, e só depende de
nós para nascer ou morrer. Mas nunca, nunca devemos
ir com palavras más, então isso já será o suficiente
para morrermos sossegados ao lado de um bom amigo.
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I.M.C.
e obesidade
William Pereira
da Silva wilpersil2003@yahoo.com.br
O Índice de Massa Corporal
(I.M.C.), é uma fórmula que indica se um adulto está
acima do peso, se está obeso ou abaixo do peso ideal
considerado saudável. A fórmula para calcular o Índice
de Massa Corporal é: IMC = peso / (altura)2, é um método
fácil no qual qualquer um pode obter informação ou uma
indicação com bom grau de acuidade, se está abaixo do
peso, no peso ideal, acima do peso ou obeso. Segundo
a Organização Mundial de Saúde (O.M.S)., o índice normal
é entre 18.5 e 25. Então, para sua altura o peso ideal
é entre Kg mín / Kg máx. Antes de tudo, é preciso salientar
que o Índice de Massa Corporal é apenar um indicador,
e não determina de forma inequívoca se uma pessoa está
acima do peso ou obesa. A Organização Mundial
de Saúde usa um critério simples: em relação ao IMC
em adultos podemos classificar abaixo do peso quem tem
o índice abaixo de 18,5, no peso normal entre 18,5
e 25, acima do peso entre 25 e 30 e obeso acima de 30
de acordo com a tabela da O.M.C
A vantagem do sistema
da Organização Mundial de Saúde é que ele é simples,
com números redondos e fáceis de utilizar. Há alguns
problemas em usar o IMC para determinar se uma pessoa
está acima do peso. Por exemplo, pessoas musculosas
podem tem um Índice de Massa Corporal alto e não serem
gordas. O IMC também não é aplicável para crianças.
Outro problema é a influência, ainda não suficientemente
estudada, que as diferenças raciais e étnicas têm sobre
o Índice de Massa Corporal. Por exemplo, um grupo de
assessoramento à Organização Mundial de Saúde concluiu
que pessoas de origem asiática poderiam ser consideradas
acima do peso com um IMC de apenas 23.
A Obesidade é
a deposição excessiva de gordura no organismo, levando
a um peso corporal que ultrapassa em 15%, ou mais, o
peso ótimo. Os nutricionistas Cecília L.
de Oliveira e Mauro Fisberg relatam que; "vários
fatores são importantes na gênese da obesidade, como
os genéticos, os fisiológicos e os metabólicos; no entanto,
os que poderiam explicar este crescente aumento do número
de indivíduos obesos parecem estar mais relacionados
às mudanças no estilo de vida e aos hábitos alimentares.
O aumento no consumo de alimentos ricos em açúcares
simples e gordura, com alta densidade energética, e
a diminuição da prática de exercícios físicos, são os
principais fatores relacionados ao meio ambiente.Os
estudos verificaram que a obesidade infantil foi inversamente
relacionada com a prática da atividade física sistemática,
com a presença de TV, computador e videogame nas residências,
além do baixo consumo de verduras, confirmando a influência
do meio ambiente sobre o desenvolvimento do excesso
de peso em nosso meio. Outro achado importante foi o
fato da criança estudar em escola privada e ser unigênita,
como os principais fatores preditivos na determinação
do ganho excessivo de peso, demonstrando a influência
do fator sócio-econômico e do micro-ambiente familiar.
O acesso mais fácil aos alimentos ricos em gorduras
e açúcares simples, assim como, aos avanços tecnológicos,
como computadores e videogames, poderia explicar de
certa forma a maior prevalência da obesidade encontrada
nas escolas particulares.Contudo, esses dados não estão
de acordo com os encontrados em países desenvolvidos,
onde existe uma relação inversa entre o nível de educação
ou sócio-econômico e a obesidade.
Muitos outros aspectos
podem influenciar na obesidade como os alimentos servidos
em restaurantes, bares e supermercados, a variedade
e o aumento nas porções dos alimentos sofreram um aumento
significativo nos últimos anos, por exemplo, o tamanho
da batata-frita oferecida aos consumidores em meados
dos anos 50 representava 1/3 do maior tamanho oferecido
em 2001, acontecendo também com a carne, chocolates
e massas em geral.
A importância de apresentar
medidas de intervenção na prevenção de distúrbios nutricional
em indivíduos propensos a Obesidade merece destaque
de todos os setores da sociedade, inclusive na educação,
na indústria alimentícia e nos meios de comunicação
massificando a necessidade de uma ampla campanha
de esclarecimento e conscientização na forma como devemos
nos alimentar e praticar atividades físicas.
" Medidas de caráter
educativo e informativo, através do currículo escolar
e dos meios de comunicação de massa, assim como, o controle
da propaganda de alimentos não saudáveis, dirigidos
principalmente ao público em geral e, a inclusão de
um percentual mínimo de alimentos in natura no programa
nacional de alimentação escolar e redução de açúcares
simples são ações que devem ser praticadas. Sobre a
indústria alimentícia, devemos procurar o apoio à produção
e comercialização de alimentos saudáveis", exaltam
os nutricionistas Cecília L. de Oliveira e Mauro Fisberg.
FONTE DE PESQUISA:
http://www.abeso.org.br/pdf/set/Ob%20infância%20%20e%20adolescência%20epidem..pdf
http://www.copacabanarunners.net/imc.html
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DICAS
GRAMATICAIS
benjamimlinhares2@hotmail.com
CONCORDÂNCIA
O verbo ser, quando
indicar horas concordará com o numeral a que se refere.
Claro está, então, que ficará no singular, ao indicar
"uma hora", "meio-dia", meia-noite"
ou "zero hora" e no plural nas demais horas
do dia. Por exemplo, deveremos dizer "Já são 19h,
mas o professor ainda não enviou o texto" e "Era
meio-dia, quando Renato chegou". Essa regra
também serve para o verbo ser, quando indicar distância:
Por exemplo, "É um quilômetro daqui até a sua casa";
"São mais de quinhentos quilômetros de Londrina
a São Paulo". Já na indicação de datas, o
verbo ser tanto poderá ficar no singular, quanto no
plural, a não ser no primeiro dia do mês; neste caso,
o verbo ficará no singular. Por exemplo: "É dezoito
de abril" (= É dia dezoito de abril) ou "São
dezoito de abril" (= São dezoito dias de abril);
"É primeiro de maio" (= É dia primeiro de
maio ou é o primeiro dia de maio).
CRASE
Alguns escritores defendem
o uso do sinal indicativo de crase após as preposições
à, às. Exemplo: até, desde, etc. Na verdade, não há
crase após as preposições citadas. Vejamos a explicação:
"Nunca obedeci àquele homem, pois não o respeito"
(quem obedece, obedece a alguém); "Assisti à peça
teatral escrita por Mário Bortoloto" (quem assiste,
no sentido de ver, assiste a algo); "Não aspiro
àquela vaga, mas à que foi ocupada por Armando"
(quem aspira, no sentido de desejar muito, aspira a
algo); "Cheguei ao cinema às 19h50" (chegar,
ao indicar hora exata, exige a preposição a).
Ocorre, porém, que,
em muitas situações, outra preposição é usada, e não
o a. Quando isso ocorrer, não haverá o acento indicador
de crase, em virtude da falta da preposição a. Vejamos
alguns exemplos: "Cheguei após as 7h":
não há o acento indicador de crase, pois, no lugar da
preposição a, usou-se a preposição após; "Estou
aqui desde as 7h": não há o acento indicador de
crase, pois, no lugar da preposição a, usou-se a preposição
desde.
Há, porém, uma preposição
que admite a preposição a ao seu lado: é a preposição
até. Vejamos alguns exemplos: "Ontem, fomos até
o parque caminhar" (ou até ao parque); "Dormi
até o meio-dia" (ou até ao meio-dia).
Tal combinação não
é obrigatória; é, aliás, desnecessária. A combinação
de até com a acontece com o objetivo de evitar ambiguidade,
ou seja, evitar duplo sentido na frase, pois o vocábulo
até, além de ser preposição, também pode ser advérbio
com o sentido de inclusive. Às vezes, não há como saber
qual dos dois foi usado. Veja o seguinte exemplo:
"A enchente inundou o bairro todo, até a igreja";
Não dá para saber o sentido exato da frase. Há duas
situações: - A enchente inundou o bairro todo, mas não
a igreja: chegou até ela e parou; - A enchente inundou
o bairro todo, inclusive a igreja. Se a primeira opção
for a verdadeira, até é preposição; se for a segunda,
advérbio. Caso a verdadeira seja a primeira opção, recomenda-se
o uso da preposição a em combinação com até, evitando,
assim, o duplo sentido: "A enchente inundou o bairro
todo, até à igreja". Caso a verdadeira seja a segunda
opção, recomenda-se o uso de inclusive: "A enchente
inundou o bairro todo, inclusive a igreja". A frase
apresentada no início do texto não apresenta ambiguidade.
Pode-se, portanto, usar o acento indicador de crase,
mas não há necessidade dele.
CURIOSIDADES
Já falei tanto sobre
este assunto, mas nunca é tarde para aprender.
* Nas expressões é
muito, é pouco, é suficiente, o verbo ser fica sempre
no singular, sobretudo quando denota quantidade,
distância, peso. Ex: Dez quilos é muito. Dez reais
é pouco. Dois gramas é suficiente.
* Há duas formas
de dizer: é proibido entrada, e é proibida a entrada.
Observe a presença do artigo a na segunda locução.
* Cuidado: emergir
é vir à tona, vir à superfície. Por exemplo: O monstro
emergiu do lago. Mas imergir é o contrário: é mergulhar,
afundar. Veja o exemplo: O navio imergiu em alto-mar.
* Outra dúvida: nunca
devemos dizer estadia em lugar de estada. Portanto,
a minha estada em São Paulo durou dois dias. Mas a estadia
do navio em Santos só demorou um dia. Portanto, estada
para permanência de pessoas, e estadia para navios ou
veículos.
* Não esqueça: exceção
é com ç, mas excesso é com dois s. E a pronúncia
certa é disenteria, e não desinteria. Ancião tem três
plurais: anciãos, anciães, anciões.
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