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Rydjel
Weine
Rydjel Weine é separado,
pai de duas crianças e filho de músicos. Carrega no
sangue o amor pela arte. Inspirado pelas serestas que
o pai fazia pela região, o músico João de Deus, Rydjel
ganhou gosto pela arte de tocar e hoje é percussionista
e cantor. Tem disco gospel gravado, mas não parou por
aí. Observador, ele sempre esteve por trás dos palcos
dos teatros, participando dos arranjos sonoros das peças
e envolvido sempre nos bastidores. Até que surgiu o
convite para atuar. Fez testes, foi aprovado e ficou
conhecido como o Lampião do Chuva de Bala no País de
Mossoró deste ano. Aos 31 anos, levou suas idéias artísticas
para o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil
(PETI), onde trabalha com 23 crianças.
Adriana Morais adriana.morais20@hotmail.com
OM - Como foi que
você começou a trabalhar?
RW - Eu comecei
a trabalhar com meu pai na música. Ele e minha mãe eram
seresteiros muito conhecidos aqui, (ele fala do músico
João de Deus) e a gente tocava bastante. Eu tocava bateria.
Toquei em muitas bandas de 'heavy metal', toquei com
o pessoal do Garagem 31 e com muitas outras bandas.
OM - Então, foi
aí que tudo começou?
RW - É, foi
aí que tudo começou e, então, parei mais quando estava
perto de me casar. Aí fui trabalhar na prefeitura, no
Peti, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil.
Daí, a gente começou a trabalhar com essa parte cultural.
Nós temos grupos folclóricos, até o 1º festival que
teve aqui em Mossoró, fui eu que ganhei com os meninos
do projeto. Ganhamos o primeiro Festival de Folclore.
Desde então, a gente vem participando com nossos grupos
folclóricos.
OM - Como foi que
você começou no Peti?
RW - Comecei
em 1992 Hoje eu sou um monitor, cuido da parte
cultural, ou seja, eu trabalho com a parte de teatro,
música e dança.
OM - Além do trabalho
cultural que você desenvolve no Peti, o que mais nessa
área você faz?
RW - Além de
trabalhar com essas crianças, eu faço parte do grupo
Cia. Bagana, o pessoal de Joriana, que está com o espetáculo
"Scooby Doo'. Eu sempre fiz parte do trabalho musical
de espetáculos como o Auto da Liberdade e o Chuva de
Bala do País de Mossoró. Eu trabalhava sempre como músico,
vinha o pessoal do estúdio e eu montava a parte musical.
Trabalhava sempre assim, fazendo música para eles. Além
dos festivais, como Festuern, o próprio festival folclórico
aqui de Mossoró. Já participei de outro grupo de teatro,
o grupo de Augusto Pinto, mas hoje estou só no grupo
de Joriana Pontes.
OM - Como é que
você consegue arranjar tempo para conciliar todas essas
atividades?
RW - Realmente
às vezes fico pensando que é muita coisa e como eu vou
arranjar tempo para tocar com meu pai e minha mãe na
igreja, porque a gente toca numa banda evangélica, e
eu tenho o meu CD gravado e tenho que divulgar. Mas
graças a Deus, Ele tem dado as suas brechas e a gente
vai conseguindo conciliar.
OM - Fale mais sobre
esse CD
RW - Eu gravei
esse CD solo com músicas até de outros cantores, mas
com minha voz. É só voz e violão, o trabalho feito só
por mim, meu pai e minha mãe. Fiz umas copias e já vendi
graças a Deus e já estou fazendo outro com a banda e
solo também.
OM - O que você
destacaria na sua participação no teatro?
RW - A primeira
peça que nós fizemos foi 'Navio Negreiros' que era do
grupo de Augusto. Depois a gente montava várias peças
com as crianças para os festivais de folclore, como
a 'Chica Danada' que a gente apresentava no Teatro Municipal
nesse festival. Além das quadrilhas estilizadas que
a gente faz dentro do projeto com as crianças
e a maioria é um espetáculo porque a gente faz com um
show mesmo, fazíamos o texto, a dança, a coreografia.
OM - Quantas pessoas
têm no Peti e como é a relação delas com a arte?
RW - Trabalhamos
com 23 crianças. É muito bom porque a gente sabe que
para Mossoró agora que desenfreou mesmo. Até um certo
tempo que estava para concorrer a capital cultural,
então desde que começamos a participar do Festuern,
eu vi uma grande expectativa da criança para despertar
o conhecimento, para querer saber o que é um artista
e ser um artista. Hoje a coisa está mais aberta, o leque
está aberto. Várias crianças através do Auto da Liberdade
que tem os seus colégios, a prefeitura entrou com isso,
despertou o querer na criança em trabalhar nos espetáculos
para a cidade. A gente vê que tem mais crianças envolvidas,
isso em toda comunidade.
OM - Você atribui
esse seu gosto pela arte pela influência de seus pais?
RW - É. E eu
sempre via outros, sempre tinha interesse quando eu
via os espetáculos e achava tudo muito bonito e queria
ver as pessoas atuando e ficava pensando que eu também
poderia fazer. As pessoas perguntavam por que você não
está aqui, você é muito inteligente, desenrolado, e
eu nunca me interessava em participar de um espetáculo
para a cidade. Mas sempre pensei no 'será que dá certo?'
As pessoas me convidavam e eu não queria. Só participava
lá atrás, nos bastidores, na montagem de som, e aquelas
coisas. Mas quando veio é... a primeira participação
grande minha, bom mesmo, num espetáculo para a cidade
foi como o Lampião no Chuva de Bala... Nas oficinas,
eu fui para lá como percursionista e cantor porque o
teste era para isso. Mas Elieseu, o diretor que veio
para cá, fez a proposta. Ele diz, “eu quero você para
fazer o teste”. Eu fiz o teste e passei, fui o primeiro
lugar.
OM - Como foi essa
experiência de interpretar Lampião?
RW - Para mim
foi uma experiência dez. Foi maravilhoso. Eu não esperava
ser o principal do elenco, ou um dos principais, que
são as pessoas que estão ali na frente, o Lampião, Jararaca,
o Padre, o Tenente. São as pessoas que estão ali na
frente que o público observa mais. Eu nunca imaginei
que seria o Lampião do Chuva de Bala... Hoje as pessoas
dizem que meu trabalho ficou muito bom. E várias pessoas
de Natal assistiram e fico muito realizado em ser um
personagem que representa o Lampião naquele momento.
OM - Qual sua avaliação
sobre a situação cultural de Mossoró?
RW - Eu vejo
que as portas estão abertas. É como já falei, Mossoró
abriu portas para a cultura que é uma coisa muito forte
para todos os artistas mossoroenses, para os que estão
entrando agora e eu diria que as portas estão abertas
também para os dinossauros da nossa cultura aqui em
Mossoró. Nós que estamos aqui agora, que somos novatos,
fazemos o que fazemos porque aprendemos com eles, com
pessoas que estão muito tempo pelo teatro, pelos palcos
da vida e dando de tudo para que a coisa fique bonita.
OM - Com relação
ao público, como é a repercussão?
RW - Tem gregos
e troianos. A gente sabe que nem Jesus agradou a todos.
Mas eu vi várias pessoas que tinham visto outros espetáculos
que acharam diferente, outros acharam belo e outros
acharam péssimo. Fizeram comparações com o espetáculo
do ano passado e disseram que era mais rico ou que era
mais pobre. São muitas coisas que existem dentro do
contexto do artista. E outra coisa que eles acharam
diferente foi porque foi tudo ao vivo. Agora é um espetáculo
pioneiro, é um espetáculo da cidade e então já tem aquele
público assíduo. Tinha muita gente de fora, muitas crianças
e eu adoro crianças, e elas sabiam o texto na ponta
da língua. A repercussão para mim foi o ótima.
OM - O que é arte
pra você, por que você dedica sua vida pra isso?
RW - A arte
para mim é uma coisa inexplicável. São emoções diferentes.
Eu gosto de música, mas não me considero um músico,
eu faço alguma coisa de música naquilo que posso, e
música é arte, é a arte dos sons e a arte dos sons é
belíssima. E os outros espetáculos da vida além de intercalados
a música é profissional porque o artista ele é assim,
vive de emoções. Me perguntaram uma vez qual a diferença
entre um doente do coração e um cantador de repente
e, eu perguntei para meu pai, e meu pai respondeu: É
porque o repentista ele vive de repente e o doente do
coração ele morre de repente. Então levo isso como exemplo
para minha vida artística. Exatamente o que o artista
quer , é a emoção do público, são as palmas, a emoção
da criança, do velho, de quem for. Porque a gente precisa
fazer para aquelas pessoas que aquilo pareça real.
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