Mossoró-RN, domingo 22 de novembro de 2009

 

ISAURA ROSADO

Presidindo desde 2003 a Fapern - Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Norte, a educadora Isaura Rosado é uma incansável batalhadora da divulgação e do desenvolvimento da pesquisa e da iniciação científica no Estado, tanto a nível acadêmico, quanto empresarial. De forma geral, o Estado ainda não tem a cultura de pesquisa em suas empresas e dinheiro sobra, constata diante do baixo retorno a editais como o INOVA, um programa realizado em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, por intermédio da Finep, e do governo do estado. A presidenta da Fapern também lamenta a baixa demanda ainda existente pelos programas e bolsas de incentivo ofertados pela fundação. Nesta entrevista ao O Mossoroense, Isaura Rosado discorre rapidamente sobre alguns projetos e ainda anuncia o lançamento de uma bolsa específica para jornalistas.

Larissa Newton

O Mossoroense - Qual a importância da Fapern para o desenvolvimento do Estado?

Isaura Rosado - Impulsionando e incentivando a pesquisa científica e tecnológica, sabemos que esses resultados trazem soluções, inovações e interferência na atividade econômica, enfim, melhora as nossas vidas.

OM -  Quais são as áreas do conhecimento que a Fapern abarca?

IR - Todas as áreas do conhecimento. Depende das políticas de governo estadual e federal e das linhas de fomento, afinal a Fapern é um braço do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e opera com recursos do CNPq, Capes, Finep e recursos do Estado.

OM - Recentemente foi lançado o Edital Fapern nº 015/2009 "Apoio à melhoria do ensino nas escolas públicas do estado do Rio Grande do Norte" - considerando a necessidade óbvia da proposta, em que ponto se encontra esta iniciativa, e que projetos foram aprovados? Qual foi a receptividade deste edital? Quais as maiores carências e entraves percebidos no setor da educação básica?

IR - Nós temos operado em parceria com o secretario Ruy Pereira, tentando apoiar a atividade educacional formal, na pesquisa científica e na divulgação da ciência. Este ano, e foi uma determinação da governadora, a professora Wilma de Faria, lançamos dois editais, uma de feira de ciências e um para apoiar pesquisa que tivesse o objetivo de melhorar a escola pública. Lamentavelmente não conseguimos comprometer todos os recursos disponíveis, a demanda foi baixíssima. A Fapern criou também há dois anos, prêmios para incentivar a iniciação científica nas escolas, que ainda não despertam grande interesse. Tem sido baixa a procura, precisamos do apoio da imprensa e de parceria para chegar mais na sala de aula.

OM - Além de divulgar os editais, como a imprensa poderia colaborar?

IR- Divulgando os editais, por exemplo. Temos os recursos, mas efetivamente a resposta das escolas é difícil. Para incentivar a divulgação científica e tecnológica na imprensa, vamos abrir em breve um edital onde vamos oferecer bolsas para jornalistas nas áreas de ciência e tecnologia. Será um processo seletivo para Mossoró e Natal, e o objetivo é estimular essa área do conhecimento.

OM -  Qual tem sido a receptividade e o retorno ao programa INOVA, que tem por objetivo apoiar, sob a forma de subvenção econômica, projetos para o desenvolvimento de atividades inovadoras de micro e pequenas empresas (MPEs)?  Está dentro da expectativa? É possível apontar as fraquezas neste segmento a partir da receptividade e projetos encaminhados?

IR - Essa linha que financia a pesquisa científica na micro e pequena empresa potiguar, já disponibilizou 8 milhões de reais, temos resultados concretos como: O projeto desenvolvido por um jovem inventor (mossoroense) que refere-se a um veículo anfíbio, suspenso em um colchão de ar, denominado de Hovercraft, que se locomove na água e na terra, capaz de percorrer até 70 km/h. Outro projeto com resultados expressivos é a miniadega com apoio da Fapern, pesquisa realizada pelo professor Carlos Chesmann.

OM - Qual foi o desempenho da Fapern em 2009?

IR - Crescemos muito este ano, a governadora instigou durante todo o ano a ação da Fapern, e nosso balanço é extremamente positivo. Este ano, foram disponibilizados 18 milhões em apoio à pesquisa e concessão de bolsas. E nas áreas que estruturam pesquisa aqui em Mossoró está concluído o Centro Tecnológico do Agronegócio na Ufersa onde aplicamos mais de 3 milhões de reais e facilitamos a proximidade, pois todos estão instalados no centro dos organismos que trabalham com agricultura tropical.

OM- A senhora poderia apontar as áreas que mais tem lacunas e demandam de mais pesquisas relevantes para o RN?

IR - De modo geral em toda parte econômica do Estado. Toda atividade econômica precisa ser respaldado da pesquisa científica.  Por exemplo, em Mossoró a agroindústria da fruticultura teve o respaldo das pesquisas científicas realizadas na Ufersa.

 

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