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Infidelidade
e Reforma Política
A infidelidade
partidária continua sendo muito discutida nos meios
políticos. Há casos em que os eleitos trocam de partido
por conveniências pessoais. Mas, em outros, essa permuta
passa a ser questão de sobrevivência. Com a decisão
do TSE homologada pelo STF, alguns desdobramentos se
precipitaram, inclusive com uma crise instalada entre
os Tribunais Superiores e a Câmara dos Deputados, por
conta do afastamento de um deputado federal, tido como
infiel. São mais de duas mil ações contra deputados
e vereadores, número significativo que justifica a apreensão
dos políticos. Para diminuir a pressão, o Congresso
deverá aprovar lei facilitando a mudança partidária,
em momentos específicos que antecedem às eleições.
Para abrigar esses
casos, o deputado Flávio Dino apresentou projeto de
lei que está tramitando na Câmara dos Deputados, que
cria a janela da infidelidade. De início, os partidos
da base aliada defendiam isoladamente essa idéia. Hoje,
até mesmo os de oposição simpatizam com a proposta,
acreditando que o favoritismo de José Serra, como candidato
a presidente da República, ajudará na atração de novos
parlamentares. Embora limitando o troca-troca de partido
a poucos meses antes de cada eleição, permite a volta
da infidelidade, até mesmo com acerto prévio. Isso é
muito ruim para a afirmação dos partidos políticos e
também para os eleitores. Quem conferir o resultado
das últimas eleições poderá ficar surpreso com o grande
número de votos que é recebido pelos partidos políticos,
e não pelos candidatos.
No momento em que se
admite exceção, é fácil entender que as facilidades
para a mudança de partido serão bem ampliadas. São 513
deputados federais e 81 senadores apresentando propostas
de emenda ao projeto de lei original que, no final,estará
totalmente desfigurado. A história política tem mostrado
que partidos de oposição diminuem a força política,
com vários dos seus membros cooptados pelo governo.
Foi assim no governo FHC, com o DEM, ex-PFL aliado ao
PSDB e tem se repetido no atual governo, onde o PMDB
e o PT estão dando as cartas. Isso se repete nos estados
e municípios, onde a oposição legislativa praticamente
inexiste.
No regime democrático,
é importante haver um equilíbro de forças entre governo
e oposição, mas, infelizmente, não é isso que acontece.
Um deputado federal chegou a afirmar que precisava passar
para um partido da base aliada do governo para poder
liberar recursos para o município. É uma visão desfigurada
da realidade política, onde o fortalecimento dos partidos
deveria ser tomado como prioridade. Um dia, a reforma
política irá acontecer. Não aquela ideal para a democracia
brasileira, mas a reforma possível para o momento. Até
mesmo o presidente Lula encaminhou proposta de reforma
política. O presidente arriscou que tudo poderia estar
aprovado até o final deste ano. Claro, tudo não passará
de uma quimera.
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