Mossoró-RN, domingo 8 de novembro de 2009

SOU CARVÃO
Luana Dyane
Governador Dix-sept Rosado

Sou carvão
Sirvo ao patrão
Ajudando a acender,
Devendo ceder
As críticas
De decisão
Que me tens a oferecer.
Sou carvão
Emparelhado na escravidão
Do superior
Que diz construir-me
Diz tradicionar o oprimido
Sem nada fazer,
Estou sempre no mesmo lugar
Queimando para alimentar.
Sou carvão
Do sujo, venho
Da lareira, venho
Vivo na petulância,
Na ignorância.
Prezo aqui estou
Sabendo que se sair
Haverá outro carvão
Que queimará a serviço do patrão.

PALAVRAS E DESEJOS
Fátima Feitosa
Pedagoga - Mossoró

Com palavras me despe em pele nua
Atiça meu querer, aguça os sentidos
Me deixa navegar no mar a luz da lua.

Traça-me seu enredo, revela segredos
Encaixes ortográficos me desenham...
Preza na tua teia silábica fogem medos. 

Vens e pontuas-me com exclamações
Não fechas parênteses, abre reticências
Sem ponto final brecha pra interrogações.
Entre aspas me põe maluca de desejos
A cada vírgula, mais sedução em texto...
Acentua-me grave e ganhas meus beijos.

Almas Infinitas
(Paulo Costa)  

Vai-se a matéria fica-se a alma
Liberta do peso da vida
Cansada voltando da escola
Sentindo o gostinho do dever cumprido
Levitando sobre nossas cabeças
Se compadecendo dos iniciantes
Tropeçando em miragens coloridas
Sentindo um imenso fastio
Querendo um aconchego físico
Com a ficha por cair
Sem saber da hora
Se lembrando da folhinha
Encontrando almas infinitas como ela
Mostrando os cadernos da vida
Esperando pelo "juízo" final sentado nas estrelas
Ouvindo harmonias tocadas nos anéis de Saturno
Querendo finalmente ver Deus e se maravilhar.

Dualidade
Leylyane Rafaela
www.vampiravalentine.blogspot.com
Mossoró

Uma lágrima caiu sobre mim
E ela me partiu em duas
Partes opostas entre si
Uma do sol e uma da lua.

Uma louca e uma sã;
Uma do bem a outra do mal;
Uma atéia e uma cristã;
Uma emotiva e uma racional;

Uma que ri e uma que chora;
Uma mentirosa e uma sincera.
Qual das duas sou eu
E qual das duas eu era?

Pergunto-me quando acabará a dualidade,
E calo-me diante da incerteza,
Desespero-me diante da verdade,
Choro diante da tristeza.

Por quê?
Célia Mello
(Rodolfo Fernandes R/N)
celiamelo17@hotmail.com

Por que será tão complicado viver um amor?
Tantas dores, sofrimentos, angústias,
É necessário mesmo passar por tudo isso pra ser feliz?
E a distância? Ah! a distância
Essa machuca com vontade,
Deixa traços na vida que só o tempo,
Pra curá-los, vivemos sempre
Insistindo nesse conto de fada,
Desejando esse tão almejado sentimento,
Falo por mim, por tantos sonhos que sonhei,
Alimentados por cada gotinha de esperança,
E fico sempre me interrogando,
Por que que alguém consegue,
Permanecer em um amor por tanto tempo,
Sem nem ao menos ser correspondida?
Confesso que carrego dentro de mim,
Um MEDO, medo esse de me tornar uma pessoa,
Ressentida e não mais acreditar que existe amor de verdade,
E assim viver em um mundo angustiante.
Tenho um DESEJO, desejo esse de me livrar de tudo isso,
E poder olhar para trás sem nem um ressentimento,
Mas vou da tempo ao tempo,
E por enquanto vou vivendo aqui essa dura e cruel realidade.

Minutos sem você
Carlos Eduardo
Poeta mossoroense

A noite cair de repente
Com ela a saudade
Que tenho de você

Os minutos passam devagar
O meu lábio sente
A falta de teu beijo

Nesta noite fria
Quero ficar ao teu lado
Ser o teu cobertor.

Cadência
Clauder Arcanjo
clauder@pedagogiadagestao.com.br

Do samba, ousaria o ritmo
Do batuque, da cuíca, do repique.
Do jazz, sonharia com o improviso
Do baixo, da bateria, da guitarra.
Do tango, hei de copiar a tragédia
Do ritmo, do drama, em passes insanos.
Mas... minha poesia anda
Sem ritmo, improviso e tragédia.
Faço versos com pouca cadência,
Por teimosia, quase que por engano.

CUMPLICIDADE
Ângela Rodrigues de Oliveira

Na cumplicidade da entrega
Escrevemos as mais belas poesias,
Rimando amor com alegria...

Nos sons emitidos intimamente
Compomos a mais doce canção
Nos acordes de nossa paixão...

Tecemos a história de nossa vida 

Com fios de felicidade atados pelo amor...

POEMINHA MONOSSILÁBICO
Caio César Muniz

Eloísa Helena
Eu e tu
Tu e eu
E só
Tu
e
Eu

 

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