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Rompimento de contrato com a Caern pela Prefeitura pode ter motivação política

 

 

Bruno Barreto
Editor de Política

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgotos e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Sindágua/RN), Alberto Moura, em sua passagem por Mossoró deixou claro que existem fortes indícios de interesse político na decisão da Prefeitura de Mossoró em rescindir o contrato que permitia à estatal fazer o abastecimento de água do município.

Para isso não faltam indícios. O primeiro deles é bem simples: a prefeita Fafá Rosado (DEM) é adversária política da governadora Wilma de Faria (PSB), mas esse não é o ponto principal da questão, que é o fato de a aliada política e principal avalizadora de suas duas vitórias eleitorais, a senadora Rosalba Ciarlini (DEM), ser candidata ao Governo do Estado. Ela terá como maior adversário o vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), o candidato de Wilma e secretário estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

O vice-governador substituirá Wilma de Faria em abril do próximo ano, quando ela renunciará ao cargo para poder disputar uma cadeira no Senado Federal. Com isso, Iberê será o "governador que solucionou o problema da falta de água em Mossoró". Isso porque ele terá em mãos R$ 230 milhões, resultado de convênio do Governo Federal.

Convênio esse que a prefeita Fafá Rosado orientou que não fosse assinado em documento enviado à Caern.

Por trás da decisão que não teve nenhum tipo de comunicado oficial nem mesmo entrevista coletiva, estaria uma estratégia para deixar o futuro adversário de Rosalba sem discurso quando viesse a Mossoró pedir votos a partir de julho do ano que vem.

No entanto, " o tiro pode sair pela culatra". A passagem de Iberê por Mossoró na última sexta-feira mostrou isso. Ele disse não entender como políticos de Mossoró poderiam se posicionar contra um montante de recursos como esse e que a rescisão de contrato foi fora de hora.

Ele lembrou da polêmica posição da senadora Rosalba Ciarlini que, quando prefeita de Mossoró, era contra a construção da adutora Jerônimo Rosado, no final dos anos 1990. Naquela época, o governador do Rio Grande do Norte era o senador Garibaldi Filho (PMDB). Na época um ferrenho adversário. Mesmo assim preferiu descartar a hipótese de decisão política.

Discurso

A atitude da Prefeitura de Mossoró pode ceder a Iberê um poderoso discurso de campanha. Basta lembrar que um dos fatores decisivos para a vitória de Wilma sobre Garibaldi nas eleições de 2006 foi o debate em torno das privatizações. A governadora, que disputava a reeleição, iniciou a campanha com uma desvantagem de 20% para o adversário. Ela aproveitou o debate da campanha presidencial na qual o presidente Lula lembrava que o PSDB é um partido marcado pelas privatizações e trouxe um assunto para o nível estadual lembrando que foi Garibaldi quem privatizou a Cosern e poderia fazer o mesmo com Caern. Associar a administração que Rosalba pregou nas ruas em 2004 e 2008 como a continuidade de seu governo a uma privatização do serviço de abastecimento de água pode ser um forte indício de que a Caern seria a próxima estatal a ser submetida ao capital privado.

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